Esta viagem a Lisboa foi diferente de todas as outras que já fiz em toda a minha vida. Não foram férias e também não foram só preocupações. Foi uma espécie de meio-termo. Óbvio que não podíamos estar a sair de casa logo pela manhã e fazermos coisas todo o dia (como se fossem férias!), pois havia quem não conseguisse acompanhar o ritmo. Por outro lado também não podíamos passar os dias todos em casa pois havia quem precisasse estar ao ar livre, fazer coisas divertidas e felizes para menores de 5 anos!...
Conhecemos Lisboa como nunca, no que diz respeito a parques infantis (até então desconhecia um que fosse!!!), mas também tivemos tempo para ir ao Oceanário, Jardim Zoológico, Kidzania, Belém, Estádio do Benfica, Centro Comercial Colombo, Vasco da Gama e Dolce Vita Tejo,... e mais houvesse... Deu para revermos algumas pessoas que fazem parte da nossa família de coração e passamos algum tempo útil com elas, o que foi excelente!
Foi uma viagem que teve o 8 e o 80!
Senti o coração tão pequenino, como também voltei de coração cheio!...
Não estive com todas ao mesmo tempo, mas fiz questão de estar com elas, assim como vi, antes ainda de sair de Ponta Delgada, que seria bem recebida por elas, na casa delas, na família delas... Se isto não é ser família, então não sei o que é!...
Regressar a Lisboa, por uma situação tão stressante para mim e para a minha família, num momento em que nós (e a minha filha principalmente!) precisávamos de nos sentir em casa, houve quem se chegasse à frente e nos estendesse a mão.
A verdade é que, graças a Deus, existiram muitas mãos estendidas. Bom sinal! Difícil foi mesmo escolher sem ferir qualquer uma das restantes mãos... Penso que conseguimos!...
A quem nos acolheu quero deixar aqui o meu eterno agradecimento por estarem do nosso lado nesta fase emocional mais complicada para nós... Somos uns para os outros. Desta vez estiveram aí para mim... espero um dia poder retribuir tudo quanto fizeram por nós durante a nossa estadia por Lisboa...
Obrigada!
Um beijo a todas: às da foto e às que não estão na foto, mas estão no meu coração...
Hoje o Jardim Zoológico de Lisboa assinala o seu aniversário.
Sempre gostei de visitar o Jardim Zoológico. Numa outra altura visitar o Zoo era um marco anual. Fazia parte do meu trabalho (podem ler aqui). Levava crianças a passar um dia inteiro lá, junto com o mundo selvagem. Era deliciar-me com os seus sorrisos de verem os seus animais favoritos tão pertinho...
Desde que a minha M. nasceu, visitar o Zoo é quase que visita obrigatória sempre que vamos a Lisboa. E desta última vez não foi exceção. Desta vez, ela queria muito ver as suas sempre tão apaixonantes girafas, os leões (esperando que ia encontrar o Rei Leão e o Simba!!!) e os elefantes. Claro que os golfinhos também lhe fizeram as delícias e as suricatas também...
Que o Jardim Zoológico continue a dar o seu contributo ao mundo animal e que seja sempre uma das atividades mais interessantes para se fazer em Lisboa.
Já falei dela aqui, o ano passado, neste mesmo dia. Este ano não me vou repetir, pois ela continua a significar o mesmo para mim. Por mais que os anos passem, que a distância teime em existir entre nós, sinto que esta amizade que temos uma pela outra é daquelas "para a vida toda" e mais alguma que houver... Continuamos a não falar tantas vezes quanto desejamos, mas sempre que falamos é como se nenhum dia/mês/ano se tivesse passado. Amizades destas valem mesmo a pena.
Continuo a desejar-lhe o melhor da vida, todos os dias. Continuo a tê-la presente na minha vida, mesmo que esteja a 2000 milhas de distância. Apesar disso, ela mora mesmo, mesmo dentro do meu coração todos os dias... Porque isto sim também é amor para a vida toda...
E para ela, que hoje é a rainha, e que marca o início da Primavera (já não era sem tempo!), deixo esta música, cuja letra fala exatamente de amizades como a nossa...
Hoje é o dia de aniversário do Jardim Zoológico de Lisboa. Muitos parabéns!
Já o disse aqui que adoro ir ao Jardim Zoológico. Sou uma apaixonada essencialmente pelo espetáculo dos golfinhos. O que eu dava para ser uma das tratadoras ou apresentadoras do espetáculo...! O que eu dava para poder nadar com eles, de estar naquela piscina com eles... Sinto sempre uma invejinha tão grande (da branca, claro!) daquelas pessoas que nem imaginam...
O meu trabalho, há uns anos atrás envolvia visitas de estudo ao Jardim Zoológico (tal como disse aqui), o que me dava imenso prazer... Ia pelo menos uma vez no ano... Sempre gostei de crianças e poder proporcionar-lhes uma ida ao Jardim Zoológico era, no mínimo, gratificante. Para mim não era castigo nenhum, e sempre o fiz com muito carinho. Hoje as minhas idas ao Jardim Zoológico têm um motivo maior: mostrá-lo à minha filha e poder incutir-lhe o prazer que é ver os animais no seu habitat normal... Sei bem que estão no Jardim Zoológico e que não estão no seu habitat natural, mas se calhar ali estão protegidos e vejo que têm todos as melhores condições de vida e, claro, fazem as delícias das crianças e dos adultos também!
