quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Importante: aprender a relativizar...

A noite de Reveillon foi nada mais nada menos aquilo que espero que seja o resto do meu ano: com saúde e com a família reunida em paz e amor!
Depois de uma jantarada à maneira (cheia de coisas pecaminosas e em companhia excelente!), chegou a hora de comer as 12 passas e pedir os tais 12 desejos (normalmente não sou muito exigente e só peço 1 ou 2... ou 3 vá!), saltar para cima de algo alto e nas alturas passar a meia-noite de 31 para 1, colocar dinheiro no sapatinho (confesso que me esqueci deste pormenor este ano! Lá vou eu continuar pobre........) e dar as boas vindas ao novo ano que estava aí a chegar!

O ano 2016 não foi dos melhores anos da minha vida por variadas razões, algumas das quais já expus aqui, mas foi um ano em que consegui relativizar as situações, pois aprendi que só assim conseguirei enfrentar o que tiver de ser...

Espero que em 2017 as coisas melhorem (não é isso que todos nós esperamos?!) a todos os níveis... Eu sei que nasci para ser feliz, pelo menos a maior parte do tempo da minha vida e este é o meu grande desafio de todos os anos que já vivi e ainda tenho para viver... Fazer de tudo para ser feliz e fazer os "meus" felizes! Só espero é que nunca me/nos falte a saúde e o amor... o resto vamos fazendo devagarinho...

Eis alguns recortes de como foi o nosso Reveillon 2016-2017!
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Peso pluma...

Aquando a última ida à Pediatra da minha filha, quando ela esteve doente antes do Natal (falei disto aqui!), a Dra. aproveitou para fazer uma consulta como deve ser, a tal dos 3 anos que só deveria acontecer no final de Janeiro, princípios de Fevereiro. Observou-a, mediu-lhe, falou com ela e pesou-lhe.... e quando a pesou bom, aconteceu o costume: o comentário da médica para ela "Continua peso pluma!"... Nada mais nada menos do que 11,510kg... Com quase 3 anos a minha filha nem 12kgs pesa! Bom... ela é uma criança linda e feliz, transborda saúde e atividade pelo que não estou minimamente preocupada com o peso dela...

Estava eu grávida quando pedia a Deus que a minha filha tivesse acima de tudo muita saúde e felicidade pela vida fora. À parte disso também lhe pedi uma "adenda": que ela não tivesse tendência para engordar para não andar (como eu ando muitas vezes!) agarrada a dietas para emagrecer.  É que isto é uma verdadeira seca!!! Podia comer sem ganhar peso.... mas toda a treta que me entra na boca parece que é diretamente distribuída pela área ocupacional toda.... Bahhh ... é muito triste!

Costumo dizer que se tratou de uma espécie de história da Branca de Neve, pois a mãe da Branca de Neve também teve uns desejos caricatos (cabelos negros como a noite, lábios vermelhos da cor do sangue e pele branca como a neve) para a sua filha... 

Assim fui eu... e assim se concretizou (espero que os restantes pedidos se mantenham em vigor!)...

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Devaneios para o novo ano...

Antes de terminar 2016, li um artigo (este aqui) que me fez pensar e que me encheu devidamente as medidas para este novo ano que ainda agora começou. Basicamente diz tudo aquilo que venho defendendo desde sempre. Ninguém é feliz sempre. A felicidade é uma escolha nossa. A forma como encaramos a vida é uma escolha nossa.
Chega a um dia que temos de dizer "basta". Chega a um dia que reconhecemos que temos de mudar algo na nossa vida para bem da nossa sanidade mental!... Há o dia em que temos de deixar de ser simpáticos sempre e temos de passar a ser mais assertivos naquilo que queremos para nós, para bem da nossa felicidade, mesmo que seja passageira. 
Definitivamente, quanto a mim, eu sei que não quero deixar-me levar pelas coisas más que me cercam e nem quero ser a 2ª opção de ninguém, portanto o que tenho a fazer é manter a calma e a minha serenidade física e psíquica e usar a gentileza que existe em mim para gerir o meu dia-a-dia com aquilo e aqueles que são prioritários para mim...

Que 2017 seja um ano de grandes mudanças, daquelas que valem realmente a pena...


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Desafio 52 semanas #01: Coisas que me fazem ficar feliz

Ora bem, com a chegada do novo ano, decidi iniciar aqui uma rubrica semanal que é mais um desafio que me foi enviado em tempos por uma amiga minha do mundo dos blogues, mas também da vida profissional, a minha querida Purpurina.

O primeiro desafio é logo um que me fez pensar (não muito até, porque, após 38 anos e meio de vida sei bem o que me faz feliz!)... Já o disse aqui que a felicidade não é uma certeza, mas sim momentos. Nós nunca somos felizes sempre. Eu pelo menos não sou. Tenho apenas momentos de felicidade e é a esses momentos que me agarro para ser menos triste nos restantes...

Então aqui vai...

Faz-me feliz...
... ver o sorriso da minha filha - saber que é feliz é para mim a maior felicidade do mundo!

... estar com a minha família (família e amigos) e saber que têm saúde - como já passamos momentos de grande amargura, termos todos saúde é realmente algo que me deixa muito feliz!

... sentir que gostam da minha filha e se preocupam com ela - já diz o ditado "Quem meus filhos beija, meu coração adoça" ou algo do género e é mesmo verdade... 

... poder chegar a casa e ver que está arrumada (sem ter sido eu!) - nem imaginam a felicidade que isto me dá...

