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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O dia mais feliz da minha vida - parte IV

Nesse momento em que ela estava já a sair, só oiço a enfermeira Odete a dizer "Não faças força! Não faças força!"... Pensei eu "Olha agora! Tiveram o tempo todo a pedir-me para fazer força e agora que estou com a embalagem toda pedem para parar?!" Aquilo não funcionava assim... Até porque era uma força sobrenatural da qual não tinha controlo. Todo o meu organismo pedia para fazer força... Até que me apercebi que a minha menina estava com o cordão umbilical à volta do pescoço e tentei parar de fazer força, com toda a força que tinha... Graças a Deus correu tudo bem e a minha menina saiu bem, às 19h10 do dia 28 de janeiro de 2014...
Puseram-na em cima da minha barriga enquanto o namorido cortava o cordão umbilical... Ela estava num tom cinza... Via as suas perninhas esticadas, com os seus 10 dedinhos, fiz-lhe festinhas na sola dos pés! Tinha as mãos a tremer... Sabem aquela imagem da bebé nua em cima da barriga da mãe a olhar para ela?! Utopia, meus caros!
Levaram-na para um quartinho ao lado daquela sala para a aspirarem e fazerem o que se faz (que eu não faço ideia o que mais fazem com eles...) com os recém-nascidos. Entretanto estava lá eu, toda literalmente aberta... Sentia como que se tivesse passado um camião por cima de mim... O namorido ficou ali comigo. Pedi-lhe para ir ver a bebé... Não fossem trocá-la com outra bebé sem vermos! Sei lá... Naquele momento passou-me tudo pela cabeça!...
Comecei a tremer de frio... Julgo que foi efeito da epidural (aquela anestesia que quase nem dei por ela... Essa mesmo...!). Taparam-me com o que tinham à mão... e, por ter-me rebentado muitos vasos sanguíneos, a enfermeira Odete não conseguia "coser-me" bem e então pediu ajuda ao Dr. André Sampaio, que foi um amor de pessoa e bem disposto (que era mesmo disso que estava a precisar!). Veio com mais um médico, que não me recordo do nome, mas era novinho... Ambos ali a verem muito mais do que alguma vez vi de mim!!! Aquele "bordado a ponto cruz" que me faziam doía tanto, tanto, uma dor bem fininha e irritante (não como a do parto que era gigantesca), que acharam melhor anestesiar-me localmente! Ala mais anestesia para o organismo, como se eu não tivesse levado a tal epidural! Se tiver outro filho, peço epidural no momento do inquérito, só para assegurar a coisa lá para a hora do parto! :P
Depois de um tempo trouxeram a minha menina para junto de mim, vestida com a roupinha que lhe tinha escolhido, cor-de-rosa, a cor que ela, ainda hoje, diz ser a sua preferida. Com o seu gorro a dizer "Baby girl", toda embrulhadinha e sossegadinha... Colocaram-na do meu lado esquerdo e ali ficou. Foi a imagem mais bonita que vi em toda a minha vida! Uma bebé linda, perfeitinha, com umas pequenas bochechinhas, toda pequenina e frágil e, naquele momento só pensava "Agora tudo será diferente. Agora este pequeno ser depende de mim. Será que vou conseguir ser uma boa mãe para ela?!" e, nesse momento, prometi a mim mesma que acima do meu querer, da minha vida, da minha felicidade, estaria a dela... Nesse momento, agradeci a Deus por me ter colocado nos braços aquele ser por quem daria a própria vida... Passei a acreditar no amor à primeira vista! :)
Perguntaram-me se eu ia dar de mamar nessa altura. Eu disse que ia tentar, mas pensava que ainda não tinha leite (porque até então não tinha visto qualquer vestígio!). Quase que "gozaram" comigo e disseram "Claro que tens! Queres ver?!" e meteram-na a mamar... e o segundo milagre do dia aconteceu! Estava a alimentar a minha filha... E surpresa das surpresas... Não era assim tão ruim, tão estranho como pensei que ia ser...





