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sábado, 10 de junho de 2017

Ser português é isto...

Hoje é dia de Portugal e de nos orgulharmos de sermos portugueses, o que é, para a maioria uma grande dificuldade: orgulharmo-nos de sermos Portugueses e do que temos de qualidade no nosso país. 
Bem sei que muitos de nós (se não todos!) achamos que somos um país governando por incompetentes e por pessoas que só pensam no seu em vez de pensarem pelo melhor para a nação e é muito verdade, mas não quero entrar por aí, primeiro porque não dou mesmo importância a isso, embora isso possa mesmo mexer com a minha algibeira, e segundo porque quero falar no dia de hoje sobre o que acho que é "ser-se português", como vejo o típico português...

O português vive da saudade. Isto torna-o um povo triste por natureza... Sente saudades de tudo e de todos. Saudade do passado e de reclamar o presente, mesmo sabendo que no futuro vão sentir saudades deste presente...
O português orgulha-se do seu passado como nenhum outro povo (pudera! Nós fomos mesmo muito aventureiros!) e não acredita nas suas potencialidades do presente, até ganharem! Pensamos pequenino! Achamos que não somos suficientemente bons e capazes de chegar mais longe!
Nos concertos o português é o último a dar um pé de dança, mas se for algo "heavy metal" já se veste de preto e é um grande maluco.
O português também gosta de folclore e de assistir àqueles programas de reality shows e das Tardes da Júlia ou das Tardes de Domingo a ver pimbalhada da grossa, mas fala mal desse tipo de programas e diz que não vê... Nas festas populares não querem ouvir outro tipo de música, se não a pimba, a popular, pois se for diferente não faz sentido!
Ser português é ir de cooler para a praia e levar tudo consigo: a família toda (incluindo a 5ª geração da linhagem), a comida, as bebidas e, depois da praia pegam no seu camiãozinho pequenino forrado de mantas,põem a família toda na caixa e vão para algum sítio fazer um churrasco. Depois da comilança, estendem-se no chão em cima das mantas e dormem o soninho "dos bebés"...
O português não sabe falar se não for alto e todos ao mesmo tempo, mas acanha-se se tiver de reclamar por algo, porque "oh, coitadinho..." (este fator tem sido bastante aperfeiçoado nos últimos tempos!)... Se estiver sozinho é um fala barato e arma-se em durão, mas confrontado com a situação fica mais pequenino que uma formiga e é capaz de passar a ser o melhor amigo.
Ser português é falar mal do que é nosso e não sentir orgulho de termos um melhor do mundo com já não sei quantas botas de ouro (Cristiano Ronaldo), uma equipa melhor da Europa (Seleção Portuguesa de Futebol) e agora um melhor da Europa (Salvador Sobral)!
Ser português é defender Portugal e valorizar o que temos com unhas e dentes, mas só apenas quando está fora do país. Cá dentro é perito em falar mal!
Ser português é apoiar uma equipa de outro país quando joga contra o Benfica para uma Liga dos Campeões, porque ser do FCP é maior que a Europa!
Ser português é ter paciência de esperar nas filas do check in, das Finanças ou da Segurança Social... É achar que o governo é que tem a responsabilidade de "sustentar" os nossos filhos, as nossas casas, as nossas vidas... e se não o fazem estão a "roubar"!
Ser português é poder andar na maior parte das nossas ruas a qualquer hora do dia ou da noite sem medo, é conhecer o vizinho e dizer "bom dia" ao pessoal do bairro.
Ser português é deixar algo fiado, mas voltar para pagar a sua despesa, mesmo que seja apenas 2 cêntimos.
Ser português é gostar de beber vinho português às refeições. Apreciar o Vinho do Porto, o da Madeira e o de Cheiro. É gostar de queijo e presunto, de mariscadas e petiscadas, de um bom churrasco em convívio com os amigos, de uma boa jantarada com o prato bem cheio.
Ser português é ter barriguinha de cerveja e adotar as modas que implicam ter menos trabalho com o corpo (a moda das barbas e bigodes por exemplo! Espero que não apareça a moda das mulheres por depilar!).
Ser português é não pintar o cabelo (os homens!) e ficar charmoso com a idade. Ser português é ser macho, grande garanhão, mas se for mulher já é "Maria vai com todos". Ser português é ter mentalidade retrógrada na maior parte das vezes. É não aceitar (ou não gostar!) que uma mulher ganhe mais ou que tenha um melhor estatuto que um homem. Ser português ainda é ver a mulher como o "sexo fraco" e ter de reservar lugares nas listas políticas para colocar mulheres para ninguém dizer que são só homens!
Ser português é gostar de ter a sua própria quinta (e tê-la se houver possibilidade disso!) e tratar dela com muito carinho, quer faça sol ou chuva.
Ser português é saber emigrar por necessidade e adaptar-se à nova cultura, à nova língua com facilidade e rapidez. É deixar referência em qualquer sítio que passe por ser o melhor trabalhador, o mais bem disposto, o mais honesto, o mais simpático. É amar o seu país e mostrar esse amor, mas no país de receção. É passar a vir de 5 em 5 anos à terrinha e fazer questão de mostrar a sua riqueza seja em carros, jóias, roupas, maquilhagem,...
Ser português é, perante uma fatalidade, nunca desistir, nunca deixar de sorrir, mesmo com lágrimas...