... sair sem destino de casa e ir à praia - e se for num dia de sol é "ouro sobre azul", mesmoooo! Um dia perfeito!

... viajar - para qualquer sítio, conhecido ou não... sair daqui de avião ou de barco lá de vez em quando lava-me a alma e enche a minha vida de histórias para recordar...

... reencontrar pessoas especiais - pessoas que um dia fizeram parte da minha vida e se tornaram especiais... abraçá-las e saber que estão bem... sentir o mesmo carinho como se nem uma hora se tivesse passado desde a última vez que estivemos juntas, é para mim das maiores sensações de felicidade e de amizade...

... ser surpreendida com algo romântico, algo que não estava à espera, mas que seja realmente bom - pode ser uma flor, um jantar, um momento,... não é preciso ser dispendioso, só precisa de ter sentimento... muito sentimento... dos bons, claro!

(Quando me indicaram onde ficava a felicidade, em 2010, em pleno Rio de Janeiro!)




domingo, 1 de janeiro de 2017

Recomeçar hoje e sempre!

Não cometer os mesmos erros!
Aproveitar cada momento!
Amar e mimar!
Aprender!
Brincar!
Ser (muito) feliz!
Família em 1º lugar: SEMPRE!

Para começar o ano em festa!

Após o fogo de artifício e os primeiros minutos de euforia pela chegada do Ano Novo, quero deixar, em primeiro lugar e como primeiro post de 2017, uma homenagem à amizade, hoje porque uma das minhas amigas, que ocupa um lugar especial no meu coração e na minha vida faz anos hoje. Sei que ela gosta de fazer anos, mas não gosta de o fazer no seu dia de anos (também eu não ia achar lá grande piada!). Costuma ficar assim meio triste porque toda a gente está a descansar da noitada do Ano Novo e ninguém (ou quase ninguém) se lembra dela e do seu aniversário (quanto mais festejar!)... Por isso quero que 2017, para ela, comece em grande. Nada melhor do que iniciarmos o ano a sermos homenageados, boa?!

Conheci-a em 2007. Trabalhamos juntas no mesmo local. O trabalho aproximou-nos. A sua maneira de ser divertida, alegra, brincalhona cativou-me (como sempre me cativam pessoas com esses 3 princípios)... Mas, com o tempo, ela transformou-se em muito mais que isso...
A primeira vez que fomos à casa dela foi num S. Martinho e desde aí os convívios têm se mantido, numas épocas mais, noutras menos... mas a verdade é que, mesmo quando estamos mais distantes uma da outra, sabemos que podemos contar uma com a outra. E em cada reencontro a magia acontece: é como se nunca nos tivéssemos afastado. Isto é o maior sinal de que a amizade verdadeira existe.

Apesar do seu ar durão e de querer parecer forte o tempo todo, ela é das pessoas mais sensíveis que eu conheço. Por vezes até lhe chamo de "flor de estufa" pois ela é isso mesmo e não estou a falar só das constipações que ela apanha 50 vezes por ano... falo de tudo!

Não somos amigas desde pequeninas, mas sabemos muito da vida uma da outra e vivemos já tantos momentos que é como se sempre nos conhecêssemos desde sempre. E acreditem que cada momento juntas, quando estamos naqueles dias cheios de pica, é uma verdadeira animação. Sou bem capaz de alinhar nas coisas mais loucas que lhe vem à cabeça (ela é que é a idiota do sítio!) e não é preciso que ela me convença muito, basta um olhar e lá vou eu... E eu gosto e divirto-me e rio-me até não poder mais!

Não conheço ninguém melhor para organizar os eventos mais hilariantes, por isso caso queiram a festa mais magnífica e cheia de pequenos pormenores que ficarão na memória para todo o sempre podem contactá-la, pois ela tem uma empresa de eventos (tem mesmo muito jeito!). Esta aqui: "Elisa Nascimento - Animação e Organização de Eventos"! Estejam à vontade para dar uma vista de olhos... A minha despedida de solteira foi toda organizada por ela e ainda hoje me rio sempre que penso nela... Foi dos momentos em que me diverti mais em toda a minha vida! Inesquecível!

É única, amiga e muito, muito fiel... Só desejo a ela (e à família linda que constrói dia-a-dia) tudo o que de bom e de melhor que a vida tem para oferecer. Parabéns "florzinha de estufa" mais linda da minha vida!...
(Podia escolher muitas outras fotos mais malucas, mas isso ia comprometer a nossa integridade na sociedade! Ahahaha!)

Sejam felizes SEMPRE!

Para todos vós, desejos de um...

sábado, 31 de dezembro de 2016

Hoje é dia de reflexão e de pedidos...

É dia de pensarmos no que vivemos no último ano e decidirmos o que queremos ver mudado para os próximos 365 dias que já estão à porta... Isto é uma tarefa difícil! O ideal é irmos pensando nisso nos últimos dias de Dezembro para hoje já termos a listinha pronta e refletirmos sobre ela...