O dia mais feliz da minha vida - parte III

Depois da epidural, as coisas melhoraram consideravelmente... Sentia dores, mas não tão fortes como estava a ficar antes da "drogazita boa"... O namorido quis ir ao carro buscar a máquina fotográfica (e fumar uma cigarrilha - para comemorar só pode!) e eu lá fiquei com a minha cunhada e a enfermeira Odete...
Mas, mal ele saiu do quarto, uma dor impossível de controlar tomou conta de mim... Precisava urgentemente de ir ao wc (mesmooooo!)... Novamente a enfermeira Odete disse que antes de eu ir ao wc teria de fazer novo "toque"... Ainda antes de fazer o tal toque, pediu-me para eu fazer força. Achei estranho e, como não queria ter a minha necessidade feita ali, recusei-me a fazê-la ali... Quando ela me diz "Essa dor é para a sua menina nascer. Temos de ir já para a sala de partos!"
Pânico!!!! Senti que o meu relógio andava a 200km/h, porque nem 1h tinha passado, pensava eu...!
"Sala de partos?! Isso é aquela sala onde a bebé nasce?! E onde ficaram as 12h?". Nesse momento tenho registado a última sms para o meu obstetra, às 18h40, a informá-lo que a minha Matilde ia nascer...
A minha cunhada chamou o namorido que tinha acabado de chegar ao carro e de acender a sua cigarrilha. Teve de apagá-la e vir ter comigo às corridas até porque ele também teria de assistir àquele momento em que a nossa filha ia nascer...
Na famosa sala de partos senti-me literalmente um frango no churrasco, daqueles todos abertos que se compram ali no hiper... O namorido estava do meu lado esquerdo a segurar-me a mão e a minha cunhada passou a ser a fotógrafa de serviço. Entre as minhas pernas, lá ao fundo, tinha pelo menos 2 enfermeiras, a D. Odete e uma outra que não fixei o nome e nem me recordo da cara (há coisas que se apagaram da minha memória, com muita pena minha!). 
Dali a nada chega a primeira enfermeira com quem me tinha cruzado quando cheguei ao hospital: a que me fez o inquérito inicial, e ficou ao meu lado direito. Fiquei feliz por ela ter querido estar presente! Gostei dela!
Agora sim, doía mesmo muito e com muita frequência. "Afinal que raio de epidural me deram?!" - pensava eu - "Para aquilo teria de ser administrada dose de cavalo! Que era aquilo?! Era tão frequente e tão incontrolável...".
"Força! Força! Faz força!" diziam-me todas ao mesmo tempo... Precisava de me concentrar e não estava a conseguir! Pedi-lhes para falarem uma de cada vez que eu tinha de me concentrar para fazer força... A enfermeira do inquérito apertava-me delicadamente a barriga para me ajudar a expulsar e a minha bebé nada de sair... Houve, inclusive um momento, que olhei para o namorido e só lhe dizia "Eu não consigo! Eu não consigo!" e ele apenas olhava para mim, com aquele ar preocupado, sem saber o que fazer ou dizer... um ar que eu poucas vezes vi em quase 11 anos de convivência...
Só me lembrava da conversa perigosa que me assombrava "A paralisia cerebral acontece no parto!"... Tinha de por a minha menina para fora o quanto antes... E não estava a conseguir... 
Entretanto, estava lá um médico ou enfermeiro, não sei... só sei que se chamava António, armado em carapau de corrida a dizer que com a sua ajuda é que ia ser! "Olha-me este cromo!", pensei eu, "Quem vai ajudar a minha menina a nascer sou eu, não és tu que vens aqui dar-me socos na barriga para ela sair...". A enfermeira do inquérito disse que não era preciso a ajuda dele que eu conseguia sozinha (ah boca santa! Eu sabia que ela tinha aparecido por algum motivo: ser o meu anjo da guarda!) e assim foi!...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O dia mais feliz da minha vida - parte II

