Um dia bom só começa com um sorriso bom, por isso faço questão de pedir todos os dias de manhã um "sorriso de bom dia" à minha M., que o oferece na maior. Até hoje nunca me deixou sem o seu sorriso e faço votos que assim continue por toda a sua vida. Não que eu seja o expoente máximo da boa disposição ao acordar (que não sou!), mas desde que ela nasceu tento incutir nela a boa disposição ao acordar, pois faz mesmo a diferença no resto do dia... Eu, pelo menos noto a diferença no meu dia... Por isso, aqui deixo o nosso (neste caso o meu!) sorriso de bom dia, nesta segunda-feira de trabalho que se inicia...
My baby M., a educação dela, viagens que faço ou gostaria de fazer, decoração, artesanato, a ilha onde vivo...!
segunda-feira, 20 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
Step 1 do desfralde: Armadilhar a casa
Como disse, para breve ia iniciar o desfralde da minha M. e vai daí, antes de tudo, quis armadilhar a casa para eventuais descuidos.
Primeira coisa a fazer: tirar o tapete da sala e colocar algo mais impermeável... quando o meu irmão e cunhada foram à América, pedi-lhes daqueles chãos de borracha de letras, pois cá só tinha encontrado algumas letras e eu queria o alfabeto todo e, além disso, aqui era caro como um raio... Na América é tudo mais "fun" de comprar e por isso aproveitei a boleia! :) Vai daí, não montei logo porque estava à espera de colocá-lo na casa nova... mas a M. ia crescer e ia deixar de achar piada àquilo que decidi que esta era a altura certa para substituir o tapete lá de casa que já estava preparado para ela, tipo amortecedor das quedas. Já passamos essa fase e chegamos à fase do xixi e do cocó por todo o lado... Nada melhor do que aquele chão de letras para ser fácil de eliminar os eventuais descuidos.
A minha M. adorou! Agora a brincadeira é tirar e por letras! :) Já não sei quantas vezes já arrumamos aquilo! :) E aquilo é super fixe pois é quentinho... Não me importo mesmo nada dela estar descalça lá, desde que depois se calce para andar no resto da casa...
Ficou um mimo!
sábado, 18 de junho de 2016
Um lindo bebé-milagre...
A semana passada li este artigo e fiquei a pensar nele...
É de facto um caso muito hilariante e com um final feliz... Um bebé que cresceu na barriga da sua mãe que ficou em morte cerebral quando ele só tinha 17 semanas, fruto de uma hemorragia intracerebral.
Faz-me pensar... Lourenço Salvador é o seu nome. Lourenço foi o nome que a sua mãe escolheu... Um nome lindo. Se calhar a única coisa que escolheu para o seu filho. É muito triste! :( Uma mãe não ter oportunidade de ver um filho crescer... uma mãe que dá a vida e não pode pegar no filho ao colo, sentir o seu cheirinho, ouvir o seu choro, o primeiro sorriso, os primeiros passos,... Não é justo! Não é justo uma mãe perder um filho, como não é justo um filho nem conhecer a própria mãe.
Lembro-me que depois da minha M. nascer, eu só pensava em tratar bem da minha saúde para não lhe faltar nos próximos anos. Continuo a pensar assim hoje em dia, mas já não paranóica... Quero vê-la crescer, acompanhar as suas vitórias, ampará-la nas suas derrotas, dar-lhe infinitos beijinhos e abraços e ser simplesmente a mãe dela por muitos e muitos anos...
Ao Lourenço Salvador desejo que, mesmo sem a figura da sua mãe presente na vida dele, possa agradecer com as suas vitórias o dom de estar vivo e encontre o amor da sua mãe na figura do pai, dos avós e restante família. Uma mãe faz sempre falta, oh se faz...
Lembro-me que depois da minha M. nascer, eu só pensava em tratar bem da minha saúde para não lhe faltar nos próximos anos. Continuo a pensar assim hoje em dia, mas já não paranóica... Quero vê-la crescer, acompanhar as suas vitórias, ampará-la nas suas derrotas, dar-lhe infinitos beijinhos e abraços e ser simplesmente a mãe dela por muitos e muitos anos...