Este estatuto de "ser português" não é transversal a todos, como é óbvio. Somos todos diferentes e o "ser português" tem vindo a sofrer alterações ao longo dos tempos. Além de que existe o "ser português" no continente e o "ser português das ilhas". São diferente e dependem do ambiente envolvente onde estão. Este texto foi feito de acordo com a recolha do meu senso comum sobre a maioria daquilo que eu assisto de fora.

Eu sou portuguesa. Tenho muito orgulho do meu país e das qualidades que ele tem. Não o conheço todo, mas já estive mais longe... Há coisas que não gosto neste espírito e maneira de ser-se português, mas há outras que admiro profundamente. Somos um povo que não baixa os braços e não se deixa abater por nada!... O espírito daqueles que saíram de barquinho pela imensidão do mar fora sem saber se voltavam em busca do desconhecido ainda está em nós, ainda que meio adormecido, por vezes...

A propósito do tema, quero deixar aqui um link de um texto digno de ser lido - este - (porque está mesmo, mesmo muito bom!) de um blogger que acompanho quase diariamente e que partilho muito das suas ideias e opiniões, além de me fazer rir muitoooooooooooooo...


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nós somos muito desenrascados!

Nós portugueses sempre tivemos o hábito de nos desenrascarmos em país alheio. Foram os aventureiros mar fora sem saber o que iam encontrar e entraram em terras completamente desconhecidas, com outros costumes, outras línguas, outras cores de pele. O português foi destemido e avançou. Quis sempre mais. 
Mais tarde, muitos dos nossos portugueses emigraram para outros países em busca de uma vida melhor e aí aprenderam a falar outras línguas, outros costumes, alguns até vingaram bastante bem nos países escolhidos. Hoje há portugueses por todo o lado. Foi por isso que a vitória de Portugal no Euro 2016 foi festejada em todos os cantinhos do mundo. Nós estamos espalhados por todo o mundo mesmo.
Eu, pessoalmente, quando visito outros países gosto de "adotar" os costumes, as vivências, gosto de comer as comidas da origem, gosto de me "sentir como se fosse um deles". É essa a piada que vejo nas viagens que faço. Se vou a Espanha, não escapam as Tapas; se vou à Terceira, não escapa a alcatra; se vou à Madeira, marcha sempre a bela espetada com o delicioso bolo do caco; se vou ao Brasil, minha rica água de côco;... Costumo dizer sempre ao meu primo da América, que me quer levar a restaurantes portugueses (!!!) "no dia que te visitar quero comer fast food e ir ao Dukin' Donuts, ao Starbucks (além das lojas famosas daqueles malls, claro!)". Comida portuguesa como em Portugal! :) 
Esta conversa toda para dizer que amanhã chega cá, o único membro da família do meu namorido que eu ainda não conheço pessoalmente. Estou empolgada! Quer dizer, falamos pelo facebook e pelo Natal já chegamos a trocar fotos em jeito de "Feliz Natal". Parece ser uma pessoa bastante simpática. Vem com os seus 2 filhos e a esposa. Nenhum deles fala português. Ele sim, parece que fala. Vai ser bonito vê-los a comunicar connosco. Nem todos falam inglês. Há até quem não perceba mesmo nada. Mas português que é português faz-se perceber até na China, digo eu!... Uma aventura para mais tarde contar... ;)



