Mostrar mensagens com a etiqueta Coimbra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coimbra. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um jardim com história

Há um jardim em Coimbra que eu gosto muito... É já um jardim com alguma história na minha vida. Foi nesse jardim onde, depois da meia-noite do último dia de 2008 para o novo ano 2009 que desejava ser mais feliz, vi o quão a vida pode ser estúpida. Estava em Coimbra. Sentei-me num banco daquele jardim. Mesmo estando com os meus primos, senti-me completamente sozinha. E, sinceramente, nem sei bem se eles estavam comigo, mas imagino que sim, pois ninguém (os meus pais!) me ia deixar sair sozinha de casa àquela hora numa cidade onde não conhecia ninguém com quem pudesse estar...
O meu irmão estava no hospital. Tínhamos acabado de sair de lá. Ele tinha tido um pique descontrolado de febre, pouco antes das 12 badaladas. 
Sentada naquele banco de jardim recordava a situação que tinha acabado de viver. Nada saia da minha cabeça. Vivi e revivi (e revivo ainda hoje!) esta situação como uma das piores da minha vida. Enquanto a minha cabeça fazia rewind e play continuamente, observava pessoas ao fundo felizes, a festejar, a sorrir, a brindar o novo ano que entrava. A mim só me apetecia chorar. Acho que chorei, nem sei... Eu só queria ter o meu irmão ali comigo naquele momento com saúde, feliz e a sorrir. Hoje tenho-o assim, graças a Deus e a ele também!

A vida é realmente estúpida! Enquanto uns estão no auge da sua felicidade, outros encontram-se num buraco (alguns nunca mais saem dele: uns por opção própria!)... Por isso aproveitemos os momentos de felicidade sempre!

Desta vez fomos ao jardim novamente e nós éramos os felizes. Vi o Mondego imponente à beira das esplanadas que, curiosamente, já não existem (ou se existem só funcionam no verão, o que é uma pena!) e estivemos um bom bocado no parque infantil (claro!), porque a minha M. não perdoa!!! Depois fomos ter com o urso gigante, o mesmo urso que conhecemos em 2008. Desta vez mais velhinho, como todos nós! A diferença é que tínhamos a princesa para conhecer o urso e estávamos todos com saúde, felizes e a sorrir! Tudo o que eu sempre quero ter: saúde e felicidade para mim e para toda a minha família e amigos!






terça-feira, 23 de maio de 2017

Lá tudo se paga e é normal!

Estamos habituados aqui na santa terrinha a ter tudo de acesso mais ou menos fácil... Pagamos parquímetro apenas em certas zonas e a maioria das coisas estão à distância de um passo. A verdade é que viver na ilha tem as suas (enormes!) vantagens.
Começa por não termos trânsito daqueles de enlouquecer (tirando esta altura das festas do Santo Cristo, ou na altura do Rally ou até mesmo durante parte do verão), ficarmos horas parados no mesmo sítio montes de horas, onde aproveitamos para acabar de nos vestir ou até jantar dentro do carro, caso estejamos preparados para tal. Temos o mar aos nossos pés a qualquer hora do dia ou da noite e isso é realmente muito bom e muito anti-deprimente. 
Nós, principalmente quem vive fora da cidade (embora também se veja isso na cidade ainda), ainda confiamos nas pessoas.
Há quem diga bom dia ou boa tarde às pessoas com quem se cruzam na rua, mesmo que sejam perfeitos estranhos.
Quem trabalha nos cafés da cidade chama os clientes habituais (e às vezes nem por isso) de "vizinho/a", sendo este um termo afetuoso, de proximidade relativa.
A maior parte dos dias dá para sair do trabalho e ainda ir dar um mergulhinho à praia, na boa e sem estacionamento pago... eu, por exemplo, tenho mantido a rotina de na hora de almoço correr 30 minutos e depois disso ainda poder dar um mergulhinho no mar, por uns míseros 10€ por mês!!!

Nos dias em que estive em Lisboa e Coimbra, como já referi, tentamos arranjar programas divertidos e relaxantes para a minha M. mas também para nós, como algumas compras, umas idas a parques infantis e ainda passeios em jardins.
O estacionamento no centro da cidade ou no "Cu de Judas" paga-se sempre!
O estacionamento para os hipermercados paga-se!
O estacionamento para um passeio no jardim paga-se!
E agora, pasmem-se! 20 minutos no Pula-Pula pagam-se!

