Já o fazemos há 3 anos consecutivos e a ideia é manter esta nova tradição que já faz parte das nossas vidas... Surgiu à laia de "conversa de café", que seria giro juntarmos a malta da escola primária... E pusemos mãos à obra!
Somos de uma freguesia bastante pequena. 300 habitantes ou pouco mais que isso... Na escola, as nossas turmas raramente tinham mais do que 10 alunos... e quando éramos 10 já era uma festa! :) Por sermos tão pouquinhos é que não podíamos juntar apenas um ano letivo. Seríamos meia dúzia de gatos pingados... e a verdade é que no intervalo das aulas brincávamos uns com os outros oriundos de vários anos escolares. Os maiores tomavam conta dos mais pequeninos e eu lembro-me perfeitamente disso! Então fomos alargando aos vários anos, enquanto nos lembramos de gente da nossa altura. O leque anda a rondar os anos letivos desde 1976 a 1983... Mas não somos esquisitos e quem quiser juntar-se a este grupo, desde que seja de Santo António Nordestinho e queira rever as crianças da sua infância está completamente à vontade!
Somos alguns, não tantos como nas freguesias grandes, mas fazemos muito mais que as crianças adultas das freguesias grandes: depois de 30 anos tomamos a iniciativa e conseguimos reunir-nos uns com os outros num jantar de confraternização que nos aquece a alma. Nesses encontros recordamos a época da escola, vemos os filhos uns dos outros crescer (de ano para o outro faz diferença!), vemos os nossos filhos brincar com os filhos dos nossos amigos da infância,... Nesses encontros, nós adultos, também brincamos (no verdadeiro sentido da palavra!) e rimos como se não houvesse amanhã... é mesmo tão bom e sinto-me mesmo feliz nesses momentos... como se estivesse de novo "em casa"!
Obrigada por serem esses seres especiais e por existirem na minha vida!
Olho para trás e vejo-me na infância a sorrir na maior parte do tempo. Vivi numa freguesia bastante pequena, com poucas pessoas, e nunca senti rejeição por parte de ninguém. Existiam poucas crianças e isso fazia com que fossemos amigos uns dos outros e de todos. Eram quase todos vizinhos uns dos outros. Claro que as afinidades eram mais próximas quanto mais próximo fosse a casa.
Entretiamo-nos uns com os outros muito facilmente. Não haviam brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos. Era comum ver meninas a jogar futebol e meninos a brincarem com bonecas. Eu própria cheguei a jogar futebol com eles e alguns deles também brincaram comigo às bonecas ou no clubinho que criamos a dada altura (um dia partilho do que se tratava!).
Em breve vou juntar-me com eles novamente num jantar que já é organizado anualmente e acreditem é um verdadeiro sucesso. Não nos cingimos a um só ano letivo, pois como éramos poucos nem valia a pena... abrangemos variados anos, pois cruzámo-nos todos na escola, brincamos com todos, uns mais velhos que outros, mas todos com o mesmo espírito: brincar.
Espero que a minha filha, apesar de viver num meio maior, seja uma criança durante muito tempo (eu brinquei até aos meus 14 anos!) e que tenha amizades de infância que durem uma vida...
(Há muito, muito tempo atrás, na pré-escola...)
(A fotografia tirada no último jantar, em dezembro de 2017)
Há pouco tempo, tanto eu como a minha M. ficamos doentes. Doentes digo, fanhosas, ranhosas, com tosse, e tudo o que é fruto desta época!... Faz parte!
Ficamos as 2 um fim-de-semana inteirinho de pijamas em casa, sem sair nem um bocadinho à rua, em clausura completa, visto que o tempo não estava convidativo... Apesar de termos visto alguns raios de sol pela janela, dentro de casa ouvíamos o vento a soprar bastante forte lá fora... Nem nos atrevemos a espreitar e decidimos fazer programinhas dentro de casa!
Vimos filmes e mais filmes, enquanto estávamos aninhadas uma na outra na cama, enroladas no edredão (hummm que bom!)... brincamos com plasticinas vezes sem conta... lemos alguns livros e... jogamos alguns jogos da minha infância que encontrei perdidos no sótão dos meus pais! Ahhhh que doces momentos... Lembro-me como se fosse hoje de brincar com o meu irmão aqueles jogos... e agora, passados uns 20 anos ou mais... estou a brincar com a minha filha! A vida é realmente um ciclo e devemos criar memórias boas para daqui a 20 anos estarmos a recordar com saudade...
Daqui a 20/30 anos, será que vou estar a brincar os mesmo jogos com os meus netos?! :)
Já tinha 84 anos quando partiu... mas foi uma partida demasiado rápida, sem contarmos...
Lembro-me perfeitamente dele, do seu sorriso, do seu cheiro, do seu olho azul céu... De dançar com ele lá na sua casa... Lembro-me da última vez que nos encontramos. Lembro-me do último beijo que ele me deu. Lembro-me do último olhar que me ofereceu... Aquele olhar azul, o mais azul que vi em toda a minha vida...
