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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Dia de pensar neles...

Ontem foi o dia de "Todos-os-Santos". Em jeito de brincadeira, os homens, por norma dizem, que este é o dia deles!!! Não percebo exatamente o porquê! :)
Brincadeiras à parte, este dia faz-me sempre sentir alguma nostalgia no meu coração. Transporta-me literalmente à minha infância, pois é lá que tenho as memórias perfeitas daqueles que já partiram e a quem nutri amor, aqueles que me aqueceram o coração de alguma forma. Aqueles que me abraçaram, me mimaram, me beijaram... Aqueles que me ensinaram que o amor nunca morre! Fica aqui sempre guardado no meu coração, enquanto eu viver... ele vai viver...

Saudades vossas...
E de todos aqueles que não tenho foto...





terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Comidas que me fazem viajar...

Desde que o tempo começou a esfriar que me tem apetecido beber chá quentinho. E, se sinto fome, adiciono biscoitos.
Bom... sempre que como chá com biscoitos viajo no tempo. Lembro-me da minha infância. Lembro-me da Alzira, da Regina, da minha "tia" Raquel. Lembro-me que elas faziam biscoitos caseiros e sempre que ia à casa delas (por norma era a minha segunda casa lá em Santo António), que era quase diariamente, pedia para comer chá com biscoitos. Era chá com biscoitos e ovos estrelados, dos caseiros... Que saudades de ser mimada por elas.
A tia Raquel viva noutra casa com o seu marido, a quem eu chamava de avô. Nem ele era meu avô e nem ela era minha tia, mas tratava-os assim. A tia Raquel era irmã da Regina e da Alzira, que moravam juntas. A Regina era viúva e a Alzira solteira. Não tinham filhos, por isso "adotavam" as crianças que, como eu, gostavam de estar com elas. Sei que a minha tia Dídia também passava muito tempo com elas quando era pequenina. E o que tinham elas de especial?! Tratavam-me bem! Davam-me miminhos! Ensinaram-me a fazer crochê (hoje já não sei!), davam-me para comer aquilo que eu quisesse, tinham fotografias minhas espalhadas pela casa, como se fosse neta, faziam-me vestidos de lã (lembro-me que tive um que eu adorava azul e cor-de-rosa!) e roupinhas para as bonecas. Deixavam-me ir com elas ao galinheiro, ao quintal, tinham um cão que também era "meu", mas que quando estava na rua não me ligava nenhuma...

Quando saia da escola primária, parava sempre em casa delas para saber o que era o almoço, antes de ir para casa. Muitas vezes, se calhar elas já não tinham para mim (não tenho muita noção!), e diziam que era ovos estrelados com batata frita, porque sabiam que eu gostava e queriam que eu lá ficasse. Ia para o balcão da casa delas e esperava pela minha mãe passar para lhe dizer que ia almoçar lá. Às vezes calhava e que feliz que eu ficava! :)

A tia Raquel era a esposa, dona de casa dedicada e costureira. A Regina era a trabalhadora. Aquela que tanto ia para a terra como ia para a cozinha ou fazia crochê, sem problema nenhum. A Alzira era a "menina" da casa. Era quem sabia fazer crochê e tratar dos animais, principalmente do cão e, mais tarde, do gato que adotou. Era a mais magrinha e pequenina de todas. Chegou a uma altura que já lhe pegava ao colo, na boa. Devia ter, sei lá, uns 40kg, no máximo... Era a mais foliona, divertida e enchia-me de beijos. Das 3, foi a última a ir embora, se não me falha a memória, partiu há uns 4 anos...

Hoje, nenhuma delas está fisicamente entre nós, mas residem no meu coração. E sempre que como ovos estrelados caseiros ou chá com biscoitos sinto-as tão pertinho de mim... 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Histórias minhas de Natal I: "Um dos natais felizes da minha infância..."

Vou contar-vos este natal da minha infância que foi um dos que me deixou marcas boas na minha memória....
Estava eu, os meus pais, o meu irmão, o meu primo Ruben, os meus tios, os meus avós, na nossa casa do Nordeste. Que saudades desse tempo!...
Depois do jantar, levaram-nos para a sala e lá ficamos a brincar, na conversa, a ouvir música ou sei lá mais a fazer o quê. O que me lembro bem é que a sala tinha um armário embutido (vão perceber mais à frente o porquê de referir este pormenor!). Lá de vez em quando ouvia-se um barulhinho e todos diziam que podia ser o Pai Natal, mas ninguém nos deixava sair dali. Eu, pessoalmente, lembro-me de estar toda entusiasmada para ir ver o que se estava a passar, mas tinha medo... Sempre fui muito medricas... Nunca arriscava nada... Assombravam-me imagens de vultos e Pais Natais que nunca tinha visto e por isso não sabia bem quem e como era... Preferia manter-me na ignorância... Ao contrário de mim, que ainda por cima era a mais velha, estava o meu irmão (um pinarreta minorquinho de se calhar 2 anos) e o meu primo que devia ter aí uns 5, 6 anos. Eles estavam cheios de pica para ir ver o Pai Natal (mais o meu primo, que o meu irmão era muito pequenino!)... O meu tio não estava na sala connosco, nem a minha mãe. Presumo que estivessem a por os presentes debaixo da árvore, enquanto os restantes nos distraiam... A dada altura um barulho ensurdecedor começou. Era o barulho de 2 tampas de panelas a bater uma contra a outra, mas na altura não associamos... Diziam eles que era o Pai Natal! Eu fiquei com o coração a 1000 e fugi para o armário embotido. Fechei-me lá dentro. Não queria ver, saber o que era... O meu primo não.... foi a correr ver o que se passava... O meu pai foi buscar-me ao armário e, como eu não ouvi gritos presumi que estava tudo bem e lá fui também ver o que se passava, no colo do meu pai, claro!...
Estava a família toda reunida na expetativa de ver a nossa reação com as prendas. Como todas as crianças, estavam presentes o entusiasmo e a felicidade daquela emoção de quando vemos prendas debaixo da árvore... Indescritível... eu pelo menos não estou a conseguir descrever!...
Tínhamos sempre uma árvore natural, enfeitada com luzes e bolinhas... Este foi dos melhores Natais da minha vida!...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Hoje sinto-os mais perto de mim...