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Camões na minha vida... desde 1992

A primeira vez que lidei com Camões (o poeta mesmo) foi no meu 9º Ano de escolaridade. Os Lusíadas era uma obra que tínhamos que estudar. Ora, digamos que miúdos de 13/14 anos a estudar Camões e Os Lusíadas, óbvio que não ia dar bom resultado. Mas se calhar sou a única a ver isso, talvez porque o senti na pele. Eu simplesmente detestei! As aulas de Português eram um autêntico tédio para mim (que sempre adorei a disciplina)... Ainda consigo imaginar-me sentada à frente do professor (que por acaso era um padre com voz monocórdica e ar autoritário para tornar a situação ainda mais dramática) e dele ler alguns excertos e depois pedir-nos para lermos nós algumas estâncias... Digo-vos, eu não conseguia sequer perceber metade do que estava lá escrito, mas lá me fui desenrascando, graças aos resumos dos livros "amarelinhos", que me ajudaram a ter uma noção do que se tratava e até achei a história ligeiramente interessante. Quando terminamos de estudar Os Lusíadas pensava que nunca mais tinha de lhe colocar a vista em cima, mas estava enganada...

Não me lembro de ter estudado Camões no secundário. Se estudei não foi traumatizante. Se calhar estudei a parte lírica de Camões que é bem mais soft que Os Lusíadas...

Em 1996, fui viver para Lisboa, curiosamente para a Rua Luís de Camões, onde permaneci durante 3 anos, e inscrevi-me na Universidade Autónoma de Lisboa "Luís de Camões"! Conseguem encontrar semelhanças?! Ao longo do curso fui-me aproximando cada vez mais do Português e da Língua Portuguesa, afinal de contas, se algum dia concorresse para dar aulas nunca poderia leccionar 2 línguas ao mesmo tempo, até porque são grupos diferentes: ou seria professora de Português ou professora de Inglês. E foi por causa deste fator (e também pelos péssimos professores de Inglês que tive na Universidade a partir do 2º ano) que decidi engrenar pela área do Português. Assim, a partir de certa altura, as cadeiras opcionais que escolhia eram todas viradas para o Português. No 4º Ano não havia muita escolha: ou era uma cadeira da vertente inglês (que já não me recordo qual era!) ou era a cadeira chamada Estudos Camonianos (!!!) e, perante este cenário quase que tive um ataque cardíaco com a ideia da possibilidade de ter que levar com Camões um ano letivo completo. O professor da cadeira era o reitor da Universidade da altura, o Prof. Justino Mendes de Almeida, um grande senhor e professor (só tenho boas recordações dele!) e, na sua simplicidade, na sua forma de falar de Camões, no "amor" que demonstrava ter por toda a obra deixada por Luís de Camões, conseguiu fazer-me gostar de Camões e d'Os Lusíadas, como mais nenhum outro professor. Já li Os Lusíadas algumas vezes e já dei explicações e aulas sobre esta obra. Espero ter conseguido fazer com que os meus alunos/explicandos não sentissem aversão a Camões como eu própria senti da primeira vez que tive de estudá-lo.