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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Já foi há 14 anos...

Já tinha 84 anos quando partiu... mas foi uma partida demasiado rápida, sem contarmos...
Lembro-me perfeitamente dele, do seu sorriso, do seu cheiro, do seu olho azul céu... De dançar com ele lá na sua casa... Lembro-me da última vez que nos encontramos. Lembro-me do último beijo que ele me deu. Lembro-me do último olhar que me ofereceu... Aquele olhar azul, o mais azul que vi em toda a minha vida...
Lembro-me que sempre me tratou bem... Apesar de ter um certo temperamento autoritário, eu falava com ele sempre na maior, ele permitia-me "abusar" (avós são sempre doces com os netos!) e acabava por sorrir... 
Era alto, bastante alto, e tinha umas mãos fortes, tão fortes que às vezes quando brincava connosco magoava sem querer... Queixávamo-nos e ele sorria. Não sabia...

Dele tenho as melhores recordações... e imensas saudades...

Ele e eu, talvez com 1 ano de idade...



Ele como sempre me lembro dele... 
De olho azul pequenino, bochechas rosadas e sorriso na cara...



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Uma carta para o meu avô...

Hoje ele faria 89 anos... e podia muito bem estar por aqui...

"Sei que um dia vamos voltar a ver-nos e vou voltar a ouvir a tua gargalhada contagiante... Sabes, às vezes fecho os olhos e consigo ouvi-la. Fico a imaginar-te debruçado no mesão que dividia a cozinha do quarto de jantar a rir e a atirar-me almofadas para me provocar enquanto eu tentava ver os desenhos animados. Nem imaginas o quanto isso me chateava... 
Oiço às vezes a tua voz a pedir a chave da garagem, no fim das escadas... Era uma irritação!...
Adorava fazer as viagens de autocarro contigo, quando cantávamos juntos a "Teresinha de Jesus" enquanto eu ia cambaleando pelo corredor do autocarro (hoje isso seria impossível!)...
Recordo-me muitas vezes de dizeres 1 ano antes de partires, quando estavas doente da hérnia, que só querias voltar a ficar doente para morrer. O teu desejo concretizou-se! Tu nem estavas doente do coração!... Mas foi ele que te traiu...
Lembro-me de te ver a trabalhar no quintal cheio de genica, como se tivesses 20 anos! Sempre foste muito forte! :)
Falavas e rias alto e brincavas com toda a gente. Sempre me lembro de defenderes a nossa família com unhas e dentes e eu orgulho-me muito disso. Foi uma pena teres partido tão cedo, porque sinto que tinhas muito mais a dar a nós e a todos os que te rodeavam... mas esse foi o teu (e nosso) destino. Tivemos de habituar-nos a viver na tua ausência... Mas, mesmo depois deste tempo todo de distância, eu lembro-me muito e muitas vezes de ti...

Parabéns avô!
Sopra bem essas velas aí em cima e faz uma festa daquelas. 
Tens agora também a avó para te cantar os parabéns... :)

O que continuo a sentir por ti, mesmo depois de 23 anos desde a tua partida, é a prova de que o amor, quando é verdadeiro, não morre, nem se esquece com a distância!"

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Uma festa improvisada, mas merecida....

Não era para fazermos nada de especial, mas nessa manhã a minha M. diz "Mãe quero cantar os parabéns ao avô!" e eu disse-lhe "Podes cantar!" (até porque o avô estava ali presente a ouvir a conversa!), mas ela diz "Mas tem de ter bolo!"... 
Dahhh Vera! Dahhh família! Aprendam com vossa mais pequenina professora! É isso filha! Se faz anos tem de haver bolo. Se faz anos tem de haver comemoração. Se faz anos temos de estar felizes e fazer a festa a favor da vida, da saúde e do amor que nos une. Isso não é o mais importante?! É sim! Sem dúvida!
Ela foi com o avô para a Lomba da Maia nessa manhã e ficou combinado eu ir depois do trabalho e o meu irmão também para pelo menos jantarmos juntos. Mas... combinei com o meu irmão fazer o tão pedido e merecido bolo. Saí do trabalho, fui a casa e pus mãos à obra. Não foi o bolo que ele mais gosta porque não tinha os ingredientes todos e a "festa" será noutro dia, mas foi um bolo maravilhoso de abóbora. Maravilhoso quando não fica enqueijado, como ficou... Mas não me importei até porque o aniversariante adora bolos enqueijados... Tinha tanta vontade de comer um bolo enqueijado que até o bolo saiu na perfeição, mesmo sem eu querer... Enfim... também me sai disso na rifa!... Já disse aqui que não sou boleira!