Lembro-me que sempre me tratou bem... Apesar de ter um certo temperamento autoritário, eu falava com ele sempre na maior, ele permitia-me "abusar" (avós são sempre doces com os netos!) e acabava por sorrir...
Era alto, bastante alto, e tinha umas mãos fortes, tão fortes que às vezes quando brincava connosco magoava sem querer... Queixávamo-nos e ele sorria. Não sabia...
Dele tenho as melhores recordações... e imensas saudades...
Ele e eu, talvez com 1 ano de idade...
Ele como sempre me lembro dele...
De olho azul pequenino, bochechas rosadas e sorriso na cara...
O primeiro encontro foi o ano passado e este ano, mesmo que organizado em cima da hora, e no meio de tanto turbilhão na minha vida, conseguimos reunir alguma malta da nossa escola de infância - a "geração 1976-1983" para o 2º encontro! Existem pessoas que por uma razão ou outra não compareceram e outras que, por ignorância nossa da data de nascimento, não contatamos. Não levem a mal, muito pelo contrário, digam-nos que também fazem parte desse período de tempo, que também andaram na escola por essa altura e, com certeza, dar-nos-ão o prazer da vossa companhia. A PDI neste caso não abona a nosso favor.
O segundo encontro foi tão ou ainda melhor que o primeiro! Desta vez as pessoas já sabiam para o que iam, já estavam familiarizadas com o evento e afinal de contas é sempre tão bom rever os amigos que noutros tempos, na primeira infância, fizeram parte da nossa vida!
Rimo-nos, brincamos, comemos, bebemos,... fizemos de tudo um pouco, mas o importante mesmo foi estarmos juntos e sabermos que estes encontros são tão bons para cada um de nós! Para mim é!
Já são alguns aqueles que se foram deste mundo. Já são alguns em quem penso e de quem sinto enorme saudade... Saudade... Esse sentimento que nos corrói a alma... Esse sentimento que apenas nos vem mostrar que o amor quando é verdadeiro não morre. O que morre somos nós, mas o sentimento fica. É como naquela cena final do filme "Ghost - O espírito do Amor", que me faz chorar sempre, quando ele diz "It's amasing Molly. The love inside, you take it with you.". Não sei se é verdade que eles levam o amor consigo, mas sei que ele cá fica. É ele que nos faz sentir saudades. É o que nos faz sorrir quando nos lembramos das boas memórias que eles nos deixaram, dos beijos que nos deram, do cheiro que nos ficou na memória e, acreditem, o cheiro das pessoas fica na nossa memória e, se fecharmos os olhos e nos concentrarmos, conseguimos cheirá-los... E é tão bom sentir o cheiro deles!... E quando sonhamos com eles?! Parece que queremos alcançá-los e não conseguimos ou que nos tentaram passar uma mensagem que não conseguimos perceber qual é... E fica um vazio... mas também fica um sorriso, porque pelo menos os vimos mais uma vez!
E depois há ainda aqueles que não conhecemos em vida, mas de tanto falarem deles, aprendemos a sentir um carinho enorme por eles como se os tivéssemos conhecido... Tenho o exemplo da minha tia Didia que queria tanto ter coinhecido... Também a "recordo" e sinto uma enorme vontade de a conhecer... Quem sabe um dia...
Hoje é o dia deles, daqueles que já foram fisicamente, mas quem trago todos no meu coração hoje e sempre... porque enquanto eu viver eles viverão comigo...
Não pensei que pudesse escrever este post tão cedo, mas o que é facto é que já passou 1 ano (365 dias) sem a minha avó (pode ler aqui)...
Foi de um momento para o outro, mas nos últimos dias, prepararam-nos para o pior. Já tinha 88 anos, mas estava bem e sorria. Lembro-me perfeitamente do seu último olhar para mim (podem ler aqui). Fui vê-la ao hospital e ela estava de máscara de oxigénio, serena e só dormia... Dei-lhe a mão e assim fiquei... Quando quis, abriu os olhos e ficou a olhar-me... Ainda falei com ela, mas ela já não me respondia, mas sei que me estava a olhar e a tentar passar alguma mensagem... Se calhar era o seu adeus... Se calhar estava a dizer que gostava de mim pela última vez... Eu sei que ela gostava de mim. Fui a primeira neta e vivi com ela 15 anos. Sei que gostava da minha filha, a sua primeira e única bisneta. Nos últimos 2 anos de vida, a minha M. era possivelmente a sua maior alegria, pois sempre que a via, os seus olhos brilhavam de felicidade e apenas sorria com as coisas que a minha filha fazia.
Ela tinha um feitio muito (muito!) especial! Não era toda a gente que sabia lidar com ela, pois era uma pessoa de difícil trato. Mas sabem?! Família não se escolhe, aceita-se como são, às vezes com mais paciência, outras vezes com menos... É o nosso sangue!
