Leonard Cohen setembro 1934 - novembro 2016
My baby M., a educação dela, viagens que faço ou gostaria de fazer, decoração, artesanato, a ilha onde vivo...!
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Adeus a uma voz misteriosa...
Deviam todos os homens ser assim caidinhos por nós, não acham meninas?!
sábado, 1 de outubro de 2016
Já se passou um mês...
Hoje, que passou já 1 mês, quero voltar a falar sobre a minha avó Maria dos Anjos... Hoje, especialmente, lembro-me dela...
Já tive oportunidade de dizer aqui que a minha avó não teve uma vida fácil... A vida pregou-lhe partidas muito fortes que não é qualquer pessoa que aguenta/supera e sempre com um sorriso radiante no rosto. De todas elas, acho que a partida que a deixou de rastos foi perder a filha Dídia, de 5 anos e meio, atropelada por um camião (?!) em frente à sua casa onde brincava no passeio, na freguesia de Santo António Nordestinho (que tinha mais ou menos 300 pessoas), algures em 1968... Digamos que nessa altura não havia o trânsito que há hoje e, muito menos os camiões passavam com frequência (digo eu!)... Parece surreal, mas não é...
Já tive oportunidade de dizer aqui que a minha avó não teve uma vida fácil... A vida pregou-lhe partidas muito fortes que não é qualquer pessoa que aguenta/supera e sempre com um sorriso radiante no rosto. De todas elas, acho que a partida que a deixou de rastos foi perder a filha Dídia, de 5 anos e meio, atropelada por um camião (?!) em frente à sua casa onde brincava no passeio, na freguesia de Santo António Nordestinho (que tinha mais ou menos 300 pessoas), algures em 1968... Digamos que nessa altura não havia o trânsito que há hoje e, muito menos os camiões passavam com frequência (digo eu!)... Parece surreal, mas não é...
Não consigo sequer imaginar o quanto a minha avó deve ter sofrido nesse dia e a partir daí, com a imagem e a realidade da sua filha querida morta. Dizia-me ela que a minha tia Dídia era tão, mas tão linda que não havia comparação, aliás todos aqueles que a conheceram dizem sempre que tinha carinha de anjo (se calhar era um anjinho mesmo!)! Que todas as pessoas que a viam admiravam-se com a beleza dela, com as bochechas, com a boquinha perfeitinha, com os cabelos de oiro e com as pernocas gordinhas e com o seu jeitinho meigo de ser... Gostava de a ter conhecido... mesmoooo...
A minha avó nunca deixou de falar dela... Nunca deixou de chorar por ela... Mesmo no fim da sua vida, na sua mesinha de cabeceira lá do lar, ela tinha apenas 2 fotografias: a da minha filha, que lhe tinha oferecido pelo último Natal, e a da filha dela, de perninhas de fora, com o cabelo em canudos, numa das sessões fotográficas que fez.
O facto é que, por a minha avó nunca ter deixado de falar da sua filha, por manter desde sempre a foto dela na sala, vestida de Menino Jesus de Praga (parecia mesmo uma bonequinha, um anjinho!), sempre tive imensa curiosidade de conhecê-la, de estar com ela. Em memória da filha, os meus avós construíram um jazigo, onde está a mesma foto, em azulejo, da minha tia Dídia. É lá que estão as minhas tias (as 2 filhas dos meus avós), os pais da minha avó, o meu avô, um irmão do meu avô e agora a minha avó.
É exatamente assim que se eterniza os nossos entes queridos: nunca deixando de falar deles... Ainda hoje falo com a M. sobre a avó Maria dos Anjos. Quase todas as noites falamos dela... Digo-lhe que sempre que ela vir estrelinhas e elas estiverem a piscar, é a avó Maria dos Anjos a mandar-lhe beijinhos... Comprei-lhe um caçador de sonhos e digo-lhe que a avó Maria dos Anjos vem pela estrelinha que lá está para a proteger dos sonhos maus e assim ela só terá sonhos bons! :)
O facto é que, por a minha avó nunca ter deixado de falar da sua filha, por manter desde sempre a foto dela na sala, vestida de Menino Jesus de Praga (parecia mesmo uma bonequinha, um anjinho!), sempre tive imensa curiosidade de conhecê-la, de estar com ela. Em memória da filha, os meus avós construíram um jazigo, onde está a mesma foto, em azulejo, da minha tia Dídia. É lá que estão as minhas tias (as 2 filhas dos meus avós), os pais da minha avó, o meu avô, um irmão do meu avô e agora a minha avó.