Bom, jantamos juntos, a minha M. ficou maravilhada com o bolo até porque tinha marshmallows (enquanto andávamos na cavaqueira uns com os outros, ela aproveitou para ir comendo "sem ninguém ver"!), cantamos-lhe os parabéns, com a presença da minha avó querida (que ainda está debilitada), o aniversariante soprou a vela junto com a neta e, olha, sorrimos juntos... O amor que nos une fortalece-nos a cada dia... Simples, mas com muito sentimento!


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Hoje sinto-os mais perto de mim...

Hoje é feriado. É o dia de Todos-Os-Santos.

É o dia que me lembro da minha infância e de ir pedir o Pão-Por-Deus pelas casas vizinhas da freguesia... Juntáva-me com alguns amigos e íamos batendo às portas a cantarolar isto:
"Pão-por-Deus
Queira Deus
Seja tudo pelo amor de Deus
A esmola que Deus fez."
E lá nos abriam a porta e nos davam doces, bolachinhas, biscoitos, pão e quem não tinha nada disso dava-nos troquinhos (e às vezes notas!). E lá íamos nós todos contentes para a próxima casa...

É também o dia que se visitam aqueles que já partiram deste mundo... E já partiram tantas pessoas minhas queridas... Sei que, se não for eu a morrer entretanto, vou continuar a somar pessoas queridas ao grupo de pessoas de quem sinto saudade e que sei que não voltarei a abraçar, pelo menos enquanto cá estiver... E é aqui que o meu pensamento dá a volta ao mundo (e aos planetas vizinhos!)... A única certeza que temos mal nascemos é que um dia vamos morrer, não há volta a dar.... De todas as coisas que dei à minha filha, esta era aquela que não queria dar, essa certeza, essa triste certeza que a fará chorar, que a fará triste, que a fará sentir-se sozinha, que a fará também passar pelo mesmo...

Bom, na verdade, neste dia gostaria de  poder visitar todas aquelas pessoas que partiram, mas seria uma maratona gigantesca, pois os cemitérios que teria de visitar estão espalhados por quase toda a ilha... por isso, na impossibilidade de fazê-lo, penso neles de forma mais intensa, este ano, especialmente, penso na minha avó, que partiu muito recentemente... E, sempre que penso nela sinto uma saudade enorme... Eu sabia que ia sentir saudades dela, mas não sabia que sentiria tantas... O que mais adorava nela era o seu sorriso e a forma como ria desalmadamente até as lágrimas lhe caírem... Nos últimos dias isso só acontecia quando a minha M. a visitava...

Avó, onde quer que estejas, recebe um beijo nosso...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O avô Sousa faz anos hoje, na terça-feira da festa, como ele gostava...