Ao Lourenço Salvador desejo que, mesmo sem a figura da sua mãe presente na vida dele, possa agradecer com as suas vitórias o dom de estar vivo e encontre o amor da sua mãe na figura do pai, dos avós e restante família. Uma mãe faz sempre falta, oh se faz...
A odisseia dos primeiros 3 dias de amamentação
Depois de ler isto, rebobinei na minha cabeça a cassete da minha experiência com a amamentação nos primeiros meses da minha filha.
Ora bem... antes de ter a minha filha, "amamentação" era um assunto que me causava alguma impressão. Bastava estar lá no trabalho e lá de vez em quando as colegas já mães iam comentando uma a uma como tinha sido a experiência e aquilo já me dava voltas ao estômago! Se há coisa que considero ser uma falta de classe e educação é que chamem às pessoas nomes de animais, principalmente "vaca" a uma menina/senhora. Tem um tom horrivelmente mau. E toda aquela conversa de "leite" para um lado e para o outro transportava-me para uma sala enorme de ordenha... Não era bem um cenário aprazível para mim, principalmente porque eu estava grávida e não sabia bem como ia ser comigo...
Quando me perguntavam se ia amamentar, eu respondia (e pensava) que ia ser o que tivesse que ser. Muitas pessoas torciam o nariz à minha resposta e não acreditavam que eu ia aguentar sequer 1 dia... Algumas comentavam isso mesmo e outras não. Eu mantinha-me calada e, mentalmente fui me preparando para amamentar, como também para não o fazer. Ia experimentar e se não corresse bem, não me ia massacrar por causa disso...
Quando me perguntavam se ia amamentar, eu respondia (e pensava) que ia ser o que tivesse que ser. Muitas pessoas torciam o nariz à minha resposta e não acreditavam que eu ia aguentar sequer 1 dia... Algumas comentavam isso mesmo e outras não. Eu mantinha-me calada e, mentalmente fui me preparando para amamentar, como também para não o fazer. Ia experimentar e se não corresse bem, não me ia massacrar por causa disso...
Quando ela nasceu, depois dos procedimentos normais, colocaram-na no meu colo e perguntaram-me se eu ia amamentar. Eu respondi que ia tentar, mas que não sabia se tinha já o dito cujo disponível... A partir desse momento iniciou-se a odisseia da amamentação... Ala maminha para fora e a boquinha da bebé lá permaneceu... A primeira experiência até não correu mal... era uma sensação estranha, até porque nunca tinha passado por isto, mas ao mesmo tempo que era estranha, foi um momento lindo: alimentar a minha filha. Nunca pensei dizer isto! Todas as outras vezes que ela mamou no hospital correram sempre bem, umas vezes ela queria dormir mais do que comer, mas no geral, com a ajuda das enfermeiras que por lá passavam, a coisa ia correndo bem...
No dia que viemos para casa, na nossa primeira noite juntos na nossa casa é que foi o despoletar de um cenário que não desejo sequer ao meu pior inimigo, mesmo que o tivesse. A "subida do leite"! Essa malvada! Nessa noite e no dia seguinte eu só pensava "antes ter 10 filhos seguidos, do que isto!"... A meio da noite, numa das vezes que estava com ela ao colo (não me lembro se antes ou depois dela mamar), deu-me hipotermia. Não sabia bem o que era aquilo, mas a minha reação foi sentar-me na cama, colocar a M. ao meu lado, para não deixá-la cair, e enroscar-me no edredão. Nesse momento, o namorido abraçou-nos no sentido de me aquecer de alguma forma e assim ficamos os 3. A coisa acalmou depois de uns minutos... Ainda tive mais uma hipotermia algures no dia seguinte, mas não tão forte e esquisita como esta...