Mantenho contacto com algumas pessoas do Jardim Zoológico desde a altura das visitas que fazia. Profissionalmente ainda mantemos acordos e anualmente promovemos campanhas com oferta de bilhetes para o Jardim Zoológico. Devido a esse contacto e aos acordos amistosos que temos, todos os anos, no final do ano, enviam-me um calendário com imagens dos animais, que mantenho na minha secretária sempre. O deste ano foi tão, mas tão fofinho e teve como tema a maternidade. Cada mês é acompanhado por uma fotografia de uma mãe com um filhote de diferentes espécies... É tão, mas tão fofinho!!! Aproveito esta oportunidade para agradecê-los todo o carinho que me dispensam... Merecem o meu orgulho e amizade! Continuem o vosso excelente trabalho!
Estamos habituados aqui na santa terrinha a ter tudo de acesso mais ou menos fácil... Pagamos parquímetro apenas em certas zonas e a maioria das coisas estão à distância de um passo. A verdade é que viver na ilha tem as suas (enormes!) vantagens.
Começa por não termos trânsito daqueles de enlouquecer (tirando esta altura das festas do Santo Cristo, ou na altura do Rally ou até mesmo durante parte do verão), ficarmos horas parados no mesmo sítio montes de horas, onde aproveitamos para acabar de nos vestir ou até jantar dentro do carro, caso estejamos preparados para tal. Temos o mar aos nossos pés a qualquer hora do dia ou da noite e isso é realmente muito bom e muito anti-deprimente.
Nós, principalmente quem vive fora da cidade (embora também se veja isso na cidade ainda), ainda confiamos nas pessoas.
Há quem diga bom dia ou boa tarde às pessoas com quem se cruzam na rua, mesmo que sejam perfeitos estranhos.
Quem trabalha nos cafés da cidade chama os clientes habituais (e às vezes nem por isso) de "vizinho/a", sendo este um termo afetuoso, de proximidade relativa.
A maior parte dos dias dá para sair do trabalho e ainda ir dar um mergulhinho à praia, na boa e sem estacionamento pago... eu, por exemplo, tenho mantido a rotina de na hora de almoço correr 30 minutos e depois disso ainda poder dar um mergulhinho no mar, por uns míseros 10€ por mês!!!
Nos dias em que estive em Lisboa e Coimbra, como já referi, tentamos arranjar programas divertidos e relaxantes para a minha M. mas também para nós, como algumas compras, umas idas a parques infantis e ainda passeios em jardins.
O estacionamento no centro da cidade ou no "Cu de Judas" paga-se sempre!
O estacionamento para os hipermercados paga-se!
O estacionamento para um passeio no jardim paga-se!
E agora, pasmem-se! 20 minutos no Pula-Pula pagam-se!
Eu nunca fui muito apologista de pula-pulas porque... sei lá..., apesar de imaginar que até é divertido para as crianças, andam os pais (falo por mim confesso!) de coração nas mãos a assistir de tribuna ao momento em que o seu filho cai mal e parte um ossinho qualquer... sei lá... pelo menos é essa imagem que passa pela minha cabeça sempre que a minha M. entra num pula-pula!...
Qualquer dia compro um Pula-pula e monto-o num dos nossos jardins! Quem quiser pular... paga! ;)
Eram 5h da manhã quando a acordei. Ela não rabujou e nem fez fitas, ao contrário do que pensei que fosse fazer. Só dizia que ia no avião e que ia para Lisboa e estava muito feliz por isso. A primeira vez que lá foi tinha 1 ano e 10 meses. Apesar de ter uma excelente memória, não se deve lembrar de muita coisa do que viu na altura. Eu lembro-me de cada detalhe e vou contar-lhe um dia...
Lisboa é quase como a minha segunda casa. Lá vivi 6 dos melhores anos da minha vida... Acolheu-me desde o primeiro dia e, graças a Deus, tirando alguns pequeninos percalços, tive a sorte de nunca ser assaltada e nem nunca ter tido nenhum problema de maior que não conseguisse resolver na hora. Dizem os entendidos que o pessoal de Lisboa é mais snob e antipático do que o pessoal do Porto, por exemplo... Eu devo ter conhecido outra Lisboa que não a deles. Comigo sempre foram simpáticos e afáveis, sem qualquer razão de queixa de ninguém... Meus ricos lisboetas e minha rica Lisboa!
Em Lisboa já, e porque os maiores motivos da nossa viagem eram por consultas médicas, todos os bocadinhos livres que tínhamos, aproveitávamos para fazer alguma coisa que pudesse distrair-nos (principalmente à minha M.) do "pesado" motivo médico. Decidimos, portanto ir ao Jardim Zoológico. A contrariar o tempo ranhoso que se fazia sentir em S. Miguel e que nos fez vestir (e levar !!!) roupinhas mais quentes, sentimo-nos um pouco "aliens" no meio de pessoas vestidinhas à Verão, de sandálias e vestidinhos fresquinhos. Acidentes de percurso, portanto...
Foi uma tarde esplêndida! Perfeita! Ver os olhinhos da minha M. a brilhar de felicidade é o melhor cenário que os meus olhos alguma vez viram em toda a minha vida. Podermos ter uma tarde, apesar de cansativa, tão divertida e feliz foi das melhores coisas que aconteceram nesta viagem, pois foram esses momentos que nos fizeram esquecer do motivo que nos levou até lá... Sem dúvida que a presença da minha M. ajudou em muito neste sentido.