A vida que teve também não foi nada fácil... Falei disto aqui, aqui e aqui... E por isso desculpo-a por tudo o que possa ter feito menos bem...
Um beijo daqui até o céu, avó... Manda também um beijo ao avô...
Foi hoje, mas há 2 anos atrás, que este dia foi super especial... Não pensei, até passar por ele, que este dia me trouxesse tanta alegria como traz. A minha filha foi batizada e foi dos momentos mais marcantes e felizes da minha vida... Ela foi e portou-se como uma verdadeira princesa! Já não era bebé... Tinha 1 ano e meio... Já falava qualquer coisinha... Já sabia para o que ia, apesar de hoje já não se recordar bem daquele dia... Já tinha o mínimo de consciência do que estava a fazer e do significado que era "levar com água na cabeça"... Foi esse o meu grande objetivo quando escolhi não batizá-la bebé! Foi dos momentos mais lindos da minha vida!
Que Jesus te acompanhe sempre minha filha para seres uma menina boa para ti e para quem te rodeia. Respeita-te e respeita os outros. Que tenhas sempre sorte e felicidade na tua vida. Que o Espírito Santo ilumine os teus passos, o teu caminho e as tuas decisões...
Só te desejo o melhor que a vida tem para oferecer... Conta comigo sempre e em qualquer circunstância...
Hoje ele faria 89 anos... e podia muito bem estar por aqui...
"Sei que um dia vamos voltar a ver-nos e vou voltar a ouvir a tua gargalhada contagiante... Sabes, às vezes fecho os olhos e consigo ouvi-la. Fico a imaginar-te debruçado no mesão que dividia a cozinha do quarto de jantar a rir e a atirar-me almofadas para me provocar enquanto eu tentava ver os desenhos animados. Nem imaginas o quanto isso me chateava...
Oiço às vezes a tua voz a pedir a chave da garagem, no fim das escadas... Era uma irritação!...
Adorava fazer as viagens de autocarro contigo, quando cantávamos juntos a "Teresinha de Jesus" enquanto eu ia cambaleando pelo corredor do autocarro (hoje isso seria impossível!)...
Recordo-me muitas vezes de dizeres 1 ano antes de partires, quando estavas doente da hérnia, que só querias voltar a ficar doente para morrer. O teu desejo concretizou-se! Tu nem estavas doente do coração!... Mas foi ele que te traiu...
Lembro-me de te ver a trabalhar no quintal cheio de genica, como se tivesses 20 anos! Sempre foste muito forte! :)
Falavas e rias alto e brincavas com toda a gente. Sempre me lembro de defenderes a nossa família com unhas e dentes e eu orgulho-me muito disso. Foi uma pena teres partido tão cedo, porque sinto que tinhas muito mais a dar a nós e a todos os que te rodeavam... mas esse foi o teu (e nosso) destino. Tivemos de habituar-nos a viver na tua ausência... Mas, mesmo depois deste tempo todo de distância, eu lembro-me muito e muitas vezes de ti...
Parabéns avô!
Sopra bem essas velas aí em cima e faz uma festa daquelas.
Tens agora também a avó para te cantar os parabéns... :)
O que continuo a sentir por ti, mesmo depois de 23 anos desde a tua partida, é a prova de que o amor, quando é verdadeiro, não morre, nem se esquece com a distância!"
No passado fim-de-semana fomos brindados com o feriado do dia 1 de maio para ajudar à festa e fomentarmos os laços familiares. Que bom!!!
Vê-la adormecer na segunda-feira à noite, tão tranquila, depois de um fim-de-semana e um dia bónus tão intenso, é o momento em que sei que aqueles momentos não vão ter "repeat" e foram tão bons... Digamos que estivemos 100% do tempo que tínhamos nestes 3 dias sempre juntinhas, sempre com brincadeiras, risadas, alguns choros também, mas o importante é que criamos laços que no futuro vão, com certeza dar frutos bons.
Na terça-feira de manhã expliqeui-lhe que a mãe tinha de trabalhar e que ela ia ficar a brincar na casa da avó, tal como lhe explico todas as segundas-feiras de manhã. Ela fica bem, mas ontem disse-me enquanto me abraçava:
"Eu agora estou feliz, porque a mãe está aqui, mas quando a mãe for embora, vou ficar triste!" - é ou não é de partir o coração?! Minha rica filha...
Eu também fico triste quando tenho de deixá-la, mesmo sabendo que ela fica bem.
Faz parte! É a nossa triste vida que, para termos algo, temos de deixar os nossos filhos ao cuidado de outros (ainda tenho sorte que ela fica com os avós!) e o tempo que temos disponível para eles (durante a semana) é para lhe dar o jantar, banho e fazer dormir!... Não é nada justo para as nossas crianças, para a criação de uma sociedade melhor e com mais amor... Os governantes deviam abrir os olhinhos nesse sentido! A presença dos pais na vida de uma criança (que será o adulto do futuro!) é verdadeiramente importante na formação dela enquanto pessoa! E para termos uma sociedade melhor temos de "construir" pessoas melhores!...