Ele tinha os olhos mais azuis que eu já vi na minha vida! Eram azuis da cor do céu, em dia lindo de sol. Eram tão lindos... Em 2004 fecharam-se pela última vez, sem que ninguém estivesse à espera desse desfecho... Foi um choque, foram 2 dias de muita tristeza, mas tivemos de lhe dizer adeus...
Ele era alto, imponente! O único que herdou essa postura foi o neto mais velho. A postura e o dedo mindinho. Mas a cor dos olhos ninguém herdou... Teve 2 filhas, 6 netos, e à altura do seu adeus, 1 bisneto (o único com os olhos claros, mas não são azuis!). Hoje, se fosse vivo, teria mais 3 bisnetos... A família cresceu, mas nunca ninguém o esqueceu...
Ele adorava fazer anos! Calhava sempre na altura da festa da Lomba da Maia, umas vezes mais cedo, outras mais tarde, mas quando calhava na terça-feira da festa (tipo este ano) é que era o expoente máximo da felicidade para ele, pois tinha a sua família toda junta: se calhar das coisas que mais gostava... Fazer anos para ele significava a alegria de estar vivo mais um ano e agradecer por essa oportunidade ("Não é para todos!" dizia ele) - um ensinamento que me deixou e que tento cumprir à risca: sentir-me feliz quando faço anos...
A terça-feira da festa é sempre assinalada com o ajuntamento das famílias na Lomba da Maia. Antigamente fazíamos um cozido nas Furnas, íamos à praia da Ribeira Quente e almoçávamos numa das mesinhas à volta da Lagoa. Hoje, nem todos estão de férias, nem todos têm a mesma mobilidade, mas todos desejam o mesmo: jantar em família. Assim se mantém a tradição...
Casou e, passado poucos anos, emigrou para o Canadá muitos anos... Viveu em Vancouver! Lá sei que pescava trutas enormes e trabalhava nos caminhos de ferro (se não me engano!)... Regressou para ficar pouco antes da minha mãe casar. Ela nunca teve aquela ligação chegada com ele, criada pela ausência, mas sei que sempre gostou dele...Era o seu pai!
Cá ele era agricultor. Tratava do seu quintal, do quintal de um amigo e também da sua terra onde tinha uma vinha e macieiras que davam umas maçãs tão boas, a que chamávamos pêros, e com as quais a minha avó fazia uma tarte de maçã divinal. Não havia um fim-de-semana que não trouxéssemos algo para casa. Eram batatas, feijão verde, cebolas, uvas, tomates, pepinos, abóbora, alhos, couves, limões, feijões vermelho e branco, pêros, ameixas... de acordo com a estação de cada um!
Lembro-me que adorava dançar... Lembro-me de, às vezes, juntar-me a ele e dançávamos valsa (a sua preferida), enquanto ele cantava a música. Isto aconteceu muitas vezes... 
Lembro-me também do dia em que fez 50 anos de casamento... Todo ele era alegria! Ele estava feliz (muito mais que a minha avó, que sempre foi muito comedida nas emoções!), sorria, tirou montes de fotografias sempre a sorrir, queria dar muitos beijinhos à minha avó, mas como ela é uma mulher recatada, não queria essas intimidades em público! Juntamos a família toda. Foi um dia verdadeiramente especial, tão especial como foi o casamento deles. Sei que foram felizes. Apesar dos anos que estiveram afastados, sempre me lembro de os ver juntos e em concordância um com o outro. 
Não havia ida à cidade de Ponta Delgada ou Ribeira Grande que ele não nos trouxesse uma queijada de nata ou um Twix (para mim, porque ele sabia que eu gostava!). Ainda hoje pela festa, a minha avó encomenda sempre queijadas de natas (as suas preferidas) e distribui pelas filhas (e os netos/bisnetos também comem) em honra dele. Elas sabem sempre bem, se calhar tão bem como a existência dele nos sabia a nós!... Hoje ele só existe na nossa memória, mas o amor que sentimos por ele permanece vivo em cada um de nós... Saudades são muitas... 
Hoje é terça-feira da festa, avô, e hoje fazes anos! 96 anos... Podias muito bem estar aqui connosco neste teu aniversário... Vamos reunir a família porque assim a tradição o exige!... 