Eu nunca fui muito apologista de pula-pulas porque... sei lá..., apesar de imaginar que até é divertido para as crianças, andam os pais (falo por mim confesso!) de coração nas mãos a assistir de tribuna ao momento em que o seu filho cai mal e parte um ossinho qualquer... sei lá... pelo menos é essa imagem que passa pela minha cabeça sempre que a minha M. entra num pula-pula!... 

Qualquer dia compro um Pula-pula e monto-o num dos nossos jardins! Quem quiser pular... paga! ;)





quarta-feira, 26 de abril de 2017

Portugal dos Pequenitos

Na nossa ida a Coimbra, para distrair a minha M. (e nós também!) aproveitamos para ir ao Portugal dos Pequenitos, sítio que fui com 10 anos (e o meu irmão com 5). Lembro-me que adorei estar por lá, embora já não coubesse em algumas casinhas. O meu irmão cabia em todas (pelo menos se não me falha a memória) e, já que estávamos em Coimbra, porque não permitir a mesma sensação à minha M. numa fase em que precisávamos de sorrir e distrair?!
O Portugal dos Pequenitos foi reformulado e as "casinhas pequeninas" foram praticamente todas vistas. Ela entrou em todas e nas zonas que retratavam a cidade antiga de Coimbra e de Lisboa (com castelos ou algo parecido a isso!), subia as escadas, abria os braços e dizia bem alto "Eu sou uma princesa e este é o meu Castelo!"...
E, de facto, ela é mesmo a princesa do meu "castelo", a princesa da minha vida. Sem ela nada (mesmo nada!) teria sentido existir na minha vida...

***A propósito, as notícias que recebemos em Coimbra foram, mais uma vez, positivas e o nosso coração encheu-se de coisas boas de novo!

Deixo aqui algumas imagens de Coimbra "diversão"...




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Coimbra, cidade de encanto...

Coimbra é uma cidade que me encanta. Confesso que antes de 2008 encantava-me mais, mas o desfecho positivo da nossa história (graças a Deus!) fez com que não deixasse de sentir carinho por esta cidade, embora me tivesse colocado mais distante.
Ainda estava eu a residir em S. Miguel, quando uma das minhas melhores amigas de infância ficou colocada na Universidade de Coimbra. E a partir desse momento, Coimbra passou a ser uma das minhas cidades de eleição.
Enquanto estudei em Lisboa fui algumas vezes a Coimbra, especialmente em alturas da Queima e também apenas em passeio... Coimbra nessa altura veste-se mesmo de negro, mas um negro feliz, e as tradições académicas são as mais espetaculares do país. É como se ganhasse vida e jovialidade.
Por volta de 1997, em altura de férias da Páscoa, também estive em Coimbra por questões de saúde (também do meu irmão!) que, por terem sido menos graves, não tiveram o efeito que 2008 teve em mim. Mesmo aí, sempre senti Coimbra como uma cidade, que embora me transmita alguma nostalgia, sempre foi acolhedora, agradável e muito simpática e romântica.
O rio Mondego aos "pés" daqueles edifícios cheios de história. A "velha cabra" lá no cimo da encosta, a Universidade, as Igrejas, as ruas, as esplanadas à beira rio, é tudo, tudo tão mágico, tão romântico. Cheguei inclusive a visitar os jardins onde se encontravam D. Inês e D. Pedro. Final trágico. Aqueles locais são, sem dúvida, cheios de um poder histórico incrível e sente-se no ar que ali se viveu um Amor gigantesco.
Quando contemplo in locco as imagens que vos deixo aqui tenho a sensação de ter como música de fundo as músicas que também vos deixo e que toquei e cantei com a minha tuna vezes sem conta, permitindo que fossem também músicas da minha vida...

Apesar desta vez (e desde 2008!) a nossa visita ter sido de "coração nas mãos", aproveitamos para rever alguns amigos, daquelas pessoas luz que não dispenso por nada.

(esta é logo a primeira que me vem à cabeça por falar na "velha cabra" e em "Santa Clara")

(logo a seguir chega a nostalgia desta música que as imagens sempre me transmitem...)



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Se existem anjos?!