É exatamente assim que se eterniza os nossos entes queridos: nunca deixando de falar deles... Ainda hoje falo com a M. sobre a avó Maria dos Anjos. Quase todas as noites falamos dela... Digo-lhe que sempre que ela vir estrelinhas e elas estiverem a piscar, é a avó Maria dos Anjos a mandar-lhe beijinhos... Comprei-lhe um caçador de sonhos e digo-lhe que a avó Maria dos Anjos vem pela estrelinha que lá está para a proteger dos sonhos maus e assim ela só terá sonhos bons! :)
Foto tirada em 2015 à porta do jazigo dos meus avós, onde tem a menina deles, a minha tia Dídia, desenhada em azulejo.
A fotografia da minha tia Dídia que acompanhou sempre a minha avó...
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
As nossas visitas ao Lar...
Já disse aqui que tenho consciência que poderia ter ido visitar a minha avó mais vezes ao Lar do que as vezes que fui...
A minha M., depois de alguns meses de vida, começou a acompanhar-me ao lar para visitar a avó Maria dos Anjos. Ela nunca gostou de lá ir. Acho que ficava com medo dos velhinhos que estavam acamados e a gemer. Ela dizia que a "avó tinha doi dóis na peninha e nas mãozinhas" e, como por milagre, aceitava ir ver a avó velhinha sempre. Ela foi a única bisneta que a minha avó conheceu.
Que me lembre, a minha avó nunca gostou de ser "avó"! E muito menos gostou de ser "bisavó"! Ela sempre adorou os netos todos e a bisneta então, ela vibrava a olhar para ela. Eram os termos "avó" e "bisavó" que a assustava. Significava que ela era já velhinha e ela nunca quis ser velhinha (nem nunca o admitiu!). Ela, inclusive, dizia que não gostava de estar no Lar, porque estava cheio de velhinhos, como se ela fosse a pessoa mais jovem na face da terra.
À parte disso, sei que a minha avó gostava de mim... que adorava a minha filha... que nos últimos 2 anos e meio a minha M. era "a sua menina", a alegria dela, era quem a fazia sorrir. Dizia repenicado "querida, querida, querida" (sempre por 3 vezes seguidas!). A M. chegava, dáva-lhe um beijinho e depois era um tal tagarelar com ela. Mexia nas 2 únicas fotografias que estavam na mesinha de cabeceira da avó (a dela e a da tia Dídia!). Dizia quem eram. Sorria. A avó chorava de rir quando a ouvia cantar e quando ela fingia que lhe pintava as unhas com a chave do carro. A minha avó exibia toda orgulhosa a bisneta para toda a gente que passasse lá perto de nós. Ela não queria ser "avó" ou "bisavó", mas ela queria-nos muito bem... Disso tenho a plena certeza!
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saudade
Local:
Ponta Delgada, Portugal
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Onde está a avó Maria dos Anjos?!
No dia que a minha avó Maria dos Anjos faleceu, tínhamos viagem marcada para ir para a ilha Terceira ao casamento dos meus primos Bruna e André, no qual a M. ia ser a menina dos anéis. Desde que recebemos o convite para ela ser a menina dos anéis, que andei a "treiná-la" para que tudo corresse bem. Ela sabia que ia levar uma coroa de flores na cabeça, que ia vestir um vestido lindo da festa, que ia calçar sapatinhos com brilhantes e que para chegar ao casamento teria que ir de avião. Andou alí durante uns 2 dias sempre a dizer que ia no "avião da SATA para a Teceira"... Estava empolgadíssima... Ajudou-me a fazer a mala, escolheu os brinquedos que queria levar, viu no Spotazores a praia para onde ia,...
Antes de irmos para o aeroporto, parámos no hospital para falar com a médica da minha avó e saber mais pormenores do estado de saúde dela. Como as notícias não eram as melhores, naquele mesmo momento, desistimos todos de viajar... Então, disse à M. que já não íamos andar de avião, porque o avião tinha avariado (nada que fosse impossível de acontecer!) e que, por isso já não conseguíamos ir levar os anéis do casamento. Ela, embora tivesse ficado triste, compreendeu de imediato. Mas, logo que combinei com uns amigos meus de Santo António (sempre ela ficava mais pertinho de mim!) que aceitaram ficar com ela, disse-lhe que ela ia brincar com a I. e com a S., que ia para a casa delas e que tinha de se portar bem. Ela delirou com a ideia.