Os momentos mais marcantes (por ordem cronológica) do meu ano 2016 foram:
- sentir tristeza por alguém que partiu tão pequenina e frágil, que eu não conhecia pessoalmente, mas que me dediquei de corpo e alma e já a sentia como se fosse do meu sangue;
- o 2º aniversário da minha filha;
- os bons momentos e as risadas do Carnaval;
- a abertura deste blog;
- os momentos de grande fé e amor que vivemos durante a festa do Sr. Santo Cristo dos Milagres;
- estar sem o namorido durante 2 semanas inteiras;
- o verão (este é sempre um marco importante para mim!);
- o dia do meu aniversário e a reviravolta na minha vida nos dias seguintes;
- a estadia do meu primo R. e os momentos que estivemos juntos;
- a, infelizmente, morte da minha avó paterna;
- a, infelizmente, queda e posterior falta de saúde da minha avó materna;
- o aproximar-me da minha freguesia de infância;
- o Natal e tudo o que ele envolve.

Os meus desejos para 2017?!
- desejo que no meu lar e no lar dos que amo exista muita paz, amor, dedicação, entrega e entreajuda;
- na minha família: desejo mais paz, união e sempre, sempre muita saúde;
- no meu trabalho: desejo que ele nunca me falte;
- desejo que não me falte saúde para poder estar cá nos próximos 366 dias;
- desejo que os nossos (meus e dos meus) sonhos a curto e médio prazo se realizem, e que os de longo prazo fiquem mais próximos de se concretizarem;
- desejo que a minha casa fique pronta em 2017, já agora...;
- desejo ter destreza e sabedoria suficiente para conseguir ignorar quem me inveja, quem me deseja mal, mesmo que seja de forma inconsciente, quem me despreza e despreza a minha família, que essas pessoas se ocupem da sua felicidade para nem terem tempo para maldades;...
- e, finalmente, que tenha força, coragem, determinação e amor a transbordar para ser a melhor mãe que consigo ser para a minha filha, a melhor esposa para o meu marido, a melhor irmã para o meu irmão, a melhor filha para os meus pais, a melhor neta para a minha avó, a melhor cunhada para as minhas cunhadas e cunhado, a melhor sobrinha para os meus tios, a melhor afilhada para os meus padrinhos, a melhor prima para os meus primos, a melhor madrinha para os meus afilhados, a melhor amiga para os meus amigos...


O que quero ver mudado no mundo?!
- a cura para o cancro (um desejo urgente!);
- menos sofrimento para quem sofre de alguma patologia ou condição de vida;
- menos pobreza, mais paz, mais amor e menos hipocrisia.

E é isto! Que venha 2017!...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O último dia de trabalho de 2016...

Há dias especiais e este foi, sem dúvida um dia muito especial no meu local de trabalho... Levamos um ano inteiro a lidar com as mesmas pessoas diariamente, estamos com elas praticamente mais horas do que as horas que passamos nas nossas casas, sem contar as horas de sono, que merecemos algo diferente lá de vez em quando... O dia foi exatamente hoje, no último dia de trabalho do ano de 2016...
Não foi uma manhã fácil... 
Começamos logo pela fresquinha com um acidente de trabalho, este aqui (que me fez rir bastante!):

Para acalmar os animos, e acordar o Tico e Teco que há em nós, fomos tomar um cafezito como merecemos. Nunca o tínhamos feito antes e por ser um dia especial, com uma manhã para esquecer, fomos! Como diria a minha filha "uma delícia"...


O almoço foi qualquer coisa de espetacular! Assim dos "pés para as mãos" combinamos "em cima do joelho" terminar o ano a comer comida "crua". Nada mais nada menos que uma boa dose de Sushi! Ahhhh o que eu gosto disto... O Restaurante chama-se Musaxi e, embora não conheça o sushi que é feito na maioria dos restaurantes de cá, digo-vos que este é muito delicioso, mesmooooo... Ao almoço eles fazem uma espécie de Buffet, em que cada cliente paga 8,50€ + bebida, portanto, um almoço a rondar os 10€ e comemos todo o sushi que queremos e toda a comida chinesa que desejarmos... Saímos de lá a rebolar praticamente...

O sushi é uma comida especial... Para quem ainda não se aventurou no mundo do sushi, posso dizer-vos que são precisas 2 ou 3 tentativas para finalmente gostarmos realmente de o comer... Comigo foi assim e com a maioria das pessoas que eu conheço também... Daí ter adotado esta teoria para aqueles que têm medo ou dizem ainda que não gostam de sushi... Chega a ser viciante...
Eu cá aprendi a gostar........ MUITO!... Converti-me... Estou sempre pronta para mais uma rodada! :) E hoje foi o dia de converter as minhas colegas que diziam que não gostavam de sushi!... 

Renovações na noite de Reveillon

Sempre gostei das noites da Passagem de Ano... Sinto no meu coração que algo se renova na noite de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro de um novo ano... Pelo menos vontade disso tenho: que algo se renove na minha vida, que o que existe de bom se torne ainda melhor e o existe de mau se vá embora... mas é claro que isso não acontece... As coisas que acontecem, quer sejam boas ou más, fazem parte da nossa vida e temos de aprender a lidar com elas... Óbvio que, como humanos que somos, preferimos sempre as boas. Mas de que vale termos as boas se não as soubermos valorizar?! As más existem para sabermos valorizar as boas... A vida é isto mesmo!...

As noites de Passagem de Ano para mim têm uma magia diferente... Nem eu própria sei explicar o quê... Gosto de me vestir melhor. Gosto que a minha família esteja bem vestida para darmos as boas vindas ao novo ano. A esperança é sempre que seja melhor que o anterior para todos nós... 
Este ano não será diferente... Estaremos juntos, vamos comer, sorrir, abraçar-nos, comer as 12 passas (o grande sacrifício da noite!) e pedir os 12 desejos para 2017 (normalmente só peço saúde e amor para nós... o resto vamos construindo à medida que os dias vão passando, pois se houver amor e saúde tudo se consegue!), brindar com champanhe e depois caminha, pois agora há uma pequena princesa que precisa dormir, até mesmo na noite de passagem de ano...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O meu Reveillon é assim...