Ver o espetáculo dos golfinhos (em primeiríssimo lugar!), ver as girafas, os leões, os elefantes e as tão divertidas e engraçadas suricatas foram os momentos auge da nossa passagem pelo Jardim Zoológico e os que a minha M. mais gostou. Experimentamos o teleférico. Na minha família não abona o "à vontade" nas alturas e a minha M., mesmo que não lhe tenha sido incutido isso, desde pequenina que as "alturas" também não são paixão. Ainda só tinha passado 1 minuto desde que o teleférico tinha começado a andar e ela diz-me "Mãe, isto não é muito divertido!" e um pouco mais à frente ainda diz "Quando é que vamos sair daqui?". Nem preciso dizer que ela andou a viagem toda agarrada às grades sem mexer um milímetro. Só esteve bem porque estava comigo! À medida que a viagem ia acontecendo, tentei relativizar e apontar para os animais que íamos vendo para ela gostar da experiência. Penso que foi o que lhe fez gostar do resto da viagem, mesmo que tenha sido apenas "minimamente".
Ir a Lisboa com ela sem ir ao Jardim Zoológico não é a mesma coisa... :) Deixo aqui alguns registos deste nosso primeiro dia em Lisboa...
Como expliquei aqui, a minha ida para a Universidade, foi um tanto atribulada. A escolha pela Universidade Autónoma de Lisboa foi quase que instantânea. Perante 3 opções que tinha, mal pus os meus pés na UAL, senti que era ali que queria ficar nos próximos anos. Não sei o que foi, mas que senti uma empatia forte por aquele edifício lá isso senti. Na verdade, os primeiros tempos (adaptação) não foram fáceis para mim. Também não foram fáceis muitos outros momentos ao longo dos 4 anos de curso que tive naquela instituição. O pior momento que tive, depois da adaptação, foi o ter de aceitar perder uma cadeira injustamente (a única de todo o curso!). Ainda hoje digo que foi injusto. Mas, graças a Deus, superei esse problema e consegui fazer a cadeira no ano seguinte.
Bom, tristezas à parte, a UAL para mim foi uma revelação boa! Tirando o facto de que gostei dela logo no dia que pus lá os pés pela primeira vez, tive muitas outras alegrias lá dentro.
As condições de estudo eram maravilhosas. Havia uma sala de informática, à qual podíamos aceder à internet (na altura ainda era uma coisa rara nas casas particulares!), podíamos fazer trabalhos a computador (nem todos tinham computador em casa!) até às tantas da noite (acho que só fechava às 23h).
A Biblioteca também era muito boa, embora eu fosse "alérgica" a estar e permanecer por muito tempo lá (sempre gostei de me rir e falar à vontade e na biblioteca isso nunca é possível!).
O bar era magnífico. Tinha inclusive uma espécie de "jardim" interior, ao qual chamávamos "átrio". Era onde eram realizadas as provas dos caloiros e onde muitas vezes atuei em tuna. Em dias normais, o pessoal sentava-se lá e conversavam, riam-se, tiravam dúvidas com os colegas, liam,... A comida que eles serviam no bar/refeitório era deliciosa. Não me lembro de nenhuma refeição que eu não tivesse gostado.
O pessoal que lá trabalhava, em toda a universidade, era no mínimo espetacular e extremamente simpático. Recordo-me com muito carinho de um senhor que era lá contínuo (nunca soube o nome dele), que me fazia lembrar fisicamente do meu avô Manuel Jacinto, que tinha sido da agente da PIDE, mas que era de uma educação e delicadeza incrível (e eu sempre achei isso admirável!). Falava muitas vezes com ele...
Os funcionários da Secretaria eram prestáveis e super simpáticos. Tentavam ajudar o aluno ao máximo. Falo por mim que recorria muito à secretaria para ter os meus documentos de estudante açoriana assinados e carimbados para depois ter o desconto na viagem. Havia lá um Sr (Fernando Ferreira) que comigo foi sempre um encanto, desde o primeiro momento sempre me estendeu a mão quando eu precisava de alguma coisa da secretaria. Em contrapartida os meus pais sempre lhe enviavam um miminho de S. Miguel como forma de agradecimento por ele ajudar sempre a filha deles lá na universidade.
As pessoas da Reprografia, uma família de indianos, nunca tinham mãos a medir para a quantidade de pedidos que tinham (eram livros e livros para fotocopiar!), mas mesmo assim sempre foram simpáticos comigo.
Os professores que lá lecionavam eram, na sua maioria, do melhor que há. Óbvio que também existiam as "nódoas" e eu tive algumas, mas a maioria eram bastante acessíveis, mesmo alguns sendo escritores conhecidos da nossa sociedade. Sempre eram pessoas humildes e não andavam a vangloriar-se dos estudos que tinham ou dos livros que escreviam, como presenciei um professor da Universidade dos Açores fazer isso! Foi do piorio, uma falta de classe medonha!...
A maioria dos colegas era acessível. Comigo sempre foram impecáveis, tirando um ou outro mais esquisitinho, mas esquisitinhos existem em todo o lado, portanto, não é por aí. Tenho hoje bons amigos que foram meus colegas de turma ou só mesmo da universidade.
O pessoal da tuna, ou melhor das tunas, falo da minha e da masculina, foram sempre impecáveis comigo. Gozavam com a minha pronúnica, é certo, mas foram sempre muito meiguinhos comigo e tenho muitas e só boas recordações de todos eles.
Hoje é o dia que se entregam os diplomas na UAL. Só participei neste evento no dia que fui receber o meu, a 13 de Dezembro de 1999. Esse dia era feriado para o pessoal da Universidade. É nesse dia que vemos a maioria dos nossos professores vestidinhos com aquelas roupas esquisitas e chapéus super engraçados. Lembro-me que um dos chapéus é assim com bolinhas penduradas! Super engraçado. Aquelas roupas têm significados consoante o nível de ensino que cada um tem, eu é que não os sei de cor!