Existem e eu conheci-os!
De Abril de 2008 a Janeiro de 2009 estive eu e a minha família nas mãos de anjos na terra (já falei disto aqui)... Uma equipa médica (desde médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, do secretariado,...) digna de louvar e levantar as mãos a Deus para agradecer a existência das mesmas.
Quando estamos numa situação de risco o melhor que temos a fazer é entregarmos a nossa vida nas pessoas que cuidam cientificamente de nós, lutar com as nossas forças para ajudá-los a ajudarem-nos e ter fé de que tudo ficará melhor. Foi isto que fizemos e foi isto que, principalmente o meu irmão fez.

Desde o primeiro momento em que estivemos com o Prof. José Casanova que sentimos elevada empatia e segurança de que ele poderia ajudar o meu irmão. Ele é afável, a simpatia em pessoa, é humano e do melhor que temos em Portugal para os tumores ósseos. A verdade é que queríamos que ele tivesse dito que tudo aquilo tinha sido um engano e que o meu irmão estava bem, mas não foi o que aconteceu e, mesmo assim, ele encorajou-nos a lutarmos juntos como família contra um bicho grandioso e disse-nos que sim, que era possível vencermos. Foi a isto que nos agarramos! A ele e a cada palavra que nos dizia sempre que nos cruzávamos nos corredores.

Até à cirurgia de remoção do bicho, e depois da mesma, ficámos entregues à sabedoria médica do Dr. Paulo Tavares. Ele é o melhor que já vi na área dele. Se por um lado ele parecia ser um Dr. House, em que a simpatia e sensibilidade eram abaixo de zero, por outro víamos um homem que gostava de vencer sempre, um verdadeiro lutador! Sentia que ele ficava ali lado a lado com cada doente a lutar para que o mesmo vencesse e, quando isso não acontecia, falar com ele não era definitivamente uma boa opção. O melhor era manter a distância razoável... Ao mesmo tempo que tinha sempre a resposta na ponta da língua (mesmo que às vezes o seu humor não fosse o nosso!), também era capaz de passar por nós sem mesmo dar conta de que estávamos mesmo ali... Dizem que os mais inteligentes têm as suas pancadas e ele tinha muitas. No entanto, mesmo de férias, ele nunca deixava de passar no hospital, nem que fosse apenas 1 vez por semana para controlar o andamento da coisa. E eu sempre admirei isso nele. Mesmooooo!

Os enfermeiros, qualquer um deles, sempre mostraram elevada entrega aos seus doentes. Dedicação e entrega, carinho e amizade eram sempre uma constante. Eles nunca levavam os seus problemas para o trabalho, mas acredito que levavam cada caso para casa, acredito que muitos sofriam com a perda de algum e ficavam felizes com a vitória dos outros. A qualquer pedido de urgência, era só chegar ao corredor e apanhar um qualquer que estivesse a passar, puxar pelo braço e lá iam eles ajudar. Tanta vez que isso acontecia...

Na altura aquela unidade estava localizada no Edifício B do Hospital Universitário de Coimbra (hoje é mesmo no hospital). Era um edifício velho de 2 pisos, sendo apenas o 2º piso para os tumores ósseos e de tecidos moles. Parecia um antigo liceu. Havia um grande hall de entrada, onde o meu irmão, antes da cirurgia, almoçava, lanchava e jantava todos os dias (ele preferia ali, pois sempre respirava um pouco de ar puro, pois ele não suportava os cheiros intensos da comida! Era tipo as grávidas com os cheiros!). Subíamos umas escadas em U, entrávamos por um pequeno corredor e depois do fim do mesmo havia uma porta. Depois dessa porta, havia um corredor de madeira grandinho (mas não muito grande) à esquerda e outro igual à direita. Em frente era a sala de convívio, que tinha uma televisão e várias mesas e cadeiras (todo o mobiliário foi oferecido pelos doentes que por lá passavam)... Ao lado era a sala de enfermeiros, onde normalmente eles estavam. Nos 2 corredores haviam os quartos onde estavam os doentes. Cada quarto grande tinha 6 camas. Dividir um quarto com mais 6 pessoas de várias idades, em que um queria ouvir música, outro queria ver televisão, outro não queria fazer nada, outro falava alto, outro queria o silêncio, não é fácil! Os horários das visitas eram mais flexíveis do que no próprio hospital e ainda bem! A comida vinha de carrinha e subia pelo elevador. Ao fundo do corredor do lado direito estavam os gabinetes dos médicos e dos enfermeiros. Durante a semana, os doentes eram acompanhados por psicólogos e recebiam visitas de irmãs que falavam com eles e quem quisesse podia comungar.