Até aos meus 15 anos as minhas oites de Passagem de Ano foram passadas no Nordeste, no Clube Desportivo de Santo António Nordestinho. O meu pai, que na altura era o presidente, organizava um jantar convívio e baile pela noite dentro. Sempre me lembro disso! Eram sempre muito divertidas as passagens de Ano lá em Santo António. Tenho maravilhosas recordações dessa altura da minha vida... Havia lá uma tradição pós baile que não sei se ainda existe hoje... Íamos pelas casas das pessoas mais próximas desejar os Bons Anos. À porta cantávamos uma música cuja letra é a seguinte:

O Ano Novo
Bom ou mau ninguém o adivinha
É como o ovo
Pode ser galo, pode ser galinha...

E continuávamos a cantá-la até nos abrirem a porta para uma espécie de "menino mija"... Isto acontecia pela noite dentro, até de manhãzinha...

Depois de ter saído do Nordeste, ainda hoje um ano que fomos todos a um local que organizou um baile de Reveillon, mas nunca mais se repetiu até hoje: o dinheiro que se gasta não compensa e em casa estamos sempre mais à vontade. 
A verdade é que todas as meias-noites do dia 31 de dezembro para 1 de janeiro foram passadas junto com os meus pais. Há sempre um jantar em casa dos meus pais para toda a família (aquela que pode participar) e alguns amigos mais chegados. Depois da meia-noite, ainda ficamos ali na conversa mais um pouco... Depois disso, cada um vai assumir os seus primeiros compromissos do ano novo: uns vão para outras casas, outros para o Coliseu ou outro local que organize alguma festa...
Nunca fui de ir ao Coliseu, pois no único ano que fui achei um desperdício de dinheiro: gastamos dinheiro no vestido, cabeleireiro, manicura, depilação, bilhete de entrada, para termos apenas umas horinhas de folia (6h)... 
Gosto muito mais dos convívios com a família e amigos e do forrobodó habitual em casa na nossa ou na de amigos... Um dia quem sabe não o vamos passar noutro cantinho do planeta?!


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A minha primeira vez em casa...

Uma semana antes do Natal a minha M. ficou doente. De segunda a quarta-feira ainda a deixei com os meus pais e fui trabalhar com o coração muito pequenino por deixá-la assim, mas ela estava bem entregue e sabia que a minha mãe me ia mantendo a par do que ia acontecendo com ela... Além de que ia seguindo as diretrizes que a pediatra dela, que já estava a par do acontecimento, me ia dando...

Na quarta-feira, depois de eu chegar a casa, olhei para ela e reparei que ainda estava combalida... olhos inchados e meio fechados, muito sossegada, com febre ligeira, com muita tosse, já tinha vomitado e estava ainda com muita falta de apetite... Ela não estava mesmo nada bem... Cheguei a casa com ela e adormeceu no sofá (coisa que nunca fez antes àquela hora do dia!)... Falei com a pediatra e ela achou melhor a M. ficar em casa. Como nesse dia os meus pais foram para a Lomba da Maia cuidar da minha avó, que ainda precisa de cuidados, e lá iam ficar até sexta-feira, decidi ser eu a ficar com ela em casa (em vez de mandá-la na manhã seguinte para a Lomba da Maia), pois assim teria toda a minha atenção e cuidado para que melhorasse rápido. Assim foi... dei início à minha primeira baixa por assistência à família que, graças a Deus, antes não tinha precisado.

Ficar em casa com os filhos é uma coisa. Ficar em casa com os filhos doentes é outra bastante diferente... É preciso mais mimo, mais carinho, mais atenção a todos os pormenores (se tem febre - medi-lhe a febre 5 mil vezes ao dia e noite - se tosse, se dorme, se come, se está sossegada, se quer fazer xixi, cocó, se chora, se tem dores, se tem o nariz para "assonar" - como ela diz,....), mais estar presente, mais amor (como se isso ainda fosse humanamente possível!) e, também mais criatividade para entreter uma criança que está sossegada demais, que não quer alinhar em quase nada... Nesse dia ela acordou perto das 10h da manhã... Tentei fazer com que ela me ajudasse a fazer bolachinhas de Natal (e mesmo assim ajudou um bocadinho!), fizesse pinturas e recortes (andei lá a pintar uns desenhos a ver se ela alinhava na atividade, mas não queria pintar...) para depois colarmos na parede,... A única coisa que ela queria era ver a Patrulha Pata e beber leite (sendo este o único alimento que ela sempre aceitou bem ao longo da semana!)... Bendita Patrulha Pata! Acho que vimos 20 vezes cada episódio da semana! Mas foi o maior remédio dela, pois só nesses momentos em que via a Patrulha Pata, conseguia dar-lhe algum alimento que não fosse leite!! 
Na sexta-feira a pediatra quis vê-la... Tratava-se de uma adenoidite (nunca tal tinha ouvido falar!) e ela teve sorte da expetoração estar na zona facial, pois se tivesse permanecido nos pulmões teria sido bem pior (temos de olhar para o lado positivo da coisa!)... E pronto, receitou-lhe um antibiótico, continuar com o xarope e muita água do mar...