Para que conheçam a minha universidade, aqui fica o vídeo:
Nunca fui muito de marcar encontros com ninguém que tivesse conhecido online, mas confesso que já aconteceu... Algumas vezes fiquei satisfeita, outras nem tanto (mais valia ter ficado quietinha!)... De todos os "amigos" que conheci online, esta foi a história mais gira que me tivesse acontecido...
Tinha um trabalho da universidade para fazer e, como na altura, os computadores e net eram coisas que não existiam em todas as casas, a minha colega de quarto da altura disponibilizou-se para eu ir para a sala de informática da universidade dela (Instituto Superior de Agronomia), que ficava a 3 passos da nossa casa. Ela, muito prestativa, foi comigo e ficou comigo a noite toda, enquanto fiz o trabalho. Já estava à horas naquilo quando decidi aceder ao mIRC por um bocadinho para desanuviar. Para quem não sabe, mIRC era simplesmente uma sala de chat, onde falávamos com outras pessoas online. A dada altura vem uma pessoa falar comigo, com um nick que agora não me recordo e as conversas começavam todas mais ou menos assim:
- Olá.
- Olá! Dd teclas?
Ele responde que estava na Universidade de Arquitetura que, por acaso, é mesmo ao lado da Universidade onde eu estava. Achei gira a coincidência. Depois ele disse-me que não era de Lisboa e eu respondi que também não era. Disse-me que era dos Açores (nesse momento tinha já virado meu amigo!), de S. Miguel e da Fajã de Baixo. As nossas conversas era tipo:
- Sou dos Açores.
- Eu também. De qual ilha?
- S. Miguel. E tu?
- Eu também. De que zona?
- Da Fajã de Baixo. E tu?
- Eu também.
(...)
Resumindo... nessa mesma noite viemos a descobrir que além de todas as coincidências acima, as nossas mães eram professoras e conheciam-se desde os tempos do curso... É mais que natural que a nossa amizade tivesse surgido nesse dia e perdura até hoje. Ainda saímos juntos algumas vezes em Lisboa e cá também. Foi giro conhecê-lo! Tornou-se um dos meus melhores amigos na altura. Hoje apesar de não nos vermos tantas vezes como gostaria (e ele mora mesmo aqui ao lado!), lembro-me muitas vezes do meu amigo do mIRC que de virtual passou a real e é para mim um enorme prazer mantê-lo assim.
No passado dia 10 houve uma greve de taxistas... ora o que hei-de eu dizer dos taxistas de Lisboa?!
Na verdade tenho muito a dizer, até porque vivi lá 6 anos da minha vida... Precisei dos serviços deles muitas vezes e outras vezes cruzei-me com eles na estrada. Eu num carro e eles noutro.
Nos primeiros anos que ia para Lisboa, ao sair do aeroporto, tinha de estar na fila de espera do táxi à espera da minha vez... Muitas vezes chegavam muitos aviões ao mesmo tempo, o que fazia com que a nossa espera fosse enorme... Nesse tempo de espera eu só rezava por apanhar um táxi cheirozinho e com um Sr. Taxista não muito rafeirote, daqueles de palito na boca e com um ar lambido, os típicos Fogareiros... O meu primo sempre me dizia para nunca lhes dar a ideia de que eu não conhecia Lisboa para evitar ser enganada. Então mal entrava no táxi dizia que exatamente para onde queria ir com a informação de por onde queria que ele fosse para chegar lá. Assim fiz durante muitos anos... Acho que nunca fui enganada! Mas houve uma das vezes que senti algum medo... Cheguei por volta do meio-dia e entrei num táxi cujo Sr. Táxista tinha um ar engatatão... Começou a conversar comigo e, embora não lhe desse muita conversa, começou a perguntar se eu tinha namorado e tal... A dada altura, sem ele perceber, rodei um anel de ouro que tinha com uma pérola ao contrário, para imitar um anel de comprometida, desliguei o som do meu telemóvel e fingi estar a ligar para um suposto meu namorado que estaria em casa à minha espera a dizer que estava mesmo, mesmo a chegar... Mais vale prevenir do que remediar... Neste caso preveni-me!
Como condutora de um carro, cruzar-me com outros taxistas era pacífico, desde que não me metesse à frente deles, pois aí eles apitavam como loucos e mandavam vir... Nada simpáticos!
Além da situação que descrevi em cima, nunca mais tive nenhuma situação de medo, nem apanhei taxistas com muito mau aspeto como aquele que disse que "as leis são como as meninas virgens, são para ser violadas!!!". Eu espero sinceramente que ele não tenha nenhuma mulher, filha, neta, sobrinha em casa... Com um pensamento destes, se calhar não saem de casa virgens! Só me ocorre uma palavra: nojento! Não dá mesmo vontade de voltar a entrar num taxi...
Deixo aqui um vídeo com confrontos do dia da greve!... Não havia necessidade!...
Graças a Deus que nos Açores são pacíficos, pelo menos que eu saiba, embora não ande muito de táxi por cá!... E eu sou suspeita, pois o meu tio é taxista...