No hospital deram-me as roupas espetaculares para eu vestir e um saco do lixo para colocar as minhas (!!!). Já com o novo modelito, fiz o primeiro CTG. Nunca o tinha feito antes... Enquanto o fazia, respondia a um enorme inquérito feito por uma enfermeira super simpática que me disse estar apenas a fazer trabalho de secretariado naquele dia... O melhor de tudo foi estar sempre a ouvir o coração da minha princesa... Ela fez-me o meu primeiro "toque" e foi do mais querida que podia haver, pois disse-lhe que tinha ouvido horrores sobre os "afamados toques"... Disse-me que tinha 1cm de dilatação, portanto, era provável que ficasse no hospital 48h para observação, pois aquilo podia não evoluir, até porque estávamos de apenas 36 semanas...
Mãe nunca desiste dos filhos, por isso não sei como a minha mãe conseguiu, mas ela apareceu ali. Queria ver como eu estava. Na altura não queria vê-la, porque queria estar calma e tinha a certeza que ela podia por-me nervosa, mas hoje percebo que ela só estava preocupada comigo e queria ver com os seus olhos que eu estava bem...
O namorido ligou-me a perguntar como estavam as coisas. Depois do que a enfermeira me tinha dito, disse-lhe que estava tudo bem, que depois que ele saísse do trabalho poderia vir ter comigo, mas que estava tudo normal.
Dali a pouco fui pelo meu pé para o Bloco de Partos juntamente com um senhor e uma senhora de cadeira de rodas (também me perguntaram se queria uma, mas eu estava bem, disse que não ia precisar...) e fiquei instalada num quarto só para mim, com uma enfermeira espetacular chamada Odete (não me recordo do último nome!), que me colocou o soro da forma mais delicada possível (não doeu nada como eu imaginava que poderia doer! Sou muito mariquinhas!)...
Chegou o namorido e lá ficou comigo... Eu estava bem! Não sentia dores quase nenhumas... Estava ali deitada... Até que comecei a sentir uma moínha estranha e comentei com a enfermeira Odete. Ela disse que teria de fazer um "toque". Falei-lhe novamente do meu trauma com os "toques" e, mais uma vez fui abençoada pelas mãos de fada dela... Olhou para mim e disse "Temos de chamar a equipa de anestesia!", perguntei-lhe porquê. Ela disse que a hora de levar a epidural, caso quisesse (óbvio que queria!), seria agora ou depois não poderia levar. Estava com 4cm de dilatação. Nessa altura comecei a formatar o cérebro para o parto, mas ela tranquilizou-me e disse "Oh minha menina, ainda tens pelo menos 12h pela frente!"... 12 horas???? 12 horas nisto?! Oh meu Deus... 
Nesse momento chegou também a minha cunhada, que é enfermeira e soube que estávamos lá... De seguida veio a equipa da epidural e, mais uma vez, mãos de fada mexeram no meu organismo... Não sei se pela adrenalina, se pelo nervoso miudinho que fingia não sentir, nem a agulha do soro, nem a da epidural, nem os toques me magoaram... Quem me conhece sabe a minha aversão a hospitais, médicos, enfermeiros, agulhas,... e o nascimento da minha filha foi tudo tão perfeito!... 


O dia mais feliz da minha vida - parte I

Acordei... fui tomar banho... quando voltei olhei-me ao espelho... a minha barriga estava demasiado subida e pensei "Ainda tenho um mês para ela descer... não vou stressar por causa disso!" (diziam que com a barriga subida o parto era mais complicado...). Hoje, às 17h30 teria a consulta das 36 semanas da minha filha... Ia ouvir o seu coração e vê-la do pequeno ecran mais uma vez...
Fui ao hiper! Já tinha começado a comprar os mantimentos para os tempos de clausura que se avizinhavam... Tinha a certeza de que se pedisse detergente de roupa "X" ao namorido ela não saberia comprar aquele que eu queria, então, aos poucos fui começando as compras para ficar descansada nos próximos meses... Comprei também os ingredientes para o bolo brigadeirão que lhe ia fazer pelo seu aniversário no próximo dia 31, porque ele é um "chocolate addicted"...
Fui para a casa dos meus pais... às 15h fui levar a minha mãe à consulta de ouvidos que ela tinha (na altura ela pensava que não ouvia bem!) e trouxe o meu irmão para almoçar em casa. O combinado seria depois levá-lo ao trabalho pelas 16h e trazia a minha mãe comigo...
Ele estava na cozinha a almoçar e eu no escritório a atualizar o meu facebook quando, pelas 15h30............... senti uma grande quantidade de água quente a sair de mim, sem eu ter qualquer tipo de controlo, e que me deixou toda molhada. Fui logo ao wc e, como estava de preto, não conseguia ver a cor do tal líquido.... Comecei a tremer quando vi o tal que me parecia ser o "rolhão", mas como nunca tinha passado por aquilo não tinha a certeza... Chamei o meu irmão... à 2ª chamada ele veio e disse, com cara de pânico (como eu tinha a minha!), mas fingindo não a ter, "Se calhar rebentaram-te as águas!"... Disse-lhe que não devia ser porque isso só aconteceria no mês que vem... Pedi-lhe que ligasse para o meu médico para ele me dizer o que devia fazer. Não atendeu! Estava a dar consultas, claro! Pedi-lhe para ligar para uma enfermeira que me tinha dado uma "formação" e ela disse para ir para o Hospital... A sair de casa dos meus pais liguei ao namorido e contei-lhe o que se passava, que depois de estar no hospital dizia-lhe algo...
Passei em casa para trocar de roupa (não ia ao hospital molhada daquela maneira!)... mas mal pus uma nova roupa, mais uma quantidade de água saia e molhava a minha roupa de novo... Lá fui eu de pijamas para o hospital, pois eram as únicas calças pretas que me restavam (não podia correr o risco de pensarem que estava a fazer xixi pelas pernas abaixo, por isso só podia vestir calças pretas!)...
Nesse momento, o meu médico retribuiu a chamada que lhe tinha feito (o meu irmão, no caso!). Disse-me para ir para o hospital e para levar as minhas coisas e as da bebé, pelo sim pelo não. Para as deixar no carro, caso fosse preciso... Mas teria de lá ir ver o que se estava a passar e que depois das suas consultas ia ver-me... Estivemos sempre em permanente contacto por sms durante todo o resto do dia... Um anjo o meu obstetra!
Eram 16h quando entrei no hospital com o meu irmão, ignorando as chamadas desenfreadas da minha mãe, por estar na hora do meu irmão entrar ao trabalho e nós sem aparecermos perto dela. Pedi-lhe para ele ir buscar a nossa mãe, mas para ela não vir ter comigo, pois a minha mãe é demasiado nervosa e naquele momento eu precisava de muita calma para lidar com o que me estava a acontecer... Tenho um trauma com hospitais e quanto mais calma estiver, melhor!...