Meia hora depois a minha avó faleceu...
A M. sabia que a avó Maria dos Anjos estava doente no hospital (faço questão de deixá-la a par de tudo o que se passa na nossa vida). Disse-lhe que a avó Maria dos Anjos ia morar com o Jesus lá no céu. Disse-lhe que ela só podia voltar a ver a avó quando olhasse para o céu, à noite. Que a estrelinha mais brilhante seria a avó a mandar-lhe beijinhos... Deu-me o sorriso mais lindo do mundo, repetiu a história e ofereceu-me um abraço apertadinho... Esta filha é o máximo!
Local:
Ponta Delgada, Portugal
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Esta era a minha avó Maria dos Anjos... Parte II
Passados 15 dias da morte da minha avó, decidi falar-vos novamente sobre ela...
A minha avó não tinha um feitio fácil... nunca teve... Era verdadeiramente complicado lidar com ela. Nem todas as pessoas estavam dispostas a ouvir certas coisas que ela dizia. Por mais que às vezes ficasse triste ou chateada com ela pelo que dizia e pelas atitudes que tinha, ela era a minha avó e com ela vivi aos primeiros 15 anos da minha vida. Apesar de tudo, eu sempre gostei muito, muito dela, e tenho muitas e boas recordações dela.
A estadia dela no Lar foi fruto de uma série de situações que ela própria causou. Sempre que adoecia, quem tomava conta dela era a minha tia, que infelizmente partiu subitamente em 2010. Nem sempre a minha avó foi merecedora da dedicação e dos cuidados da minha tia. Em 2008, com a minha mãe fora com o meu irmão pelo grande susto que tivemos, a minha avó vivia sozinha no seu apartamento. O meu pai arranjou quem lhe fosse deixar comida todos os dias e quem lhe fosse ajudar no banho. Não foi nem uma nem duas vezes que fomos encontrá-la caída no chão. Uma das vezes fui eu que fui ajudá-la pois o meu pai estava ausente da ilha. Tinha tentado tomar banho sozinha e caiu na casa de banho e lá ficou, provavelmente por 24h. Ela já não dizia coisa com coisa e estava completamente gelada e eu, perante aquele cenário, pensei que ela não fosse sobreviver... Ela sobreviveu e não tivemos outra alternativa que não fosse o Lar... Ela nunca gostou de estar no Lar e, teimosa como era, nunca fez nada por gostar, por se enturmar, por colaborar para a boa estadia dela lá. Contavam-se pelos dedos os amigos dela do Lar e mesmo esses iam partindo com o tempo, até que ela ficou sozinha, sem amigos, sempre olhando o vazio...
Tenho consciência que poderia ter ido visitá-la mais vezes. Não é fácil estar no Lar, principalmente, se não fazemos nada para nos sentirmos vivos (como ela nunca fez!). Nestes 8 anos que ela lá esteve o meu pai foi o filho, o herói, o pai, o amigo, o companheiro. Ele estava com ela, nem que fosse 15 minutos, praticamente todos os dias. Mesmo sem ela o merecer muitas vezes, o meu pai nunca abandonou a sua mãe. Ele ficou do lado dela até o último dia. Durante estes últimos 8 anos, o meu pai foi, para mim, uma enorme inspiração. Quem dera todos os pais/mães terem filhos como o meu pai é/foi!...
Agora sei que os últimos anos de vida da minha avó foram vividos como que ela própria a reconciliar-se com a sua própria vida. Ela já não era a pessoa que foi. Ela estava diferente, calma, serena e assim permaneceu até durante a morte. Já só queria ouvir a sua bisneta a sorrir e a andar pelos corredores a cantarolar. Há apenas uma coisa que ela nunca perdeu até ao fim: o seu sorriso. Às vezes, ela chorava de tanto rir. Ela tinha um sorriso gigante e é este que vou guardar na minha memória para sempre. Pelo tanto que ela sofreu, acredito que os seus pecados foram perdoados e que ela está lá no céu, junto do seu marido, filhas, irmão e pais, os entes que ela tinha perdido e que mais amou durante toda a sua vida...