Enquanto estudei em Lisboa, a festa que eu mais gostava de participar era a Festa das Ilhas. Era uma festa que era realizada anualmente no ISA (Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa), bem pertinho onde eu morei nos meus 3 primeiros anos em Lisboa. Era, como o próprio nome indica, organizada pelos estudantes dos 2 arquipélagos portugueses: dos Açores e da Madeira. Portanto, havia um bar com bebidas e produtos açorianos (cerveja Especial, Kima de Maracujá, Laranjada, bolos lêvedos, queijadas da Vila, da Graciosa, e afins...) e outro com bebidas e produtos madeirenses (cerveja Coral, Brisa de Maracujá, Bolo do Caco, bananas, entre outros...). Todos os estudantes de Lisboa e arredores que fossem dos Açores e da Madeira (e que se prezassem e sentissem orgulho da sua origem) iam a essa festa e era lá que nos encontrávamos todos. Alguns continentais também iam, mas a maioria éramos nós, os ilhéus desterrados em continente português...
Ora, eu que no início tive alguma dificuldade em enturmar-me em Lisboa, aquela festa soou-me sempre bem, aliás muito bem... Normalmente eram mais de 2 mil estudantes que apareciam por lá e mesmo aqueles que só conhecíamos de vista, nessa noite até os cumprimentávamos e dizíamos "Estás por aqui? Há quanto tempo não te vejo!" e assim começávamos a conversa e a amizade! É que encontrar um açoriano em Lisboa naquela altura não era como é hoje. Fazíamos sempre uma festa! Era como que os Açores fossem do outro lado do mundo e nós andássemos para lá desterrados. Pelo menos era assim que me sentia... Tudo o que nos fazia lembrar da santa terrinha era maravilhoso... E, em Lisboa, só agora existem coisas dos Açores à venda. Na altura, havia "ananás dos Açores" à venda nas superfícies comerciais maiores, que não eram nada mais nada menos, do que abacaxis! Toca a enganar aqueles pobrinhos dos continentais!... Só lá no ano 2000 abriu lá uma lojeca pequenita, no Centro Comercial Vasco da Gama, chamada "Cantinho Açoriano" que vendia alguns bolos lêvedos e pouco mais... Quando vínhamos de férias aos Açores, um dos caixotes eram só encomendas: Licor de maracujá, tabaco, bolos levedos, Kima,... Hoje já há mais qualquer coisa (falei sobre isso aqui)...
Voltando à Festa das Ilhas, aquilo era realmente uma animação (pelo menos para mim), pois sentia-me verdadeiramente em casa. Passava a noite inteira a ouvir sotaque micaelense, e estava a 2 passos de pedir bolos levedos e beber a famosa Especial, mesmo que nem gostasse (nem goste!) muito do seu sabor!... Quando estamos longe, até aquilo que não gostamos, nos sabe bem!...
Reencontrei pessoas que tinha perdido com o tempo (algumas delas muito especiais pelos momentos que vivemos no passado) e tudo isso me fazia feliz. Não era pela festa em si, que só tinha 2 bares e um palcozito pequenino onde atuavam alguns grupos que nem prestava a atenção, era pelo ambiente, pelo espírito, pelo sabor bom que era "sentir-me em casa" sem mesmo estar em casa...
Acho que hoje já não se fazem, o que é uma verdadeira pena, principalmente para os estudantes que hoje residem em Lisboa... Fica aqui a dica para os estudantes açorianos de hoje que estão em Lisboa...
Já que estamos numa altura de início de aulas, vou escrever sobre as praxes que se fazem na Universidade Autónoma de Lisboa, que frequentei 6 anos da minha vida. Já vos contei algumas situações da minha entrada na UAL aqui, aqui e aqui. E, se leram com atenção, sabem que entrei mais tarde na Universidade, já depois da época das praxes. Ora bem... Óbvio que estava cheia de medo de ser praxada (ÓBVIO!), ouvia sempre histórias macabras, mas sempre tinha na cabeça a teoria de que, mesmo que fosse praxada, ao menos ninguém me conhecia naquela enorme cidade (pensava eu!), embora soubesse que ia ficar rotulada por causa da minha pronúncia e, caso fizesse figurinhas tristes, todos se iriam recordar que tinha sido a "açoriana"!... Infelizmente (ou felizmente pensava eu na altura!) não apanhei as praxes! Se calhar hoje teria boas recordações dessa altura...
Além de não ter sido praxada na Universidade (só o fui pela tuna!), também nunca assisti à época de praxes, pois ia para Lisboa sempre o mais tarde possível, exceto no meu último ano de universidade propriamente dita, o meu 4º ano. Fiz questão de ir mais cedo e, com uma amiga minha, a minha amiga-irmã Paula, acompanhei a época das praxes da UAL, só para ver como é que funcionava a coisa!... Foi exatamente nesse ano que me arrependi de nunca ter participado nas praxes da UAL! As praxes lá são (ou pelo menos eram na altura!) tão criativas, tão giras e tão originais que aconselho vivamente a todos os que queiram ir lá assistir (não sei se continua a mesma coisa, mas pronto, tentem!). Óbvio que existem aquelas cenas de pintar os caloiros e pedidos de danças estranhas e tal, mas não há cortes de cabelos ou abusos de trabalhos domésticos ou pedidos menos simpáticos como rebolar num pasto cheio de cóco de vaca, etc (como já ouvi que fazem cá na Universidade dos Açores).