Esta semana o tema do desafio a que me propus no início deste ano é muito susceptível à minha própria sensibilidade, pois existem pessoas de quem sinto muitas saudades. Decidi que não vou falar de pessoas, pois já tenho falado delas noutras alturas. Vou armar-me em materialista e apenas falar de coisas ou sensações de que eu sinto mesmo saudades... Então aqui vai...
Sinto saudades...
- ... de estar deitada no "meu" quintal no Nordeste, em cima da erva fofinha (ignorando que por baixo de mim pudessem existir bichezas de todas as espécies) e olhar o céu azul por cima de mim e do pessegueiro carregadinho de pêssegos que os meus avós tinham lá...
- ... de viver em Lisboa, do seu movimento e ter tudo "à mão de semear". Refiro-me, claro, aos espetáculos e eventos diversos em qualquer dia da semana e a qualquer hora do dia...
- ... de viajar para um sítio quente, onde não conheço ninguém e onde possa estar "desligada" do meu mundo por uns dias...
- ... de comer tangerinas acabadinhas de apanhar do meu quintal do Nordeste...
- ... de me sentar numa esplanada à beira mar, ali para os lados de Ericeira, com um bom prato de caracóis e uma cervejinha fresquinha, num lindo dia de verão...
- ... de fazer um cruzeiro...
- ... de beber água de coco bem fresquinha à beira mar, no Brasil...
- ... de estar em palco com a minha tuna e até dos próprios ensaios...
- ... de sorrir até me doerem as costelas e as bochechas... mas disso eu tenho sempre saudades, mesmo que tenha acontecido há 5 minutos atrás...
Coimbra é uma cidade que me encanta. Confesso que antes de 2008 encantava-me mais, mas o desfecho positivo da nossa história (graças a Deus!) fez com que não deixasse de sentir carinho por esta cidade, embora me tivesse colocado mais distante.
Ainda estava eu a residir em S. Miguel, quando uma das minhas melhores amigas de infância ficou colocada na Universidade de Coimbra. E a partir desse momento, Coimbra passou a ser uma das minhas cidades de eleição.
Enquanto estudei em Lisboa fui algumas vezes a Coimbra, especialmente em alturas da Queima e também apenas em passeio... Coimbra nessa altura veste-se mesmo de negro, mas um negro feliz, e as tradições académicas são as mais espetaculares do país. É como se ganhasse vida e jovialidade.
Por volta de 1997, em altura de férias da Páscoa, também estive em Coimbra por questões de saúde (também do meu irmão!) que, por terem sido menos graves, não tiveram o efeito que 2008 teve em mim. Mesmo aí, sempre senti Coimbra como uma cidade, que embora me transmita alguma nostalgia, sempre foi acolhedora, agradável e muito simpática e romântica.
O rio Mondego aos "pés" daqueles edifícios cheios de história. A "velha cabra" lá no cimo da encosta, a Universidade, as Igrejas, as ruas, as esplanadas à beira rio, é tudo, tudo tão mágico, tão romântico. Cheguei inclusive a visitar os jardins onde se encontravam D. Inês e D. Pedro. Final trágico. Aqueles locais são, sem dúvida, cheios de um poder histórico incrível e sente-se no ar que ali se viveu um Amor gigantesco.
Quando contemplo in locco as imagens que vos deixo aqui tenho a sensação de ter como música de fundo as músicas que também vos deixo e que toquei e cantei com a minha tuna vezes sem conta, permitindo que fossem também músicas da minha vida...
Apesar desta vez (e desde 2008!) a nossa visita ter sido de "coração nas mãos", aproveitamos para rever alguns amigos, daquelas pessoas luz que não dispenso por nada.
(esta é logo a primeira que me vem à cabeça por falar na "velha cabra" e em "Santa Clara")
(logo a seguir chega a nostalgia desta música que as imagens sempre me transmitem...)
Eram 5h da manhã quando a acordei. Ela não rabujou e nem fez fitas, ao contrário do que pensei que fosse fazer. Só dizia que ia no avião e que ia para Lisboa e estava muito feliz por isso. A primeira vez que lá foi tinha 1 ano e 10 meses. Apesar de ter uma excelente memória, não se deve lembrar de muita coisa do que viu na altura. Eu lembro-me de cada detalhe e vou contar-lhe um dia...
Lisboa é quase como a minha segunda casa. Lá vivi 6 dos melhores anos da minha vida... Acolheu-me desde o primeiro dia e, graças a Deus, tirando alguns pequeninos percalços, tive a sorte de nunca ser assaltada e nem nunca ter tido nenhum problema de maior que não conseguisse resolver na hora. Dizem os entendidos que o pessoal de Lisboa é mais snob e antipático do que o pessoal do Porto, por exemplo... Eu devo ter conhecido outra Lisboa que não a deles. Comigo sempre foram simpáticos e afáveis, sem qualquer razão de queixa de ninguém... Meus ricos lisboetas e minha rica Lisboa!