No dia seguinte... oh God, em vez de maminhas (que tinham crescido durante a gravidez de forma considerável) tinha mamonas ainda maiores e duras como pedras. Uma espécie de caminho agrícola, cheio de pedregulhos, uns mais pequenos e outros maiores... Doíam como o raio! Nem as podia tocar... E, ao longo do dia, foi piorando, piorando, porque a bebé só queria dormir. Ponha-a para beber leite e ela nada... Pudera, nesse dia andou de colo em colo, queria era a boa festa e a mãe que se lixasse... Fui ao duche, pus os ditos paninhos quentes e nada (NADA!) resolvia aquele tormento... Até suores frios tive...Pedia encarecidamente uma bomba para tirar leite (porque eu não tinha comprado, pois não sabia se ia ou não amamentar e uma bomba de leite ainda custa caro!). Lá consegui uma no fim da tarde que a nossa amiga R. disponibilizou. Apesar da falta de jeito, lá saiu qualquer coisa, mas mesmo assim não resolveu o problema... Só ficou verdadeiramente resolvido quando ela, pelas 19h decidiu comer como deve ser... Por mais que tente explicar, não vão conseguir perceber o alívio que senti naquele exato momento... Muito melhor do que aquela sensação de fazer xixi quando estamos muito, muito, muito apertadinhos...
No único momento que consegui fazer com que ela bebesse leite (finalmente!), estava eu sozinha em casa, com ela, e a campainha toca... eu nem conseguia mexer-me para ir abrir a porta, não fosse ela rejeitar a amamentação (não podia conceber sequer a ideia de recomeçar tudo do zero!)... Eram as primas R. e B. que a vinham ver e, até hoje, fico com o coração pequenino só de pensar que não lhes consegui abrir a porta...
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Fomos à procura do sol e encontramos!
O passado fim-de-semana foi simplesmente espetacular no que diz respeito ao tempo... Bom, na verdade, se não fosse o Spotazores, um site simplesmente espetacular que faz todo o sentido existir, principalmente para quem vive nos Açores, teria ficado deprimida com o mau tempo que se fez sentir em algumas zonas da ilha. Assim, depois de percorrer as zonas balneares de toda a ilha nesse mesmo site, concluímos que o sol estava mesmo na zona da Praia dos Moinhos e Maia. Foi para lá que fomos sem hesitar... sem hesitar mesmo!
A Praia dos Moinhos fica no Porto Formoso, em S. Miguel, e é uma praia pela qual tenho algum carinho: é uma das praias mais próximas da Lomba da Maia (onde a minha avó e padrinhos vivem) e é para lá que costumam ir os meus primos e padrinhos. Lembro-me de ir muito à Praia dos Moinhos quando era pequenina, principalmente quando ia com os meus primos ou padrinhos. A areia é mais grossa que as restantes praias da ilha e por isso não se cola à pele (e nem estraga os bikinis!). Bom, para quem não está habituado, pode eventualmente dizer que chega a doer os pés, mas só ligeiramente! :) Além disso, esta praia tem uma particularidade que desconheço em outras praias: quando entramos na água, depois de um bocadinho, deixamos de conseguir ter pé. Nunca percebi porque faz aquele "fundão", mas deve ter a ver com as marés daquela zona. Para quem não sabe nadar, chega a ser um perigo.
Hoje, a praia tem alguma fama (da boa!) pelas condições que apresenta (um bar com uma esplanada espetacular, balneários muito modernos, a paisagem envolvente que é paradisíaca,...) e por isso investiram num parque de estacionamento próximo que, infelizmente, já não chega a ser suficiente, principalmente durante os feriados, fins-de-semana e férias das pessoas. Acho que era tempo de pensarem num local para um novo estacionamento (no dia que fomos, estava lotadíssimo e havia carros pela rua, quase até à estrada regional, tal era a gana das pessoas de ir à praia... Mas o culpado disto é mesmo o S. Pedro!)