A semana de recepção aos caloiros na UAL é uma semana super preenchida. Todos os dias há um evento especial, com direito a concurso e tudo, que os caloiros, depois de alguns ensaios, apresentam. - há o dia da "Chuva de Caloiros", onde eles, por cursos, fazem playback e dançam em cima de um palco;
- noutro dia é a "Gala dos Pequenos Caloiros", onde eles, também por cursos, mudam a letra de uma música conhecida para uma letra que eles inventam que normalmente fala do curso que escolheram;
- depois há outro dia que é a Mega Festa do Caloiro, que normalmente, ou é numa discoteca alugada para o efeito, ou mesmo lá na Universidade, onde as tunas tocam e todos dançam a noite inteira;
- há também o dia do Tribunal de Praxes, que é uma réplica a um tribunal de verdade e onde se aplicam castigos aos caloiros que se portaram mal ou que desobedeceram a alguma ordem recebida durante aquela semana (os castigos não são nada de especial!);
- além de todos os dias haver convívios no bar da universidade, onde os caloiros são os acompanhantes dos veteranos e quem lhes vai buscar a comida/bebida;
- e há o dia do Cortejo e Batismo dos Caloiros e esse é um dia que exige muito do fígado de cada um. Todos os caloiros divididos pelos vários cursos que existem, e os veteranos que os queiram acompanhar, saem da UAL em direção ao Rossio, onde acontece o Batismo, lá naquele chafariz que existe lá no centro, mesmo em frente ao Teatro D. Maria, mesmo ao lado da Ginginha. O caminho é feito com algumas paragens para os caloiros repetirem algumas frases e fazerem cânticos pelos cursos de cada um. Ao chegar ao Rossio, cada caloiro, junto com sua madrinha/padrinho aproxima-se do chafariz e é batizado por eles. Há madrinhas/padrinhos mais simpáticos que só molham a cabeça do caloiro e há aqueles que querem que o seu caloiro entre para o poço, por isso além da cabeça também molha as pernas. Depois disso, como todo o batismo que se preze, há a festa, que é feita ali mesmo ao lado, junto à ginginha, até que o fígado e estômago aguentem. Nesse dia, muitos acham mais prudente (e é mesmo melhor!), ir de táxi para casa.
Deixo aqui alguns vídeos para que possam ter uma ideia de como se fazem as praxes na UAL:
Exemplo de praxe de caloiros do curso de Gestão
Exemplo de um Tribunal de Praxe - este em 1994
Exemplo do concurso "Chuva de Caloiros" - este, do curso de Direito, ganhou o 1º lugar, em 2007
Já estava em S. Miguel quando me ligaram a dizer que tinha ficado colocada na UAL (Universidade Autónoma de Lisboa). Nesse momento senti um misto de sensações: por um lado fiquei feliz e aliviada, porque como recusei as outras 2 universidades a que me propus (para quem não leu a história está aqui), ao menos tinha corrido o risco e tinha corrido bem! Mas depois da felicidade inicial veio a pergunta "E agora?! O que faço agora?!"
Tinha plena consciência que tinha de partir para Lisboa, que tinha de deixar para trás os meus pais e irmão, com quem nunca soube viver sem. Lisboa, não era só uma cidade. Era a capital de Portugal. Era a grande metrópole do país. Já tinha ido lá de férias com os meus pais e irmão, quando tinha 10 anos e há uns meses quando fui fazer os exames de admissão, portanto tinha visto como era grande. Como é que eu ia ficar lá sozinha?! Não sabia...
Depois desse telefonema, tive de apressar tudo. As passagens, na altura, comprei-as (os meus pais, no caso!) na Agência de Viagens AVA, que já não existe. Era uma para mim sem regresso marcado e outra para o meu pai com regresso marcado dali a uma semana. A minha mãe pediu ajuda ao meu primo P. para ver se haviam quartos para alugar numa zona que fosse boa. O meu primo estava a estudar em Lisboa e foi 5 estrelas connosco e comigo enquanto estivemos lá juntos. Descobriu um apartamento de um Psiquiatra em Alcântara, muito próximo da universidade onde ele estudava (Instituto Superior de Agronomia). No apartamento viviam outras estudantes, de várias Universidades, mas na altura apenas uma estava na casa, a R., que também era açoriana. Teria de dividir o quarto com ela, pois além de ser mais barato, o resto da casa (mais 3 quartos) estava quase toda ocupada (exceto um deles, acho). Eu aceitei e os meus pais também...
Hora de preparar a mala para uma das viagens mais difíceis da minha vida...
Lembro-me desse dia como se fosse hoje! Depois de fazer o check in, ter de dizer adeus à minha mãe e ao meu irmão "até um dia que desse" não foi fácil... Sei que chorei muito... Lembro-me que o meu pai abraçou-me e levou-me até à segurança do aeroporto e sala de embarque sempre me dando muito apoio. Eu fui sempre a chorar... Lembro-me de estar em viagem no avião ainda a chorar. Eu não conseguia parar! :(
O meu pai ficou comigo uma semana... Fiquei a dormir com ele no Hotel AS Lisboa. Fomos tratar da matrícula e restantes papéis necessários, assim como fomos conhecer o tal apartamento onde ia morar. Ficava na Rua Luís de Camões, em Alcântara, entre um mini-mercado e um café. Mais abaixo havia uma frutaria e um cabeleireiro no outro lado da rua. No fim da rua ficava o quiosque onde mensalmente eu passei a comprar os passes para andar nos transportes públicos. Existiam também alguns restaurantes e bares. Aliás, ficava a 8 minutos (contados no relógio) a pé das docas de Santo Amaro.
Confesso que quando entrei no apartamento a primeira vez, simpatizei logo com ele, apesar de ser minúsculo. Tudo o que era quarto, o senhorio fez questão de arrendar, por isso eram 4 quartos de dormir, um deles mais pequeno que os restantes, uma cozinha (que devia ser uma dispensa e foi transformada em cozinha - imaginem a pequenez!!!) e um wc. Um dos quartos de dormir dava passagem para um terraço partilhado com a clínica do senhorio e onde os pacientes fumavam (era lá que lavávamos roupa à mão (!!!) - não tivemos máquina de lavar durante 1 ano inteiro - e estendíamos! Às vezes era um bocado assustador! O nosso quarto (meu e da R.) era logo à direita e era grande com uma pequena varanda para a rua principal.