Em Lisboa já, e porque os maiores motivos da nossa viagem eram por consultas médicas, todos os bocadinhos livres que tínhamos, aproveitávamos para fazer alguma coisa que pudesse distrair-nos (principalmente à minha M.) do "pesado" motivo médico. Decidimos, portanto ir ao Jardim Zoológico. A contrariar o tempo ranhoso que se fazia sentir em S. Miguel e que nos fez vestir (e levar !!!) roupinhas mais quentes, sentimo-nos um pouco "aliens" no meio de pessoas vestidinhas à Verão, de sandálias e vestidinhos fresquinhos. Acidentes de percurso, portanto...
Foi uma tarde esplêndida! Perfeita! Ver os olhinhos da minha M. a brilhar de felicidade é o melhor cenário que os meus olhos alguma vez viram em toda a minha vida. Podermos ter uma tarde, apesar de cansativa, tão divertida e feliz foi das melhores coisas que aconteceram nesta viagem, pois foram esses momentos que nos fizeram esquecer do motivo que nos levou até lá... Sem dúvida que a presença da minha M. ajudou em muito neste sentido.
Ver o espetáculo dos golfinhos (em primeiríssimo lugar!), ver as girafas, os leões, os elefantes e as tão divertidas e engraçadas suricatas foram os momentos auge da nossa passagem pelo Jardim Zoológico e os que a minha M. mais gostou. Experimentamos o teleférico. Na minha família não abona o "à vontade" nas alturas e a minha M., mesmo que não lhe tenha sido incutido isso, desde pequenina que as "alturas" também não são paixão. Ainda só tinha passado 1 minuto desde que o teleférico tinha começado a andar e ela diz-me "Mãe, isto não é muito divertido!" e um pouco mais à frente ainda diz "Quando é que vamos sair daqui?". Nem preciso dizer que ela andou a viagem toda agarrada às grades sem mexer um milímetro. Só esteve bem porque estava comigo! À medida que a viagem ia acontecendo, tentei relativizar e apontar para os animais que íamos vendo para ela gostar da experiência. Penso que foi o que lhe fez gostar do resto da viagem, mesmo que tenha sido apenas "minimamente".
Ir a Lisboa com ela sem ir ao Jardim Zoológico não é a mesma coisa... :) Deixo aqui alguns registos deste nosso primeiro dia em Lisboa...
Conheci-a no dia em que fui fazer a audição para entrar na tuna... Era uma sala de aula grandinha. Estavam umas quantas a avaliar-me, mas ela não. Ela era pretendente à tuna como eu queria ser. Perguntaram-me o meu nome e eu, à boa maneira micaelense, respondi "Vera". Elas não perceberam à primeira e gozaram com a minha pronúncia (nesse dia e em todos os outros seguintes). Nada que não estivesse à espera... Ela estava lá, mas como era apenas pretendente nunca se pronunciou, não fosse ser praxada por causa disso.
Depois da minha audição, tivemos ensaio. Num dos intervalos do mesmo começamos a falar, se calhar pela solidariedade dela para com a minha condição de pretendente igual a ela e, ainda por cima, "açoriana" no meio de gente do continente, que falava bonito. Houve logo uma empatia entre nós e, nesse mesmo dia convidei-a a ir a uma festa que também eu ia nessa mesma noite - a Festa das Ilhas (falei sobre esta festa aqui), assim como dormir na minha casa, que era logo ali a 3 passos da festa. Ela aceitou e lá fomos nós: 2 perfeitas desconhecidas (ou conhecidas de 2h), pretendentes de uma tuna, para uma Festa que era muito minha e nada a ver com ela... Foi o início de uma enorme amizade! Bendita tuna, bendita festa, bendita noite, bendita amizade!... Nessa noite ela saiu da festa a engatar o sotaque micaelense e se calhar foi esse o click para que a nossa amizade crescesse e permanecesse até hoje...
Depois dessa noite, surgiram muitas outras noites, muitos momentos juntas, muitas aventuras, algumas brigas (irmãos também brigam), mas acima de tudo alimentamos um sentimento entre nós que prevalece mesmo a milhas de distância uma da outra... E o melhor da amizade é isto: mesmo depois de meses sem nos falarmos, mesmo depois de vivermos cada uma num sítio diferente, sempre que nos vemos, parece que falamos ontem e todos os dias... Nada muda entre nós!...
Temos boas e tantas recordações que vou escrever aqui as melhores (não vá um dia sofrer de Alhzeimer e me esquecer!):
- quando éramos ambas pretendentes, ela pedia-me para tocar a mesma música vezes infinitas na viola para ela poder tocá-la na flauta sem dar pregos em palco... como boa amiga que sou, rabujando, claro, mas fazia-lhe sempre a vontade...
- dia de limpeza era dia de Celine Dion... Era ouvir Celine Dion até rebentar... à conta disso, não suporto o timbre da gaja!