Hoje é feriado. É o dia de Todos-Os-Santos.

É o dia que me lembro da minha infância e de ir pedir o Pão-Por-Deus pelas casas vizinhas da freguesia... Juntáva-me com alguns amigos e íamos batendo às portas a cantarolar isto:
"Pão-por-Deus
Queira Deus
Seja tudo pelo amor de Deus
A esmola que Deus fez."
E lá nos abriam a porta e nos davam doces, bolachinhas, biscoitos, pão e quem não tinha nada disso dava-nos troquinhos (e às vezes notas!). E lá íamos nós todos contentes para a próxima casa...

É também o dia que se visitam aqueles que já partiram deste mundo... E já partiram tantas pessoas minhas queridas... Sei que, se não for eu a morrer entretanto, vou continuar a somar pessoas queridas ao grupo de pessoas de quem sinto saudade e que sei que não voltarei a abraçar, pelo menos enquanto cá estiver... E é aqui que o meu pensamento dá a volta ao mundo (e aos planetas vizinhos!)... A única certeza que temos mal nascemos é que um dia vamos morrer, não há volta a dar.... De todas as coisas que dei à minha filha, esta era aquela que não queria dar, essa certeza, essa triste certeza que a fará chorar, que a fará triste, que a fará sentir-se sozinha, que a fará também passar pelo mesmo...

Bom, na verdade, neste dia gostaria de  poder visitar todas aquelas pessoas que partiram, mas seria uma maratona gigantesca, pois os cemitérios que teria de visitar estão espalhados por quase toda a ilha... por isso, na impossibilidade de fazê-lo, penso neles de forma mais intensa, este ano, especialmente, penso na minha avó, que partiu muito recentemente... E, sempre que penso nela sinto uma saudade enorme... Eu sabia que ia sentir saudades dela, mas não sabia que sentiria tantas... O que mais adorava nela era o seu sorriso e a forma como ria desalmadamente até as lágrimas lhe caírem... Nos últimos dias isso só acontecia quando a minha M. a visitava...

Avó, onde quer que estejas, recebe um beijo nosso...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ainda não é este ano... mas já penso nisso!

Ela ainda não vai para a escola este ano... mas já penso nisso! Sou mãe galinha?! Sim sou... confesso. Dizem que assumir algo é meio caminho para a cura, embora ache que nunca irei curar esta minha patologia, mas sabem que mais?! Não me importo! Sempre vivi com uma mãe galinha que, apesar de às vezes me fazer saltar a tampa, me fez (e faz!) muito feliz...

Já sei onde quero matricular a minha filha. Acho que sempre soube, mesmo antes dela nascer. Não quero escolas privadas para ela. Quero que ela frequente a escola pública, que conheça meninos de todos os níveis sociais e os aceite de igual modo, brinque com todos eles da mesma maneira. Quero que ela continue a ser dócil e querida como é, mas que se saiba defender quando for preciso. Hoje se alguém se mete com ela, ela choraminga e vem pedir-me auxílio. Às vezes ajudo, outras vezes não. Tenciono ajudá-la cada vez menos para ela poder aprender a desenrascar-se e a defender-se sozinha. Dar-lhe as técnicas de desenrasque para que se "safe", será o meu lema a partir de agora, porque sei que para o ano, quando entrar na escola, não vou estar lá para a socorrer... Vou fazer-lhe falta (e ela a mim!), eu sei! Sei que vai ser uma fase mais exigente para ela (e para mim também!), mas vamos superá-la juntas! Tem de ser!...

Por enquanto, ela continua com os meus pais, usufruindo dos cuidados e dos mimos dos avós que fazem por ela o que dificilmente faziam por mim e, por tudo o que lhe dão, por toda a ajuda que sempre me deram na educação, no crescimento, na alimentação (e nas fraldas!) da minha M., agradeço-lhes profundamente. Nunca conseguirei retribuir o suficiente por tudo aquilo que fizeram (e fazem!) por mim e, principalmente, pela minha filha... Tenho os melhores pais do mundo! Obrigada!