Era um piso pequenino para a procura que, infelizmente, existe, mas naqueles 2 corredores existia amor, fé e muita procura desesperada pela saúde... Naqueles 2 corredores andavam de um lado para o outro todos os ANJOS que ajudaram o meu irmão (e todas as outras pessoas que por lá passaram) a vencer e a minimizar os momentos menos bons que ele passou...

Obrigada equipa!
Vocês deviam ser imortais!


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Histórias minhas de Natal V: "Dois Natais muito diferentes"

Decorria o ano de 2008 - o pior ano de toda a minha vida.
Um ano que nos fez pedir muito, sofrer muito e aumentar a nossa fé em Deus na esperança de que tudo iria correr bem. Por outro lado foi o ano em que tive mesmo a certeza (eu já tinha, mas fiquei ainda mais convicta!) de que tenho a melhor família do mundo e que o amor que nos une nos torna muito fortes, se calhar mais fortes do que aquilo que pensávamos ser...
O meu irmão e a minha mãe estavam em Coimbra desde Abril e de lá não podiam sair, até que o médico do meu irmão decidisse o contrário. Pelas nossas contas, por altura do Natal, o meu irmão estaria em casa (na casa de Coimbra). E, eu e o meu pai (e depois os meus tios e primos do lado paterno) planeamos o nosso Natal com férias para irmos passá-lo em Coimbra com ele e com a minha mãe. Chegamos e ele ainda estava internado, em tratamentos, mas previa-se que saísse pouco antes do Natal. Mas... fomos "atropelados" por uma bactéria que fez com que ele fizesse febre dia sim, dia sim e que não lhe permitiu passar o Natal (e nem a Passagem de Ano) em casa. Ele ficou triste (muito triste!) e nós também, mas o espírito natalício vivia nos corações daqueles enfermeiros e, a nosso pedido, deixaram-nos fazer a "ceia" de Natal numa salinha de convívio que havia lá onde os doentes e familiares podiam jogar, comer, ver televisão,... Podíamos lá estar até à volta da 1h da manhã e assim foi, pois queríamos minimizar todo o sofrimento que existia nos nossos corações estando ao lado dele, sempre ao lado dele. Foi diferente sim, mas foi o verdadeiro Natal, sem prendas xpto, (a única prenda que queríamos era a saúde do meu irmão!), mas com muito amor e paz...

Natal de 2009, o primeiro Natal em casa com meu irmão cheio de saúde, depois do "susto", mas o meu último natal como menina solteira, portanto a ideia era mesmo aproveitar ao máximo. Tínhamos muito que festejar e agradecer a Jesus estarmos novamente os 4 juntos, com saúde, e foi o que fizemos. O ritual voltou a ser o que era antes, quer na noite (na casa dos meus tios) como no dia de Natal (na casa dos meus padrinhos), mas lembro-me tão bem de na noite de Natal estarmos os 4 na sala "museu" que os meus pais têm lá em casa. Chamo "museu" porque nunca é utilizada, exceto em situações esporádicas. Como tínhamos vindo da casa do meu tio, fomos os 4 para lá abrir as nossas prendas. Bebemos uma (ou mais!) bebida cada um. Rimos muito uns com os outros, com as parvoeiras que o meu irmão "cheio de piada" diz e com a minha mãe a fazer "perseguição cerrada" ao que cada um bebia, fizemos alguns tchim tchins e, embora não o disséssemos alto e bom som, sei que cada um, no silêncio do seu coração, agradecemos a Deus estarmos ali os 4 e saboreámos como nunca aquele momento... Eu senti o verdadeiro espírito feliz de Natal nessa noite, porque estava verdadeiramente feliz! Mesmooooooooooo....

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Boa viagem! Mas com 2 "V" - Vai e Volta!

E pronto, lá foram eles!... Foram, mas voltam (Deus queira!)...
O meu irmão faz, neste momento uma vez por ano, exames médicos de rotina. Hoje ele e a minha mãe partiram para Lisboa para depois seguirem para Coimbra, onde, mais uma vez, o meu irmão faz um TAC aos pulmões e a consulta com o Prof. Dr. José Casanova (médico e homem de excelência!), que o operou em 2008. Foram tempos difíceis, mas que superamos com muita fé, amor e união.
Mas, sempre que ele parte para os exames de rotina, o meu coração fica apertadinho, mas sempre com confiança e fé de que me vai enviar mensagem a dizer "Continua tudo bem..."