Depois de 4 dias em casa fechadas as duas + faltar ao trabalho 2 dias (e ao almoço de natal que tinha marcado com os meus colegas para a sexta-feira em que fiquei em casa) + faltar às festinhas de natal da natação e à da SATA já marcadas para sábado + os 5 dias de antibiótico, a coisa voltou mais ou menos ao sítio. Ela ainda ficou fanhosa mais uns dias, mas a tosse foi cada vez menos e deixou, logo ao 2º dia de antibiótico, de ter febre e de vomitar... 

Olho para trás e penso "Perdi alguma coisa?!" a resposta é um redondo e grande "NÃO"! Faria tudo de novo pela minha M. e qualquer evento que exista nunca será mais importante do que ela, do que a saúde e bem estar dela, do que a possibilidade de estar com ela!...

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Inventei um novo Síndrome...

Existem tantos síndromes por aí, porque não haver o Síndrome do Comando?!

Não sei se nas vossas casas é assim, mas na minha existe o "Síndrome do Comando". Passo a explicar... 

Normalmente quem está em horas úteis em casa sou eu e a pimpolha. Como tenho de fazer o jantar e as lides diárias de uma casa de família normal, existem momentos em que a minha M. fica a brincar e a ver TV. Nesses momentos "em frente ao ecran", a coisa passa pelo canal Panda ou o Disney Junior, porque é onde estão os programas favoritos dela. Até eu já passei a gostar de alguns dos programas que ela vê e divirto-me com ela a vê-los, além de que ela já começa a fazer muitas perguntas sobre as séries e eu vou respondendo (ao que sei, claro!)... Mas instala-se o terror quando o homem da casa está. Se é em hora útil e se chega depois de já estarmos a ver algum programa, a coisa ainda se mantém relativamente calma. Mas se ele é o primeiro a chegar (que acontece normalmente ao fim-de-semana de manhã), em vez de ouvirmos rádio no rádio, ouvimos rádio na TV e, normalmente, ou é jazz ou som psicadélico que nem eu sei como se chama. Ora bem, não vale a pena dizer que esse tipo de som mexe com o meu sistema nervoso e depois de umas horas, sinto os meus batimentos cardíacos já alterados...

Quando a filhota já dorme e se decidimos ver algo juntos na TV a coisa não muda muito... Ele fica com o comando (acho que lhe dá um sentimento de maior virilidade e eu deixo para ele ficar feliz!). O zapping é feito em velocidade "luz". Sinceramente não sei como ele vê se o programa é bom ou não, mudando àquela velocidade, mas ok, em nome do bom ambiente familiar, eu relativizo e, com a maior das paciências, espero... Então quando eu acompanhava as telenovelas da SIC, quase que nem dava para ver o logotipo da emissora quando ele passava por lá, só para não correr o risco de ter de parar lá a meu pedido... Como já não acompanho nada na TV, ele mantém o mesmo ritmo de zapping. Demora  a passar naqueles canais que eu menos gosto tipo Discovery Channel, Odisseia, National Geographic, Historia, e todos aqueles de debates e notícias (acho-os muito seca!)... até que finalmente chega aos canais de séries/filmes que é onde normalmente queremos chegar... Normalmente o filme já começou e andamos ali os primeiros minutos a "apanhar aranhas"... Quer dizer, ando eu, porque ele ao fim de 5 minutos adormece (quando não adormece a meio do zapping!).... e quando se vira no sofá, o comando cai no chão (sempreeeeeee!)...

No carro a coisa funciona mais ou menos igual... 
Quando somos só as meninas ou ouvimos a Xana Toc Toc ou a RFM que, às vezes, dá até umas músicas que a princesa gosta. Quando está o homem da família, ele pode não fazer zapping como quando está em frente da TV, mas Xana Toc Toc é só mesmo em última (mesmo última das últimas!) hipótese....




segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Se existem anjos?!

Existem e eu conheci-os!
De Abril de 2008 a Janeiro de 2009 estive eu e a minha família nas mãos de anjos na terra (já falei disto aqui)... Uma equipa médica (desde médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, do secretariado,...) digna de louvar e levantar as mãos a Deus para agradecer a existência das mesmas.
Quando estamos numa situação de risco o melhor que temos a fazer é entregarmos a nossa vida nas pessoas que cuidam cientificamente de nós, lutar com as nossas forças para ajudá-los a ajudarem-nos e ter fé de que tudo ficará melhor. Foi isto que fizemos e foi isto que, principalmente o meu irmão fez.

Desde o primeiro momento em que estivemos com o Prof. José Casanova que sentimos elevada empatia e segurança de que ele poderia ajudar o meu irmão. Ele é afável, a simpatia em pessoa, é humano e do melhor que temos em Portugal para os tumores ósseos. A verdade é que queríamos que ele tivesse dito que tudo aquilo tinha sido um engano e que o meu irmão estava bem, mas não foi o que aconteceu e, mesmo assim, ele encorajou-nos a lutarmos juntos como família contra um bicho grandioso e disse-nos que sim, que era possível vencermos. Foi a isto que nos agarramos! A ele e a cada palavra que nos dizia sempre que nos cruzávamos nos corredores.