A minha avó não tinha um feitio fácil... nunca teve... Era verdadeiramente complicado lidar com ela. Nem todas as pessoas estavam dispostas a ouvir certas coisas que ela dizia. Por mais que às vezes ficasse triste ou chateada com ela pelo que dizia e pelas atitudes que tinha, ela era a minha avó e com ela vivi aos primeiros 15 anos da minha vida. Apesar de tudo, eu sempre gostei muito, muito dela, e tenho muitas e boas recordações dela.
A estadia dela no Lar foi fruto de uma série de situações que ela própria causou. Sempre que adoecia, quem tomava conta dela era a minha tia, que infelizmente partiu subitamente em 2010. Nem sempre a minha avó foi merecedora da dedicação e dos cuidados da minha tia. Em 2008, com a minha mãe fora com o meu irmão pelo grande susto que tivemos, a minha avó vivia sozinha no seu apartamento. O meu pai arranjou quem lhe fosse deixar comida todos os dias e quem lhe fosse ajudar no banho. Não foi nem uma nem duas vezes que fomos encontrá-la caída no chão. Uma das vezes fui eu que fui ajudá-la pois o meu pai estava ausente da ilha. Tinha tentado tomar banho sozinha e caiu na casa de banho e lá ficou, provavelmente por 24h. Ela já não dizia coisa com coisa e estava completamente gelada e eu, perante aquele cenário, pensei que ela não fosse sobreviver... Ela sobreviveu e não tivemos outra alternativa que não fosse o Lar... Ela nunca gostou de estar no Lar e, teimosa como era, nunca fez nada por gostar, por se enturmar, por colaborar para a boa estadia dela lá. Contavam-se pelos dedos os amigos dela do Lar e mesmo esses iam partindo com o tempo, até que ela ficou sozinha, sem amigos, sempre olhando o vazio...
Tenho consciência que poderia ter ido visitá-la mais vezes. Não é fácil estar no Lar, principalmente, se não fazemos nada para nos sentirmos vivos (como ela nunca fez!). Nestes 8 anos que ela lá esteve o meu pai foi o filho, o herói, o pai, o amigo, o companheiro. Ele estava com ela, nem que fosse 15 minutos, praticamente todos os dias. Mesmo sem ela o merecer muitas vezes, o meu pai nunca abandonou a sua mãe. Ele ficou do lado dela até o último dia. Durante estes últimos 8 anos, o meu pai foi, para mim, uma enorme inspiração. Quem dera todos os pais/mães terem filhos como o meu pai é/foi!...
Agora sei que os últimos anos de vida da minha avó foram vividos como que ela própria a reconciliar-se com a sua própria vida. Ela já não era a pessoa que foi. Ela estava diferente, calma, serena e assim permaneceu até durante a morte. Já só queria ouvir a sua bisneta a sorrir e a andar pelos corredores a cantarolar. Há apenas uma coisa que ela nunca perdeu até ao fim: o seu sorriso. Às vezes, ela chorava de tanto rir. Ela tinha um sorriso gigante e é este que vou guardar na minha memória para sempre. Pelo tanto que ela sofreu, acredito que os seus pecados foram perdoados e que ela está lá no céu, junto do seu marido, filhas, irmão e pais, os entes que ela tinha perdido e que mais amou durante toda a sua vida...
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Setembro é um mês de que eu não gosto muito...
E este setembro mais ainda, porque, infelizmente, logo no primeiro dia perdi a minha avó paterna...
À parte disto, não gosto, porque significa que o verão está prestes a acabar (e eu sou uma pessoa que adora o verão, portanto é mais que natural que não goste que ele termine...). Em setembro ainda dá para irmos à praia e isso, mas já não é a mesma coisa... A água ainda está numa temperatura agradável, mas o contraste com o que está cá fora não é para qualquer um, o que implica permanência mais rápida na zona balnear (embora ainda haja dias em que ainda não se nota muito a diferença!)...
Setembro é o regresso às rotinas e isso implica deitar cedo a minha M. e engendrar programas com ela que puxem mais pela sua cabecinha sem ser só água e água,... além das tarefas domésticas que vão sendo retomadas em pleno, à medida que os dias arrefecem (expliquei aqui que no verão faço apenas o necessário!)... opto também por setembro para arrumar toda a tralha que ficou desarrumada todo o verão, tarefa esta que não me cativa mesmo nada, porque como vivo num T1 não tenho muito sítio onde arrumar as coisas...