terça-feira, 28 de junho de 2016

O meu avô Manuel Jacinto

Ele era condutor de autocarros. Toda a gente conhecia o Sr. Manuel Jacinto. Era alto e forte. Tinha o cabelo grisalho e fininho. O nariz dele era torto. Os olhos eram verdes, maravilhosos. Era bem disposto e muito brincalhão! O seu sorriso era reconhecido à distância. Era um sorriso muito particular. Era muito trabalhador. Sempre me lembro de o ver a trabalhar no quintal ou a conduzir o autocarro. "Intenicava" muito connosco. Para ele sorrir era vê-lo a "intenicar" com alguém: era com os netos, com os meninos da escola que ele transportava todas as segundas, quartas e sextas. E eu, normalmente ia com ele. Lembro-me de ir com ele levar os meninos da Fazenda primeiro e depois regressava à escola para ir buscar os meninos de S. Pedro e de Santo António. Ele brincava com todos os meninos e não havia um sequer que ele não brincasse e nenhum nunca lhe faltou ao respeito. "Ele era grande" deviam pensar eles! :P Lembro-me que depois de ir levar os meninos da Fazenda eu ficava a correr pelos corredores do autocarro e experimentava todos os bancos para ver qual deles gostava mais... Muitas vezes sentava-me no banco do meio lá atrás e ele ficava a ver-me pelo espelho. Nessa viagem íamos sempre cantando a música "Teresinha de Jesus", é a música que mais me faz lembrar do meu avô...
Ele nunca foi uma pessoa doente. Nunca me lembro dele doente exceto 2 vezes: uma das vezes quando foi operado à hérnia e a outra vez quando, infelizmente, ele morreu...
Ele adorava futebol. Não havia jogo do Nordestinho que ele faltasse. Mas em relação aos "grandes" continuo sem saber se ele era do Sporting ou do Benfica. É o que dá ser muito brincalhão! E não se deve brincar com coisas sérias como esta. :)
Ele era um homem sério. Não devia nada a ninguém. Não guardava rancor de ninguém (pelo menos que eu me tenha apercebido!). Era um bom homem. Nas cheias de 1988 (salvo o erro a data!), quando ambas as pontes que serviam de acesso a Santo António, caíram, Deus não permitiu que o meu avô caísse numa das pontes, na do Espigão. Ele viu que o chão estava a mover-se e, no mesmo instante fez marcha atrás com o autocarro. Outro senhor não viu o mesmo que ele e caiu da ponte abaixo, acabando por morrer. Foi o meu avô que o puxou debaixo do camião onde ele ia e onde permaneceu alguns dias. O meu avô foi um excelente pai. Também foi um bom marido (que eu saiba e tenha visto!), pois cedia a todas as vontades da minha avó. Normalmente, todas as férias dele viajavam pelo mundo fora. Trabalhou uma vida inteira. Reformou-se um ano antes de falecer. Nesse ano, foi à Bermuda, Estados Unidos e Canadá. Viu toda a gente da família como se estivesse a despedir-se de cada um.
Um dia, começou a sentir-se cansado... os médicos no Nordeste disseram-lhe que era gripe(!!!). No domingo, como era "gripe", ajudei-o a escolher uma camisola quentinha que dissesse com o fato de treino azul que ele usou para ir ver o jogo do Nordestinho. Sentia-se ainda mais cansado e inchado. Na terça-feira, o Dr. Roberto passou lá em casa e disse-lhe que era do coração e mandou-lhe para o hospital urgentemente. Ele só foi na quinta-feira seguinte. Nas urgências ficou de quinta-feira para sexta-feira, lá sentado numa cadeira, ao abandono, quando o passaram para a enfermaria. O médico que lhe deram foi o Dr. Henrique de Aguiar, que tinha ido passar o fim-de-semana às Furnas. Por nem lhe ter visto, os enfermeiros não lhe podiam aplicar qualquer medicação. Só estava a levar oxigénio. Ele faleceu na noite de domingo para segunda-feira, dia 31 de Janeiro, depois de ter sabido que o Nordestinho tinha ganho o jogo de domingo, e depois de se ter despedido de cada um de nós. Se fechar os olhos, ainda consigo sentir o beijo que ele me deu na cara. O seu último beijo. Há 24 anos atrás...

Hoje ele faria 90 anos. Podia muito bem estar vivo, tal como a minha avó está...




terça-feira, 12 de abril de 2016

O avô toma conta

Hoje a minha M. está aos cuidados do seu avô. Muita gente me pergunta se ele dá conta do recado e eu digo "sim e com distinção!". 