Até à cirurgia de remoção do bicho, e depois da mesma, ficámos entregues à sabedoria médica do Dr. Paulo Tavares. Ele é o melhor que já vi na área dele. Se por um lado ele parecia ser um Dr. House, em que a simpatia e sensibilidade eram abaixo de zero, por outro víamos um homem que gostava de vencer sempre, um verdadeiro lutador! Sentia que ele ficava ali lado a lado com cada doente a lutar para que o mesmo vencesse e, quando isso não acontecia, falar com ele não era definitivamente uma boa opção. O melhor era manter a distância razoável... Ao mesmo tempo que tinha sempre a resposta na ponta da língua (mesmo que às vezes o seu humor não fosse o nosso!), também era capaz de passar por nós sem mesmo dar conta de que estávamos mesmo ali... Dizem que os mais inteligentes têm as suas pancadas e ele tinha muitas. No entanto, mesmo de férias, ele nunca deixava de passar no hospital, nem que fosse apenas 1 vez por semana para controlar o andamento da coisa. E eu sempre admirei isso nele. Mesmooooo!

Os enfermeiros, qualquer um deles, sempre mostraram elevada entrega aos seus doentes. Dedicação e entrega, carinho e amizade eram sempre uma constante. Eles nunca levavam os seus problemas para o trabalho, mas acredito que levavam cada caso para casa, acredito que muitos sofriam com a perda de algum e ficavam felizes com a vitória dos outros. A qualquer pedido de urgência, era só chegar ao corredor e apanhar um qualquer que estivesse a passar, puxar pelo braço e lá iam eles ajudar. Tanta vez que isso acontecia...

Na altura aquela unidade estava localizada no Edifício B do Hospital Universitário de Coimbra (hoje é mesmo no hospital). Era um edifício velho de 2 pisos, sendo apenas o 2º piso para os tumores ósseos e de tecidos moles. Parecia um antigo liceu. Havia um grande hall de entrada, onde o meu irmão, antes da cirurgia, almoçava, lanchava e jantava todos os dias (ele preferia ali, pois sempre respirava um pouco de ar puro, pois ele não suportava os cheiros intensos da comida! Era tipo as grávidas com os cheiros!). Subíamos umas escadas em U, entrávamos por um pequeno corredor e depois do fim do mesmo havia uma porta. Depois dessa porta, havia um corredor de madeira grandinho (mas não muito grande) à esquerda e outro igual à direita. Em frente era a sala de convívio, que tinha uma televisão e várias mesas e cadeiras (todo o mobiliário foi oferecido pelos doentes que por lá passavam)... Ao lado era a sala de enfermeiros, onde normalmente eles estavam. Nos 2 corredores haviam os quartos onde estavam os doentes. Cada quarto grande tinha 6 camas. Dividir um quarto com mais 6 pessoas de várias idades, em que um queria ouvir música, outro queria ver televisão, outro não queria fazer nada, outro falava alto, outro queria o silêncio, não é fácil! Os horários das visitas eram mais flexíveis do que no próprio hospital e ainda bem! A comida vinha de carrinha e subia pelo elevador. Ao fundo do corredor do lado direito estavam os gabinetes dos médicos e dos enfermeiros. Durante a semana, os doentes eram acompanhados por psicólogos e recebiam visitas de irmãs que falavam com eles e quem quisesse podia comungar.

Era um piso pequenino para a procura que, infelizmente, existe, mas naqueles 2 corredores existia amor, fé e muita procura desesperada pela saúde... Naqueles 2 corredores andavam de um lado para o outro todos os ANJOS que ajudaram o meu irmão (e todas as outras pessoas que por lá passaram) a vencer e a minimizar os momentos menos bons que ele passou...

Obrigada equipa!
Vocês deviam ser imortais!


domingo, 25 de dezembro de 2016

Hoje é dia da Família!

Hoje é dia de Natal e isto significa, para mim, F.A.M.Í.L.I.A.! Por isso mesmo, esqueçam as divergências que são naturais em famílias que se amam, encurtem as distâncias e sejam felizes juntos hoje e sempre!

Esta é a nossa!

FELIZ NATAL!



sábado, 24 de dezembro de 2016

Viver o Natal...

Neste dia que, finalmente. se vive o Natal em pleno, queria poder dizer que todos são felizes e estão a festejar o Natal como deve ser, mas sei bem que isso é uma utopia... No entanto, chamem-me o que quiserem, mas hoje e amanhã vou olhar para o meu umbigo: a minha família! Quero viver o Natal de forma intensa e com a certeza de que irei deitar a minha cabeça na almofada nas próximas duas noites com a consciência tranquila de que tudo fiz e dei de mim para o bem da minha família. A única certeza que tenho, além de que um dia vou partir para o outro mundo, é este amor que sinto pelos meus (e "os meus" são ainda alguns!). 
"Família é tudo igual, só muda o endereço!" é verdade! Mas a minha, para mim, é a melhor! É com ela que eu sei que posso contar sempre... Temos divergências, podemos inclusive falar mais ou menos com um ou outro, podemos até não falar durante um tempo, mas o sentimento que sinto por cada um deles é que são parte de mim, da minha vida... E, até aquele primo de 6º grau que só vejo lá de longe em longe, nestes dias de Natal, especialmente, lembro-me dele... E aquele amigo que não é família de sangue mas é de coração, nestes dias de Natal também estão no meu pensamento... E aqueles que já partiram deste mundo, neste dias de Natal, vivem em mim...
Nestes dias eu não sou apenas eu. Eu sou a imagem viva da minha família. Eu sou a minha família e é por ela que respiro hoje e sempre...