- "música gira" significava que Mrs. Paula ia gravá-la em cassete 3 ou mais vezes para poder ouvi-la vezes sem conta sem ter de fazer rewind e play muita vez... chegava a um ponto que já não via aquela música à frente...
- tivemos uma noite em que saímos só as 2 e foi a loucura total, bastávamos estar juntas para nos divertirmos à brava, porque ambas adoramos dançar até doer os pés (par perfeito!)... noutra noite, já eu estava a morar nos Açores, fui com ela e com outra nossa amiga-irmã jantar a Ericeira e depois "O que vamos fazer agora?! Ah já sei, vamos conhecer a noite de Leiria"... e fomos! Nenhuma de nós conhecia Leiria, atenção!
- ela veio visitar-me uma vez e apanhou a mudança de casa dos meus pais (do apartamento para a casa onde vivem ainda hoje) e que remédio tinha ela se não ajudar-nos nas mudanças: na primeira noite que dormimos na casa nova ela também dormiu;
- deixava-me fazer totós no imenso cabelão que ela tinha (e tem) e pentear-lhe sempre que me apetecesse;
- adorava passar um serão com ela daqueles em que estávamos sentadas no sofá, cobertas por um cobertor e um aquecedor também, bem ao lado dos nossos pés;
- reclamava sempre (sempre!) da minha comida, dizia que era picante, mesmo eu pondo só um bocadinho de pimenta cá da ilha por causa dela, mas sempre que enchia o prato nunca mais se ouvia ela a falar até terminar de comer (ela gostava não queria era dar o seu braço a torcer!);
- tivemos 2 discussões muito caricatas: uma sobre a canja (eu dizia que era feita com arroz e ela dizia que era com massa - hoje sei que pode ser feita das 2 maneiras) e outra sobre as castanhas (ela dizia que se ponha açúcar... eu ainda hoje nunca ouvi falar nisso!);
- fomos grandes parceiras sempre, mas especialmente na semana dos caloiros a que assisti (no meu 4º ano, em 1999): onde ia uma, ia a outra e fomos o braço direito uma da outra, para o que fosse preciso (e foi preciso algumas vezes ahahaha)...
Hoje ela é uma pessoa renovada, diferente... Se antes ela adorava um sofá, hoje ela é uma atleta cheia de power e speed... Se antes era uma boa dona de casa, hoje ela é mais uma mulher independente, ativa e trabalhadora, daquelas que se estão a emancipar no nosso século (e ainda bem!)... Há uma coisa que ela nunca muda: a sua grande vontade de tagarelar e de dançar, de estar com amigos e de fazer a festa (e ainda bem!)...
A vida dela não é a minha vida, mas desejo o mesmo que desejo para mim: o melhor possível... Sei que posso contar sempre com ela, assim como ela pode contar sempre comigo...
(a foto que marcou a 3ª vinda dela a S. Miguel)
Deixo aqui uma música que sempre que oiço é ela que me vem ao pensamento, porque, podem acreditar, ela fez-me ouvi-la milhentas vezes ("milhentas" acho que é muito pouco para a quantidade de vezes que ouvi!):
Hoje ela faz anos e por isso merece todo este texto (e mais algum que pudesse escrever!), toda a minha dedicação, todo o meu carinho e toda a minha amizade. Eu não tenho irmãs, mas a minha Paulinha e a nossa relação é, sem dúvida nenhuma, o melhor conceito de "irmã" que eu podia ter na minha vida.
Que pena que estamos tão longe uma da outra...
(aqui estou eu com as minhas amigas-irmãs (Paula e Sofia). Eu com a M. na barriga e a Sofia com o T. na barriga)
Hoje faria anos aquela que partiu há menos tempo deste meu mundo. Aquela que, por pior feitio que tenha tido, era a minha avó, com quem cresci diariamente até aos meus 15 anos e que me fez sorrir tantas vezes. Chegámos a chorar de tanto sorrir...
Faria anos se fosse viva a minha avó, uma mulher que enfrentou a morte de 2 filhas ainda pequenas num curto espaço de tempo e, quem tem filhos compreenderá, essa é uma dor irreparável que deixa marcas na personalidade de uma mãe/pai para sempre. Apesar disso, ela nunca deixou de saber sorrir, de gostar de viver, de querer viver, passear, conhecer o mundo e outras pessoas, de sentir-se viva e útil. Uma mulher que se amava por completo e amava a sua família em primeiríssimo lugar.
Mesmo nos últimos anos sempre manteve o seu sorriso intacto, o seu otimismo, a sua alegria. Foi, sem dúvida, das mulheres mais positivas e diretas da minha vida! Uma inspiração positiva para mim que guardarei para sempre!
Hoje há, com certeza, uma festança daquelas no céu!
Avó sopra as velinhas e sorri, sorri muito, pois estás finalmente a festejar o teu aniversário com o teu marido, os teus pais e as tuas tão amadas filhas!...