quarta-feira, 30 de março de 2016

Estive grávida 36 semanas na minha vida...

Sinto como se hoje, passados 2 anos, 2 meses e 2 dias, continuasse grávida, pois a ligação que me une à minha filha é imensa e indescritível... É um AMOR sem fim, sem peso nem medidas, puro na sua essência!
Desconfiei que poderia estar grávida quando, durante 2 dias de atraso ocorreu, e o meu peito passou a doer sempre que me mexia, sempre que me levantava à noite para fazer chichi, sempre que o carro passava por alguma lomba na estrada (doía mesmo!!!!)... 
Decidi fazer o teste por descargo de consciência... Não comentei com ninguém, pois podia ser paranóia minha... Fiz o teste no dia 21 de Junho de 2013, estava eu sozinha em casa. Era sexta-feira, eram 17h e pouco... Poderia ter esperado pela manhã seguinte, mas pensei "se estiver grávida, vai aparecer seja o 1º ou 20º chichi do dia! Fiz o teste, pus o teste em cima da banquinha da casa de banho. Sai e fechei a porta... Andei de um lado para o outro, pela casa, enquanto esperava os 3-5 minutos (já nem sei quantos são). Não aguentei e voltei à casa de banho... Vi 2 risquinhos... Reli as instruções porque já me tinha esquecido o que devia aparecer... Era positivo! Estava grávida!... Não podia acreditar no que me estava a acontecer... Senti um misto de sensações: medo, ansiedade, amor, felicidade,... Afinal não era qualquer coisa! Era um bebé que tinha ali a crescer na minha barriga! Era o meu filho! Meu filho! Essa palavra soava-me a tanta responsabilidade! Será que ia ser uma boa mãe?!
No fundo eu tinha um feeling de que seria uma menina, facto que se veio a comprovar semanas mais tarde. Era uma menina! Já tinha uma companhia para as coisas do "mundo feminino", uma amiga verdadeira para o resto da minha vida... Uma menina que eu iria proteger até à última instância, até ao meu último suspiro.
Senti o primeiro "mexer" pouco antes de entrar para o duche e foi muito estranho! Foi como se tivesse um "alien" dentro de mim e, na verdade, era outro ser, com vontade própria, com a sua própria personalidade. Assim foi desde esse dia até hoje e assim será cada vez mais...
Foram 36 semanas de aventuras, de novidades, de felicidade por sentir e "ver" crescer um ser dentro de mim...
Adorei estar grávida, mas não gostei de ter a minha barriga gigante (apesar de hoje ter saudades dela e de vê-la cheia de ondas), não gostei dos desconfortos iniciais (graças a Deus não fui de enjoar muito!) e dos finais (não tinha posição para dormir!)... 
No dia em que fazia 36 semanas, ela nasceu... e foi o melhor que aconteceu no meu mundo, foi o "primeiro dia do resto da minha vida"!...
Não sei se sou a melhor mãe do mundo, mas tento ser, todos os dias, o melhor que sei e consigo! 
O meu lema passou a ser: "Tudo pela minha filha!"

À minha prima C., que aguarda a chegada do G., desejo um parto igual ou melhor que o meu. Também vai ser o "primeiro dia do resto da tua vida"!... ;) (ainda hoje a M. falou do primo G.!)