Fica de noite mais cedo e isso implica fazer tudo muito mais rápido para aproveitar a luz do dia... lembro-me que um destes dias estava eu em casa dos meus pais e vi que já estava de noite. Pensei eu que já eram umas 21h30 e, cheia de stress, fui para casa para colocar a M. a dormir o mais rápido possível (em dias normais ela adormece pelas 20h30/21h sensivelmente)... Nunca me lembrei de olhar para o telemóvel (onde vejo as horas já que não aprecio relógios em mim!)... Quando chegamos a casa e pousei toda a tralha que sempre levo e trago comigo, vesti-lhe a t-shirt (ela ainda só dorme de t-shirt e fralda, pois onde vivemos é muito quente!) e peguei no telemóvel, olhei e vi que eram apenas 21h!!!! Até nem estava muito atrasada! Tanta pressa, tanto stress para nada! Enfim... até me habituar à ideia, acho que situações similares vão acontecer-me mais vezes.
No entanto, como o tempo ainda está mais ou menos bom, há dias que valem mesmo a pena para um passeio na hora do almoço e para relaxar...
Deixo-vos hoje uma imagem de um bocadinho da minha hora de almoço, num dia da semana passada em que parecia que o verão tinha regressado:
Continuação de um bom mês de setembro para todos aqueles que me acompanham...
Local:
Ponta Delgada, Portugal
sábado, 10 de setembro de 2016
Esta era a minha avó Maria dos Anjos... Parte I
A minha avó era uma senhora muito vaidosa... Adorava brilhantes, às vezes em exagero, mas como dizia o outro "gostos não se discutem". Sempre que havia um evento especial, ela aperaltava-se de tal maneira que toda a gente admirava o seu modelito. Às vezes, em tom de brincadeira, dizia-lhe que ela era uma espécie de Rainha de Inglaterra cá do sítio. E ela sempre admirou a família real britânica. Quando a Lady Di morreu, ela chorou como se da sua família se tratasse. Na cómoda do seu quarto ela tinha uma fotografia da família real junto às restantes fotos da família, tal era a idolatração.
Realezas à parte, ela dizia muitas vezes que era de "sangue azul". Era filha do Sr. Melo. Antigamente, quem tinha uma loja, como o meu bisavô tinha, que acho que era mais uma espécie de tasca com mercearia, era uma pessoa importante, pelo menos na freguesia. Um dia, questionou-me se eu não tinha orgulho de ser descendente do Conde não sei das quantas... Eu nem sabia disso! Respondi-lhe que só teria algum orgulho, se ele me tivesse deixado algo, mas como não me deixou nada, o título não me diz nada. É exatamente igual ao Dr. A, B ou C que não é médico, mas teima para que o chamem Dr.!!! Não me diz nada! E só porque sou uma pessoa educada, lá chamo A, B e C de Dr. O que eu penso fica mesmo comigo...
A minha avó adorava, pelo menos até ir para o Lar, ver telenovelas brasileiras. Sempre que ia visitá-la à sua casa, que agora é onde vivo, estava ela a devorar telenovelas brasileiras. Começava à tarde e só terminava à noite. Via-as todas. E sabia o nome daquela gente toda. Os nomes das personagens e o nome deles na vida real. Nas visitas que a fazia, ela era bem capaz de resumir as novelas todas. Bastava dizer "Quem é este?!" e pronto lá ficava a conhecer o enredo todo. Como passava o dia sozinha, quando alguém a visitava, aproveitava-se para falar, falar, falar tudo aquilo que não tinha falado antes. Herdei o gosto pelas telenovelas brasileiras, embora não acompanhe nenhuma hoje...
Entre outras coisas, havia uma coisa que eu admirava na minha avó: a forma como ela estendia roupa. E, acreditem ou não, em 10 vezes que estendo roupa, 10 vezes me lembro dela. Ela combinava as molas com a cor das roupas. E, se era eu que punha a mola errada, ela vinha atrás de mim e trocava a mola. Aquilo era caso para não dormir bem, digo eu!...