Um beijinho nosso para ti...
Sempre gostei muito de brincar. E eu brinquei muito. Mesmooooo! Brinquei até aos meus 14 anos com as minhas Barbies. Só tinha 2 e 2 Kens mas adorava-os. Junto com as minhas amigas de infância (estas aqui e aqui) combinávamos encontros de brincar com as Barbies. Uma vez era o casamento de uma, outras era o batismo da outra, outras eram apenas as festas habituais,... não importava o motivo desde que brincássemos com as Barbies, por isso sem dúvida que as minhas Barbies foram dos brinquedos que mais gostei...
No entanto, sempre tive outros brinquedos que me lembro de brincar em outras fases da minha infância:
- lembro-me de um bebé chorão a quem eu vestia as minhas roupas de quando eu era bebé;
- lembro-me da minha bicicleta cor de laranja onde aprendi a andar;
- lembro-me do meu carro de rallye vermelho (que adorava comprar um igual para a minha M.),;
- lembro-me do meu Topo Gigio e da minha Pantera Cor-de-rosa, que apesar de serem peluches, sempre gostei muto deles;
- lembro-me de uma televisão a preto e branco que os meus pais me ofereceram (já mais tarde), onde eu recordo-me perfeitamente de ver o Casino Royal aos sábados à noite;
- lembro-me do meu peluche Popas (este com valor sentimental), que hoje é da minha M., mas foi-me oferecido pelo meu avô paterno, pouco antes de falecer (portante eu já era grande!);
- lembro-me do meu primeiro piano (cor-de-laranja), que foi o piano que me fez querer aprender a tocar;
- lembro-me de brincar muito com a Bota Botilde (aquilo era até fazer buraco);
- e, embora não sendo brinquedo, brinquei muitoooooooo com as jóias (falsas) da minha avó paterna (e ela ficava piursa quando isso acontecia!).
Sempre fui boa de brincar, portanto quando a palavra "brincar" aparecia, lá ia eu... Gostava muito de brincar ao elástico, à corda, de jogar à macaca, ao queimado, ao bolar e até de jogar à bola!!! Miúda fácil de se entreter portanto...
(Curioso o carro (que usei, se calhar, até aos meus 4/5 anos) e a bicicleta (que usei a partir dos 6 anos) - penso que comprados em alturas diferentes - ter o mesmo nº 46!!!)
Hoje é o aniversário da Tuna Masculina da minha Universidade: a Tuna Camoniana "In Vino Veritas"(25 anos)! Sempre os admirei, pela forma de tocar, pela postura em palco e fora dele, e também pelo espírito que sempre demonstraram ter!
Eu, para eles, era a "açoriana" e, para não fugir à regra, também gozavam com a minha pronúncia. Acho que se não fosse o Facebook, muitos deles não sabiam o meu nome! Nunca recebi nenhum comentário, nenhuma atitude menos nobre que um homem possa ter por uma mulher. Sempre me trataram bem, nunca me faltaram ao respeito e sempre me senti uma "donzela" protegida por eles. Ainda hoje alguns deles, com quem ainda mantenho algum contacto, me chamam "miúda". Normalmente, não gosto que me chamem assim, mas se for eles eu deixo. Eles podem, porque o tom que eles utilizam para me chamar assim, é como que se eu fosse um ser pequenino a precisar de proteção. Que eles são os grandes e eu a "miúda" que precisa ser protegida. E, acreditem, eu era uma verdadeira "pain in the ass", principalmente para aqueles que tocavam viola. Como eles tocavam muito bem (eram os meus ídolos musicais da universidade), sempre que eu apanhava algum de viola na mão pedia que me ensinasse a tocar a música A, B e C. Às vezes eu não tinha a minha viola comigo, mas arranjava logo um papel e uma caneta para anotar os acordes para treinar depois em casa... Nem sempre conseguia, porque nem sempre eram acordes fáceis, tipo Dó, Ré, Mi... Havia sempre um dedilhado lixado e um dedinho que tocava numa qualquer corda esquisita só para chatear!...
Consolava-me toda a ouvi-los tocar... Trajados, não trajados, em palco, fora dele, sempre que ouvia alguém tocar algures na universidade, lá ia eu a "correr" para onde o som vinha, normalmente no bar ou na sala de instrumentos, e lá ficava com eles, a deliciar-me a vê-los tocar. Cheguei a assistir a um ou outro ensaio e eram de uma disciplina que não vi igual...
A última vez que estive com alguns deles foi cá em S. Miguel, quando foram convidados a participar num dos festivais dos Tunídeos, algures em 2005 ou 2006. Todas as tunas têm guias nos festivais que participam e eu, apesar de não ter sido a guia deles, agi como se fosse e estive sempre com eles, claro (até porque a guia deles andava sempre fugida ahahaha!). Não vieram todos aqueles que eu conhecia da minha altura, como é natural, mas a tuna esteve cá e eu pude deliciar-me, mais uma vez, a ouvi-los tocar em palco e fora dele. Foi bom, foi inesquecível e foi o reviver de tudo aquilo que antes vivi. Continuavam com o mesmo espírito de antes!