Bom... Como íamos com intuito de ficarmos na praia como deve ser, sem pressas, preparamos a princesa e tudo o que uma ida à praia com ela acarreta (guarda-sol, protetor X + protetor Y, balde e brinquedos, 2 toalhas só para ela, alguma comida e alguma bebida) e lá fomos nós "à procura do sol"! Esta expressão é muito usada cá desde sempre e faz mesmo todo o sentido. Hoje existe o Spotazores, que nos veio facilitar a procura do sol. Quando saímos de casa já sabemos onde ele está, mas antes do Spotazores íamos literalmente à procura do sol, sem saber onde íamos parar. É uma espécie de AC e DC, neste caso AS e DS. :)
O dia foi fantástico! O sol estava quente (mesmo do jeitinho que eu gosto!), tinha pouco vento (vento e praia não combinam!), não haviam águas vivas (fator extremamente importante para mim!), a companhia excelente (colei-me ao meu irmão e cunhada e aos amigos deles!). De menos positivo esteve a temperatura da água (estava mesmo fria, mas com o sol que estava cá fora era impossível não ir lá!) e meio turva (do mau tempo que tem feito cá é normal que assim esteja!).
A M. adorou! Brincou muito na areia e com os seus brinquedos. Comemos um geladinho (e ela já come sozinha como se nada fosse!), fomos à água, fomos à ribeira e sorrimos muito! E a vida é mesmo isso, feita de pequenos momentos que se tornam inesquecíveis! Basta querer! :)
Fomos à festa!
No passado fim-de-semana foi festa na minha freguesia de infância...
A minha ideia era participar das festas nos dias todos, mas dada a distância e outros fatores, infelizmente, só consegui ir no dia da abertura.
Foi o dia da inauguração de um largo junto à igreja, a inauguração das luzes, de um espetáculo de folclore e o dia em que distribuíram variadas sopas feitas por gente da freguesia, uma espécie de "mini-festival de sopas". Deu para rever a maioria das pessoas, queridos amigos de sempre (e para sempre!), passear na festa, comprar bilhetes no bazar (e ganhamos 2 conjuntos de copos!) e ainda para reviver as festas de Santo António de quando eu era pequenina! :)
A minha M. adorou a sopinha (de peixe, a sua preferida!) e quando viu a amiga I. ficou radiante. Só queria brincar com ela! É, sem dúvida, muito bom ver a minha filha sendo amiga da filha de uma das minhas melhores amigas. É como se fosse a continuidade da nossa amizade...
Uns recortes do bocadinho que lá estivemos...
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Casais que admiro...
Li este artigo e cortou-me o coração! :(
Um dia, e se tivesse muito dinheiro, além dos meus filhos, não me importaria de adotar uma ou duas crianças, preferencialmente de outras raças. Não me faz qualquer tipo de confusão... E admiro muito quem concretiza esse feito. Vejo, por exemplo, o caso do Brad Pitt e da Angelina Jolie (3 filhos biológicos e outros 3 adotados) e adoro! Entre outros conhecidos...
Como é possível complicarem tanto uma coisa tão simples... Claro que compreendo que não entreguem as crianças a qualquer pessoa sem primeiro investigarem se são pessoas capazes de terem um filho. Mas demorarem anos até isso acontecer é que é descabido! Primeiro que tudo é contra natura abandonar um filho. Eu acho! Por mais motivos que tivesse, acho que nunca seria capaz de o fazer. Minha rica filha! Mas há quem o faça, infelizmente. São 399 menores (em Dezembro de 2015) nesta situação. Felizmente, existem 1884 candidatos em Portugal que desejam adotar pelo menos uma criança.
Sei também, por casais que conheço e que fazem parte daqueles que pretendem adotar, que primeiro tentam devolver as crianças às suas famílias originais!!!!!! Se os abandonaram, vão querê-los de volta?! Enquanto o processo não avança, a criança dorme numa casa que não é a sua, com outras crianças que vivem o mesmo drama que elas, com adultos que nem sempre poderão ser simpáticos,...