Conheci a R. e os seus pais nesse dia. Pessoas simpáticas e acolhedoras. Não dormi nessa noite no apartamento, mas logo que instalei todas as minhas coisas no quarto, apesar do meu pai ainda estar em Lisboa, disse-me que era melhor eu ficar no apartamento para me ir ambientando. Eu apenas dormia lá, porque durante o dia ele levava-me à universidade e quando saia ficava com ele até à hora de ir dormir. Ele procurou saber o autocarro que eu devia utilizar para ir para a universidade, fez o percurso de autocarro comigo de casa para a universidade e de regresso a casa. Comprou-me alguns alimentos e outras coisas para eu ter em casa. Até que chegou o dia que o meu pai me deixou no apartamento e teve de partir. Esse foi outro dia que me lembro muito bem! Quando penso nele dá-me sempre um enorme aperto no coração e as lágrimas vêm-me aos olhos automaticamente. Despedimo-nos à porta do prédio. O meu pai não é de chorar, mas sei que ele chorou. Eu pedi-lhe tanto para não me deixar ali sozinha. E sei que ele não me queria deixar ali sozinha, mas não tinha outra solução melhor. Aquilo era o melhor para mim! Entrei no prédio lavada em lágrimas e sentei-me nas primeiras escadas que existiam e o único pensamento que tinha era "E agora?! Eu estou sozinha em Lisboa! Eu não quero estar aqui! Quero ir com o meu pai para a nossa casa! Esta não é a minha casa!..." Foi como se tivesse caído ali de pára-quedas... Chorei tanto, tanto ali naquelas escadas sempre à espera que o meu pai se arrependesse e viesse buscar-me. Ele não veio... Eu limpei as lágrimas e subi as escadas. Quando abri a porta estava a R. e os pais, na mesinha minúscula que tínhamos para comer, e perguntaram-me se estava tudo bem. Eu, novamente lavada em lágrimas, respondi que não e fui para o quarto chorar... Pedi-lhes para me deixarem sozinha. Tinha de assimilar aquela ideia, que tinha de ficar ali sozinha. Acho que nesse dia adormeci a chorar... Não me lembro de conseguir parar...
Iniciaram-se os festejos dos santos mais gaiteiros e populares de Portugal: Santo António (13 de junho), S. João (24 de junho) e S. Pedro (28 de junho)...
Este Santo de hoje sempre fez parte da minha vida, por ter vivido na freguesia com o mesmo nome. Sempre me lembro de vê-lo lá no altar da igreja onde realizei todo o meu percurso católico desde o batismo ao crisma. Por isso, sempre tive por ele um carinho mais especial. Era com Ele que eu falava e pedia as minhas coisinhas de criança, que já nem me lembro bem o que era... Lembro-me de ter uma altura em que participava na missa. Durante a semana também ia à missa para fazer a leitura (é verdade!). Não lia ao domingo porque a igreja, apesar de ser enorme e da freguesia ser pequenina, as pessoas aderiam muito e a igreja ficava lotada de gente e eu tinha vergonha de ler para tanta gente. Sempre fui assim um pouco tímida para essas coisas...
Depois de sair de Santo António, trouxe comigo o carinho por este santo e que perdura até hoje. Quis Deus que eu ficasse a estudar exatamente no coração de Lisboa, cidade cujo padroeiro é também o Santo António e lá a festa é rija (mesmoooo!). Infelizmente durante os 4 anos de curso o mês de junho era mês de frequências e, quem me conheceu nessa altura sabe que eu hibernava completamente em fevereiro, junho e julho (épocas de frequências e exames!). Se o ano todo podia faltar às aulas (sem problemas de consciência), exceto quando se tratavam de fazer trabalhos anuais ou algo semelhante, nesses 3 meses do ano eu só saia de casa para ir fazer as frequências e exames. Nem para um cafézinho com amigos eu ia, pois nunca seriam 5 minutos e todos os minutos contavam para mim. Foi a opção que tomei e até à data acho que fiz a coisa certa. Portanto, durante esses 4 anos de curso nunca participei na noite de Santo António. Depois desses 4 anos de curso ainda fiquei por lá mais 2 anos (que fazia parte do estágio e já não haviam frequências para fazer!) e aí sim pude experienciar o quanto divertido é festejar o Santo António em Lisboa. As marchas são lindíssimas, o cheiro a sardinhas pelas ruelas, uma multidão que só se quer divertir e está com boas energias, o cheiro a manjericos nas barracas das vendedoras, as ruas enfeitadas com fitas e balões coloridos, a música pelas ruas que vão dar ao Castelo de S. Jorge, a sardinha grelhada em cima da fatia de pão e poder comê-la com a mão. Há zonas, inclusive que só se passa em fila indiana porque é tanta gente que não se consegue de outra forma... Ninguém se chateia, toda a gente sorri, está feliz... Tudo isto durante uma noite inteira.... É simplesmente mágico e único... É tão especial para mim que depois de regressar aos Açores ainda voltei lá umas 2 ou 3 vezes nesta altura para poder reviver e festejar o Santo António como deve ser e só em Lisboa é que isso se consegue de verdade! :)
Conheci-a através de um primo do Canadá, o J., que a ofereceu a uma prima pelo último Natal. É uma areia, chamada "cinética". É uma areia que respira movimento. É fácil de moldar e pode ganhar qualquer forma. Brincar com a areia cinética é uma experiência mágica e hipnotizante e traz momentos de relaxamento quer dos mais novos quer dos mais velhos. É uma areia que não suja as mãos e vai deslizando por entre os dedos de uma forma tão suave que nenhuma outra areia é igual. Tem 98% de areia pura como base. Quando a M. mexeu na areia da prima D. no início achou estranho, mas depois de nos ver mexer sem problemas, também quis mexer e adorou. Vai daí, andei à procura dela na net e finalmente encontrei a loja online, que por acaso fica em Lisboa (mesmo pertinho do sítio onde morei 2 anos). Já paguei e o meu irmão amanhã irá levantá-la. Acho que a M. vai adorar. Além disso, vai ajudá-la a desenvolver a sua capacidade motora. Nos dias de mau tempo, já teremos uma "praia" em casa.