Muitos parabéns Tuna Camoniana!
Oiçam-na nos próximos vídeos e deliciem-se como eu:
No Festival Camoniano, em 2000, onde eu estive presente!
Aproxima-se a noite de Natal e com ela também chega a nostalgia por tempos passados... lembranças de momentos vividos com aqueles que já partiram do meu mundo e que me deixam tanta saudade... os meus avós: a bisavó Beatriz, o avô Manuel Jacinto, o avô Sousa, a Alzira e a mais recente que partiu, a minha avó Maria dos Anjos... Que saudades dos beijinhos, de ouvir as vozes deles, dos abraços, dos sorrisos... Tenho a certeza que vão permanecer na minha memória o resto da minha vida, mas custa tanto tê-los em memória apenas... Em vida criamos laços. Esses laços são criados pelo sangue, por pessoas, por momentos. Ficamos presos uns nos outros, entrelaçados até sempre (uns mais que outros, claro!)... E é esse sentimento chamado de AMOR (o verdadeiro!) que nunca termina que nos mantém presos uns aos outros, mesmo que a morte nos separe...
Lembro-me da viagem quase silenciosa que fiz ao lado do meu irmão e junto com a minha M., em direção a Santo António, no dia que a minha avó morreu. Lembro-me do que senti ao chegar a Santo António. Lembro-me de sentir que um dos laços que me ligava àquela freguesia se tinha quebrado nesse dia em que ela respirou pela última vez. Lembro-me de sentir um vazio no meu coração... como se parte da minha história no Nordeste também tivesse ido com ela, como se a minha freguesia deixasse de ser um pouco minha, do pouco que ela já é...
Nesta quadra natalícia, abracem muito, beijem muito, amem muito, perdoem, sorriam... nada mais importa a não ser: sermos felizes uns com os outros... Um dia, tudo acaba...
Desde que o tempo começou a esfriar que me tem apetecido beber chá quentinho. E, se sinto fome, adiciono biscoitos.
Bom... sempre que como chá com biscoitos viajo no tempo. Lembro-me da minha infância. Lembro-me da Alzira, da Regina, da minha "tia" Raquel. Lembro-me que elas faziam biscoitos caseiros e sempre que ia à casa delas (por norma era a minha segunda casa lá em Santo António), que era quase diariamente, pedia para comer chá com biscoitos. Era chá com biscoitos e ovos estrelados, dos caseiros... Que saudades de ser mimada por elas.
A tia Raquel viva noutra casa com o seu marido, a quem eu chamava de avô. Nem ele era meu avô e nem ela era minha tia, mas tratava-os assim. A tia Raquel era irmã da Regina e da Alzira, que moravam juntas. A Regina era viúva e a Alzira solteira. Não tinham filhos, por isso "adotavam" as crianças que, como eu, gostavam de estar com elas. Sei que a minha tia Dídia também passava muito tempo com elas quando era pequenina. E o que tinham elas de especial?! Tratavam-me bem! Davam-me miminhos! Ensinaram-me a fazer crochê (hoje já não sei!), davam-me para comer aquilo que eu quisesse, tinham fotografias minhas espalhadas pela casa, como se fosse neta, faziam-me vestidos de lã (lembro-me que tive um que eu adorava azul e cor-de-rosa!) e roupinhas para as bonecas. Deixavam-me ir com elas ao galinheiro, ao quintal, tinham um cão que também era "meu", mas que quando estava na rua não me ligava nenhuma...
Quando saia da escola primária, parava sempre em casa delas para saber o que era o almoço, antes de ir para casa. Muitas vezes, se calhar elas já não tinham para mim (não tenho muita noção!), e diziam que era ovos estrelados com batata frita, porque sabiam que eu gostava e queriam que eu lá ficasse. Ia para o balcão da casa delas e esperava pela minha mãe passar para lhe dizer que ia almoçar lá. Às vezes calhava e que feliz que eu ficava! :)
A tia Raquel era a esposa, dona de casa dedicada e costureira. A Regina era a trabalhadora. Aquela que tanto ia para a terra como ia para a cozinha ou fazia crochê, sem problema nenhum. A Alzira era a "menina" da casa. Era quem sabia fazer crochê e tratar dos animais, principalmente do cão e, mais tarde, do gato que adotou. Era a mais magrinha e pequenina de todas. Chegou a uma altura que já lhe pegava ao colo, na boa. Devia ter, sei lá, uns 40kg, no máximo... Era a mais foliona, divertida e enchia-me de beijos. Das 3, foi a última a ir embora, se não me falha a memória, partiu há uns 4 anos...
Hoje, nenhuma delas está fisicamente entre nós, mas residem no meu coração. E sempre que como ovos estrelados caseiros ou chá com biscoitos sinto-as tão pertinho de mim...