Outra coisa que admirava nela era o perfecionismo que ela sempre teve. Antes da morte do meu avô, ela bordava. Chegou a fazer toalhas e toalhas e também sabia costurar. E quando algo estava roto, ela dava sempre um jeitinho. As costuras dela eram reconhecidas a léguas, pelo menos por mim. Os pontinhos eram tão bem dados, tão simétricos que, quem olhasse poderia apostar que tinham sido feitos à maquina. Ela era muito minuciosa, às vezes até de mais! Se ela visse um ponto que não tinha sido bem dado, ela era capaz de desmanchar tudo e voltar a fazer de novo com a mesma paciência inicial. O mesmo se aplicava às cartas que escrevia. A letrinha dela era tão perfeitinha, tão simétrica, tão bonita que, se acontecesse ela errar uma única vez, riscar nunca era solução. Ela voltava a escrever tudo de novo e ela escrevia que se fartava para toda a gente autênticos testamentos (acho que nos testamentos também saio a ela!).
Outra coisa que admirava nela era o perfecionismo que ela sempre teve. Antes da morte do meu avô, ela bordava. Chegou a fazer toalhas e toalhas e também sabia costurar. E quando algo estava roto, ela dava sempre um jeitinho. As costuras dela eram reconhecidas a léguas, pelo menos por mim. Os pontinhos eram tão bem dados, tão simétricos que, quem olhasse poderia apostar que tinham sido feitos à maquina. Ela era muito minuciosa, às vezes até de mais! Se ela visse um ponto que não tinha sido bem dado, ela era capaz de desmanchar tudo e voltar a fazer de novo com a mesma paciência inicial. O mesmo se aplicava às cartas que escrevia. A letrinha dela era tão perfeitinha, tão simétrica, tão bonita que, se acontecesse ela errar uma única vez, riscar nunca era solução. Ela voltava a escrever tudo de novo e ela escrevia que se fartava para toda a gente autênticos testamentos (acho que nos testamentos também saio a ela!).
Quando alguém engravidava, ela prontificava-se logo em enviar uma lista infindável de nomes para menino e para menina. Lembro-me que numa das vezes que a minha tia F. engravidou, ela mostrou-me a lista de nomes que ia enviar... Era cá com cada nome!!!! Quem conhece o nome do meu pai "Auditon" ou do meu tio "Amilcar", ou das minhas tias "Dídia Isabel e Ercília Nivéria", que infelizmente faleceram muito antes de eu nascer, consegue por um pouquinho calcular que nomes ela escreveu. Tudo o que era normal ela não gostava! Ela queria que fossem nomes únicos (estranhos, mas únicos!). Quando lhe disse que estava grávida de uma menina, perguntei-lhe que nome haveria de dar a ela. Podia ser que ela tivesse uma boa sugestão... Ela ficou de pensar (já não estava no auge da sua criatividade!) e acabei por ser eu (e o pai) a escolher Matilde. Ela não gostou nada do nome, porque no tempo dela, havia uma Matilde que morava em Santo António Nordestinho, que era muito, muito pobre, e Matilde era um nome que ela associava à pobreza... Mesmo depois da Matilde nascer, ela esquecia-se do nome dela e quando lhe dizia qual era, ela repetia essa história da Matilde pobrinha lá de Santo António...
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
7 dias se passaram sem a minha avó...
Há uma semana atrás a minha avó Maria dos Anjos estava no hospital, como tantas outras vezes esteve e superou... Tínhamos viagem marcada para a Terceira nesse dia, mas depois de um telefonema do hospital a dizer que ela tinha piorado, o meu pai decidiu passar no hospital para falar com a médica, antes de ir para o aeroporto. Perante a falta de otimismo quanto ao estado da minha avó, decidimos desistir da nossa viagem. Ouvir que o desfecho da sua vida previa-se para aquele dia ou para o dia seguinte não foi fácil para mim que sou neta, por isso não consigo imaginar o que foi para o meu pai, que é filho...