Aproximem-se da vossa família também e aqueçam os vossos corações de paz, amor e união. Amanhã é outro dia como o de hoje. O depois de amanhã também devia ser. E todos os restantes dias também... Mas sabem que mais?! O "Amanhã" pode não chegar e viver com o arrependimento e o remorso torna o nosso coração negro cada dia que passa... Façam um favor a vocês mesmos e vivam a vossa família em pleno hoje e sempre...

FELIZ NATAL!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O Natal também me deixa assim...

Aproxima-se a noite de Natal e com ela também chega a nostalgia por tempos passados... lembranças de momentos vividos com aqueles que já partiram do meu mundo e que me deixam tanta saudade... os meus avós: a bisavó Beatriz, o avô Manuel Jacinto, o avô Sousa, a Alzira e a mais recente que partiu, a minha avó Maria dos Anjos... Que saudades dos beijinhos, de ouvir as vozes deles, dos abraços, dos sorrisos... Tenho a certeza que vão permanecer na minha memória o resto da minha vida, mas custa tanto tê-los em memória apenas... Em vida criamos laços. Esses laços são criados pelo sangue, por pessoas, por momentos. Ficamos presos uns nos outros, entrelaçados até sempre (uns mais que outros, claro!)... E é esse sentimento chamado de AMOR (o verdadeiro!) que nunca termina que nos mantém presos uns aos outros, mesmo que a morte nos separe...
Lembro-me da viagem quase silenciosa que fiz ao lado do meu irmão e junto com a minha M., em direção a Santo António, no dia que a minha avó morreu. Lembro-me do que senti ao chegar a Santo António. Lembro-me de sentir que um dos laços que me ligava àquela freguesia se tinha quebrado nesse dia em que ela respirou pela última vez. Lembro-me de sentir um vazio no meu coração... como se parte da minha história no Nordeste também tivesse ido com ela, como se a minha freguesia deixasse de ser um pouco minha, do pouco que ela já é...
Nesta quadra natalícia, abracem muito, beijem muito, amem muito, perdoem, sorriam... nada mais importa a não ser: sermos felizes uns com os outros... Um dia, tudo acaba... 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Atenção: sou uma MÃE!

Há uns dias estava eu em casa com a minha M., mas enquanto ela brincava sozinha no seu tapete, eu estava sozinha na cozinha a preparar o nosso jantar e, ao mesmo tempo que arrumava a casa, lavava loiça e ainda ponha roupa a lavar! (Há dias que não dá para fingir que não existem tarefas domésticas para fazer e muito menos dá para deixar para amanhã!)
Ela pedia-me pouco a pouco para ir brincar com ela e eu, de coração partido, dizia-lhe que não podia, que tinha isto e aquilo para fazer, mas que quando terminasse ia brincar um bocadinho com ela. Acreditem mesmo que detesto dizer "não posso" à minha filha por causa de afazeres domésticos. Detesto mesmo! Sempre que posso deixo tudo por fazer para poder estar com ela, mas nesse dia era impossível. Tinha de fazer pelo menos o jantar para comermos... A dada altura ela vem até à porta da cozinha, com uma carinha muito zangada comigo e diz:
"Mãe, tu não és uma cozinheira!"
E eu, admirada com tanta determinação, digo "Ai não?! Então sou o quê?!"
Ela responde assertivamente: "És uma mãe!"

Dahhh Vera, és uma MÃE! 

Pois sou, filha! E é por isso que:
- sou cozinheira para te poder alimentar;
- sou educadora/professora para te poder ensinar coisas novas;
- sou médica/enfermeira porque cuido de ti quando estás doente;
- sou catequista quando te falo de Jesus e te ensino a rezar;
- sou despertador, quando tenho de te acordar cedinho;
- sou fashion adviser quando te visto toda linda e boneca;
- sou cabeleireira quando te penteio e, quando é preciso, corto também;
- sou ilusionista quando dou beijinho no teu dói-dói e ele vai embora;
- sou psicóloga quando não consegues lidar com a tua revolta;
- sou artista quando crio trabalhos manuais para te cativar;
- sou contadora de histórias quando me pedes para te contar uma história antes de dormir;
- sou empregada doméstica quando arrumo e limpo tudo em casa para que vivas num ambiente limpinho;
- sou atriz quando finjo que sou palhaça, que estou triste, que estou feliz, que sou o fantasma da meia-noite,...;
- sou lavadeira quando tiro nódoas da tua roupa ou quando a lavo, estendo, recolho, passo a ferro e arrumo;
- sou cake designer quando me aventuro no mundo dos bolos para fazer um lindo só para ti;
- sou babysitter quando estou a tomar conta de ti, mesmo sem estares doente;
- sou dançarina profissional quando tenho de dançar vários estilos de música "folclore, marchas, zumba, aché,...;
- sou cantora sempre que me pedes para cantar alguma música;
- sou uma espécie de "GPS" porque encontro tudo aquilo que não sabes onde está;
- sou modelo porque me imitas a toda a hora (e ser modelo dá mesmo muito trabalho, pois é a grande responsabilidade de ser mãe!);
- e sou ainda o teu anjo da guarda porque a minha grande missão é proteger-te.

Uma mãe é isso e muitooooo mais que só o dia-a-dia nos permite e faz ser!... Tudo isso por este amor incondicional que sinto por ti, minha filha...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Histórias minhas de Natal VII: "Natal com o Menino Jesus da minha vida"

A partir de 2013 os Natais começaram a ter outro sabor...