Vejam lá se não dá vontade de mexer na areia, aqui!
E pronto, lá foram eles!... Foram, mas voltam (Deus queira!)...
O meu irmão faz, neste momento uma vez por ano, exames médicos de rotina. Hoje ele e a minha mãe partiram para Lisboa para depois seguirem para Coimbra, onde, mais uma vez, o meu irmão faz um TAC aos pulmões e a consulta com o Prof. Dr. José Casanova (médico e homem de excelência!), que o operou em 2008. Foram tempos difíceis, mas que superamos com muita fé, amor e união.
Mas, sempre que ele parte para os exames de rotina, o meu coração fica apertadinho, mas sempre com confiança e fé de que me vai enviar mensagem a dizer "Continua tudo bem..."
Morei 6 anos em Lisboa. Estudei numa universidade bem no centro da capital portuguesa. Adoro Lisboa. Adoro. Mesmo.
Lembro-me que um dia uns amigos perguntaram-me se queria ir a uma discoteca ver um concerto de uma banda alemã. A discoteca era bem pertinho da minha (primeira) casa de Lisboa (morei 3 anos na zona de Alcântara, imaginem!). A discoteca, se não me falha a memória, chamava-se Garage e era pequenina (tipo do tamanho do Populo's, cá da ilha - em Lisboa é pequenina, cá na ilha é que é grande!)... Perante o convite, aceitei ir, mas, sinceramente, não foi uma coisa que me deixasse assim super ansiosa ou que queria mesmo muito ir, mas lá fui eu ver a tal banda alemã que nem sabia o nome e nem era assim muito conhecida (devia ser 1997, se não estou em erro!)...
A discoteca estava cheia (a abarrotar mesmo, porque era mesmo pequenina). Era num primeiro andar de um edifício que ficava ali num cruzamento meio complicado de Alcântara, um que dá para o Aqueduto das Águas Livres. Nessa noite, havia um alto astral na discoteca muito bom... A banda entrou e começou a tocar e as músicas soaram-me bem e eram cantadas por uma mulher cheia de garra e energia (mesmo!!!). Digo simplesmente que adorei, tanto adorei que, durante o tempo em que estive em Lisboa, todas as vezes que foram tocar lá, eu fui ver... Acho que os vi umas 6 vezes, se não me falha a memória.
Apesar do público que os assiste ser assim um tanto ou quanto louco, pois é só moches e encontrões (não aprecio, por isso nem me meto lá!), eu mantenho-me na retaguarda que é uma zona mais calma e me dá liberdade suficiente para gastar as minhas energias (nunca chego a ter tanta como os que ficam lá à frente!)...
Pensava que a banda se tinha extinguido, pois nunca mais ouvi falar deles, mas soube que, em Agosto, vêm ao Festival Monte Verde, na Ribeira Grande, e eu estou verdadeiramente tentada a ir. Quero ver se a "Sra. Guano Ape" ainda tem o mesmo vigor de há 20 anos atrás... (eu acho que já não tenho! Mas isso é outra história...)
Ia eu, muito
bem, com a minha filhota a bordo de um avião rumo a Lisboa quando, sinto um
súbito calor húmido nas minhas pernas! Ai que treta disse eu ao mesmo tempo que
levantava a miúda e tocava-lhe no rabinho a ver se era dali o chichi e nada...
Não sei realmente por onde saiu o chichi...
Levantámo-nos
as duas em direção ao wc do avião com esperança que lá existisse as maquinetas
de ar de secar mãos pelo menos!... Vai daí cruzámo-nos com a assistente que nos
disse não existir... A minha cara de pânico sabendo que ainda faltava
metade do tempo para chegar ao destino... Fomos, na mesma, ao wc!
Lá dentro,
quase que não nos mexíamos, tal é a "grandeza" da coisa... Por
momento vi a minha vidinha andar para trás porque não estava a ver onde poderia
mudar a fralda da princesa até que algo caiu exatamente por cima da sanita,
depois da minha filha andar a experimentar os botões todos! Sim, foi ela que
descobriu o tampo que seria o fraldário! Menos mal!
Lá estive a
mudar-lhe a fralda enquanto ela tentava chegar a mais coisas para investigar o
que eram o que dificultava em muito a minha tarefa de mãe e, quando terminei,
estive a lavar a minha camisa enquanto ela já tinha investigado tudo e só
faltava a porta!!! Depois tentei secar ao máximo a minha camisa e o niquinho
molhado que ficou nas calças dela (ainda hoje não percebo por onde saiu tanto
chichi que me molhou quase toda... tinha literalmente o equivalente a uma bola
de basquete na minha camisa e ela um niquinho muito pequenino, tipo bola de
ténis!)...
Viajar com
bebés é bom, mas prega-nos partidas! :)