Fomos para casa. Eu fiquei na minha para desfazer as malas e a minha M. foi com os avós para poder almoçar a comidinha feita pelos vizinhos queridos que eles têm. Depois eu iria lá ter... Não terminei de desfazer a mala, quando um telefonema me informou que a minha avó tinha partido... Eu estava sozinha na casa dela, no seu apartamento que ela tanto gostava e que ela me emprestou para viver quando casei e onde vivo até hoje. Já tinha pensado como seria se ela morresse um dia... Como ia ser viver na casa dela, depois dela partir... Na altura, pensava eu que ia ter medo de estar lá sozinha... Depois de ouvir que ela tinha partido, estava sozinha no seu apartamento e não senti medo. Não senti medo porque eu sei que a minha avó gostava muito de mim e, com certeza, não desejava que nenhum mal me acontecesse... Medo de quê então?! Que ela me aparecesse?! Ela sabia que eu não gostava de ver fantasmas por isso acredito que, caso existam, ela não me iria pregar nenhum susto desses... Desde que ela morreu que não sinto medo de estar na sua casa... sinto paz, calma e boas recordações de quando ela lá vivia e eu ia visitá-la...
Hoje já se passaram 7 dias desde que partiu... E o que sinto mais saudades é do seu sorriso contagiante que manteve até à minha última visita ao Lar. Lá estava ela, sentada no seu cadeirão, a ver a sua bisneta a tagarelar com ela e a cantarolar nas redondezas e ela sorria, estava feliz... A minha M. tinha o dom de deixá-la feliz e a sorrir... "Querida, querida, querida" dizia ela tanta vez durante uma única visita...
A minha avó gostava tanto de viver, de sorrir... Mas a vida que hoje levava já não era motivadora... Acredito que ela desistiu de viver... Sei que hoje ela está melhor, junto das suas filhas, do seu marido e dos seus pais... e nós cá ficaremos a falar dela para eternizar a sua passagem aqui no mundo...
Hoje a missa do 7º dia realizar-se-á na Igreja de Santo António Nordestinho, às 18h.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
A última vez que vi a minha avó...
A última vez que vi a minha avó foi no dia antes dela partir...
Ela estava no hospital há um dia. Tinha ido para lá por causa de uma febre teimosa que não a deixava sossegar. No Lar onde vivia, decidiram enviá-la para o hospital para saber onde estava a infeção. Cheguei lá e vi-a deitada na cama, com máscara de oxigénio e com montes de fios ligados ao seu corpo (coração, veias,...). O meu pai estava sentado numa cadeira, aos seus pés. Disseram-nos que podíamos ficar até mais tarde.
Cheguei-me para a minha avó e dei-lhe um beijinho. Ela abriu os olhos e ficou a olhar para mim como que a querer dizer algo. Ela não falava, diziam que ela também podia não estar a ouvir, pois ela não estava a reagir a estímulos. Estava cansada... Agora sei que estava cansada de viver... Eu dei-lhe a mão e assim fiquei. Ela seguiu-me sempre com os olhos, por isso sei que me via... Ela olhava-me com carinho, eu senti isso... Pedi-lhe para piscar os olhos se me estivesse a ouvir. Ela piscou uma vez. Pedi-lhe novamente o mesmo mas ela já não piscou. Fiquei sem saber se teria sido coincidência. De qualquer forma, pedi-lhe para ela continuar a respirar e disse-lhe que gostava muito dela... e depois ficamos simplesmente a olhar-nos e eu a fazer-lhe festinhas na sua mão e na sua cara/cabelo...
Depois ela fechou os olhos e assim ficou até eu ir embora. Adormeceu... Depois de um bocadinho, dei-lhe um beijo com cuidado para não a acordar e fui... Ainda bem que lhe dei um último beijo... Se fechar os olhos, consigo sentir o cheiro dela e a textura da sua pele nos meus lábios...
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Local:
Ponta Delgada, Portugal
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Afinal quem voou hoje não fui eu...
A minha avó disse-nos hoje adeus...
O meu avô esperou 23 anos por ti, avó... Não podes dizer que ele não te amou profundamente... Até depois de partir deu-te provas vivas disso. Agora e, finalmente, estás junto dele, dos teus pais e, principalmente, das tuas filhas queridas, que tantas vezes choraste lágrimas de saudade... Agora somos nós que vamos derramar as nossas por ti... Vou recordar para sempre a tua boa disposição e o teu sorriso...
Amo-te muito avó...
A minha avó pouco depois do meu avô partir há 23 anos atrás...
Quando o meu primo esteve cá, em Julho...
Uma das últimas vezes que a fomos visitar... A Matilde era a "sua menina"!... Nota-se aqui nesta foto a forma carinhosa com que olhava para ela e a alegria que sempre a trazia...
Saudades... "Querida, querida, querida...", dizia ela, bem repenicado...
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