O meu pai sempre foi um homem muito ocupado. Sempre trabalhou muito. Tanto que nem sempre tinha tempo para ajudar a minha mãe a cuidar de nós, mas lembro-me dele me levar para todo o lado, até para o trabalho dele (o que às vezes era uma seca porque ele via em mim uma "menina de recados"). Apesar disso, sempre foi muito presente. Sempre esteve por perto. Não se envolvia nos assuntos da escola (essa era a parte da minha mãe, não fosse ela professora!), mas ia passear connosco e proporcionava-nos momentos de muita alegria, como ir à praia/piscina (coisa que sempre adoramos!) ou levar-nos para algum sítio (parque natural/mato,...) para podermos brincar à vontade. Foi ele quem me ensinou a nadar e a conduzir (aos 7 anos, pôs-me a conduzir um trator - num campo de futebol, em modo automático, claro!). Quando tirei a carta de condução, toda a gente dizia que tinha de ganhar experiência primeiro, mas ele não, deu-me logo a chave para a mão e disse "A experiência ganha-se conduzindo!" (e eu tive o melhor professor!). Confiou em mim. Foi ele que me levou a Lisboa quando fui estudar e ficou comigo uma semana para me ambientar. Foi ele que me ensinou o trajeto que deveria tomar para ir para a Universidade. Da mesma forma que também foi ele que me deixou lá sozinha e foi tãoooooo difícil para mim. Fiquei de rastos. É um momento que nem gosto de recordar. Mas acredito que ele também tenha ficado com o seu coração pequenino. Deixar uma filha em Lisboa sozinha não deve ser fácil. Era ele que me visitava lá de vez em quando em Lisboa e levava-me para todos os sítios onde ia. Conheci grande parte do país com ele.

Da mesma forma que ele confia em mim e sempre confiou, eu confio-lhe a minha filha, a neta que ele tanto adora. Não me mudou fraldas a mim, mas muda as da neta. Veste-a. Dá-lhe de comer. Faz-lhe dormir. Passeia com ela quase todos os dias: uns dias vai ver o mar, noutros a bisavó, noutros vai ao parque infantil ou, então, quando chove, vai à zona de crianças do Parque Atlântico (eu nunca vi o meu pai num centro comercial cá, muito menos o maior deles todos!), leva-a ao hiper para fazer compras, no Verão leva-a para a piscina. Ela adora-o! Em bebézita era só com ele que dava brutas gargalhadas. 

O meu pai é um grande PAI e um grande AVÔ! Obrigada pai... O que fazes à M., estás também a fazê-lo a mim, novamente... Obrigada!

quinta-feira, 31 de março de 2016

A minha horta...

Nunca tive jeito para terras, mas sou neta de dois avôs que tinham imenso jeito... 

Um deles tinha uma quinta imensa, no Nordeste, que ele cuidava sozinho (às vezes o meu pai ajudava!) aos fins-de-semana ou final dos dias de trabalho e onde eu brincava ao "assaltar" o meu próprio quintal (se os meus pais não se impusessem eu daria uma bela ladra!!!)... Cheguei, em criança, a tirar batata da terra, cortar a florinha que dá na beterraba (e também sentir a comichão infernal que aquela planta dá!!!)... Eu até cheguei a ir com o meu pai tratar de bezerrinhos (quando uma vez também ele se aventurou!)!!! Ninguém diz hein?! Mas é verdade!... Sou uma menina do campo, com muito orgulho!

O meu outro avô, tinha uma grande vinha na Lomba da Maia, onde passávamos um fim-de-semana inteiro a apanhar uvas num terreno super inclinado e depois tínhamos de levar os cestos cheios (cheios!!!!) de uvas até ao cimo da terra (mais próximo do caminho)... Era muitooooooooooo cansativo, mas era bastante divertido, pois no meu da trabalheira também brincávamos todos juntos (primos, padrinhos, tios, avós)... Além dessa terra, e além do seu próprio quintal, o meu avô também tomava conta de uma terra (e de uma casa) de um senhor emigrado e era de lá que saiam as batatas, o feijão verde, o feijão de outras cores, as ervilhas, as couves e outras coisas mais que depois distribuía pelas filhas ao fim-de-semana... E era tão bom comer aquelas verduras fresquinhas!!!

Eu senti necessidade de também cultivar qualquer coisa, enquanto tenho terreno para tal... E foi assim que tive uma ideia: porque não usar o pequeno pedaço de terra que existe atrás da nossa futura casa?! 
E assim foi... Cultivei-o com algumas coisas, mas sei lá, com o temporal que entretanto fez nos últimos meses, pensei que tivesse morrido tudo... mas não... há sempre alguma coisa que sobrevive na vida.

A minha hortinha é diversificada. Não sei muito bem se vai dar certo. Mas o que é um facto é que as coisas estão a crescer e a dar um ar da sua graça e isso é muito gratificante... Se vai dar algo ou não, não sei... vamos ver... um dia de cada vez!

Está linda, não está?!