Em 2013 estava grávida (bem grávida já, contando que a minha M. deveria ter nascido em Fevereiro, embora tenha tido pressa e brindou-nos com a sua presença no mês de Janeiro!)... Depois de enfeitar a árvore cá em casa, não podia deixar de marcar a presença de mais um ser entre nós que, só por acaso, ainda estava na minha barriga... Então, por cima da pequena árvore, escrevi o nome dela e coloquei a fotografia da última ecografia. Senti-a mais presente do que nunca nesse Natal (antes dela nascer, claro!).

Os rituais habituais (noite de Natal na casa dos meus sogros e dia de Natal na casa dos meus pais) mantiveram-se. Em 2014, ela tinha 11 meses. Pouco antes do Natal começou a gatinhar e pertinho do Natal, levantou-se sozinha pela primeira vez querendo chegar ao guizo do Pai Natal que estava lá numa cana de bambu a enfeitar a casa. Ficou toda orgulhosa de si própria e fez transparecer isso mesmo. As bolas da árvore eram um grande incentivo para fazê-la chegar mais perto da árvore e muitas vezes chegou a tirá-las para brincar. As luzes a piscar também eram motivo de grande divertimento e ela era capaz de ficar a olhar para elas durante bastante tempo. Na noite de Natal e dia de Natal ficou espantada por ver os presentes e os brinquedos novos, mas aquele efeito "tchanan" ainda não existia nela. Gostou de tudo, claro, mas o entusiasmo de verdade aconteceu no ano seguinte...

Em 2015, ela tinha quase 2 anos e aqui sim era percetível aquela euforia do Natal, do Pai Natal e dos presentes. Perante uma árvore cheia de presentes o nervosismo era tanto que ela não cabia em si e mal abria um presente queria brincar com ele. Os seus olhinhos brilhavam de tão feliz que ficava. Já sabia cantar músicas de natal, como o "Pinheirinho", "Vou por meu sapatinho", "Toca o sino",... Fazer a árvore e o presépio foram dias de grande animação. As bolachinhas de Natal que costumo fazer teve outro sabor, o de amor de mãe e filha. O conceito de "nasceu Jesus" e cantar-lhe os parabéns também esteve incutido durante toda a quadra. Foi um Natal cheio de amor em seu redor e assim é que deve ser...

Este ano, as coisas ainda vão ser melhores, com certeza... Pelo menos eu espero que sejam... Depois conto como correu! :)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Comidas que me fazem viajar...

Desde que o tempo começou a esfriar que me tem apetecido beber chá quentinho. E, se sinto fome, adiciono biscoitos.
Bom... sempre que como chá com biscoitos viajo no tempo. Lembro-me da minha infância. Lembro-me da Alzira, da Regina, da minha "tia" Raquel. Lembro-me que elas faziam biscoitos caseiros e sempre que ia à casa delas (por norma era a minha segunda casa lá em Santo António), que era quase diariamente, pedia para comer chá com biscoitos. Era chá com biscoitos e ovos estrelados, dos caseiros... Que saudades de ser mimada por elas.
A tia Raquel viva noutra casa com o seu marido, a quem eu chamava de avô. Nem ele era meu avô e nem ela era minha tia, mas tratava-os assim. A tia Raquel era irmã da Regina e da Alzira, que moravam juntas. A Regina era viúva e a Alzira solteira. Não tinham filhos, por isso "adotavam" as crianças que, como eu, gostavam de estar com elas. Sei que a minha tia Dídia também passava muito tempo com elas quando era pequenina. E o que tinham elas de especial?! Tratavam-me bem! Davam-me miminhos! Ensinaram-me a fazer crochê (hoje já não sei!), davam-me para comer aquilo que eu quisesse, tinham fotografias minhas espalhadas pela casa, como se fosse neta, faziam-me vestidos de lã (lembro-me que tive um que eu adorava azul e cor-de-rosa!) e roupinhas para as bonecas. Deixavam-me ir com elas ao galinheiro, ao quintal, tinham um cão que também era "meu", mas que quando estava na rua não me ligava nenhuma...

Quando saia da escola primária, parava sempre em casa delas para saber o que era o almoço, antes de ir para casa. Muitas vezes, se calhar elas já não tinham para mim (não tenho muita noção!), e diziam que era ovos estrelados com batata frita, porque sabiam que eu gostava e queriam que eu lá ficasse. Ia para o balcão da casa delas e esperava pela minha mãe passar para lhe dizer que ia almoçar lá. Às vezes calhava e que feliz que eu ficava! :)

A tia Raquel era a esposa, dona de casa dedicada e costureira. A Regina era a trabalhadora. Aquela que tanto ia para a terra como ia para a cozinha ou fazia crochê, sem problema nenhum. A Alzira era a "menina" da casa. Era quem sabia fazer crochê e tratar dos animais, principalmente do cão e, mais tarde, do gato que adotou. Era a mais magrinha e pequenina de todas. Chegou a uma altura que já lhe pegava ao colo, na boa. Devia ter, sei lá, uns 40kg, no máximo... Era a mais foliona, divertida e enchia-me de beijos. Das 3, foi a última a ir embora, se não me falha a memória, partiu há uns 4 anos...

Hoje, nenhuma delas está fisicamente entre nós, mas residem no meu coração. E sempre que como ovos estrelados caseiros ou chá com biscoitos sinto-as tão pertinho de mim...