É urgente agilizar o processo de adoção para que cada criança possa encontrar uns pais amorosos (mesmo que não o sejam de sangue!) e um lar digno de a receber, pois cada ser pequenino merece apenas isto: ser uma criança feliz e sorrir! Sorrir muito!!!
O dia que fiquei sozinha em Lisboa
Já estava em S. Miguel quando me ligaram a dizer que tinha ficado colocada na UAL (Universidade Autónoma de Lisboa). Nesse momento senti um misto de sensações: por um lado fiquei feliz e aliviada, porque como recusei as outras 2 universidades a que me propus (para quem não leu a história está aqui), ao menos tinha corrido o risco e tinha corrido bem! Mas depois da felicidade inicial veio a pergunta "E agora?! O que faço agora?!"
Tinha plena consciência que tinha de partir para Lisboa, que tinha de deixar para trás os meus pais e irmão, com quem nunca soube viver sem. Lisboa, não era só uma cidade. Era a capital de Portugal. Era a grande metrópole do país. Já tinha ido lá de férias com os meus pais e irmão, quando tinha 10 anos e há uns meses quando fui fazer os exames de admissão, portanto tinha visto como era grande. Como é que eu ia ficar lá sozinha?! Não sabia...
Depois desse telefonema, tive de apressar tudo. As passagens, na altura, comprei-as (os meus pais, no caso!) na Agência de Viagens AVA, que já não existe. Era uma para mim sem regresso marcado e outra para o meu pai com regresso marcado dali a uma semana. A minha mãe pediu ajuda ao meu primo P. para ver se haviam quartos para alugar numa zona que fosse boa. O meu primo estava a estudar em Lisboa e foi 5 estrelas connosco e comigo enquanto estivemos lá juntos. Descobriu um apartamento de um Psiquiatra em Alcântara, muito próximo da universidade onde ele estudava (Instituto Superior de Agronomia). No apartamento viviam outras estudantes, de várias Universidades, mas na altura apenas uma estava na casa, a R., que também era açoriana. Teria de dividir o quarto com ela, pois além de ser mais barato, o resto da casa (mais 3 quartos) estava quase toda ocupada (exceto um deles, acho). Eu aceitei e os meus pais também...
Hora de preparar a mala para uma das viagens mais difíceis da minha vida...
Lembro-me desse dia como se fosse hoje! Depois de fazer o check in, ter de dizer adeus à minha mãe e ao meu irmão "até um dia que desse" não foi fácil... Sei que chorei muito... Lembro-me que o meu pai abraçou-me e levou-me até à segurança do aeroporto e sala de embarque sempre me dando muito apoio. Eu fui sempre a chorar... Lembro-me de estar em viagem no avião ainda a chorar. Eu não conseguia parar! :(
O meu pai ficou comigo uma semana... Fiquei a dormir com ele no Hotel AS Lisboa. Fomos tratar da matrícula e restantes papéis necessários, assim como fomos conhecer o tal apartamento onde ia morar. Ficava na Rua Luís de Camões, em Alcântara, entre um mini-mercado e um café. Mais abaixo havia uma frutaria e um cabeleireiro no outro lado da rua. No fim da rua ficava o quiosque onde mensalmente eu passei a comprar os passes para andar nos transportes públicos. Existiam também alguns restaurantes e bares. Aliás, ficava a 8 minutos (contados no relógio) a pé das docas de Santo Amaro.
Confesso que quando entrei no apartamento a primeira vez, simpatizei logo com ele, apesar de ser minúsculo. Tudo o que era quarto, o senhorio fez questão de arrendar, por isso eram 4 quartos de dormir, um deles mais pequeno que os restantes, uma cozinha (que devia ser uma dispensa e foi transformada em cozinha - imaginem a pequenez!!!) e um wc. Um dos quartos de dormir dava passagem para um terraço partilhado com a clínica do senhorio e onde os pacientes fumavam (era lá que lavávamos roupa à mão (!!!) - não tivemos máquina de lavar durante 1 ano inteiro - e estendíamos! Às vezes era um bocado assustador! O nosso quarto (meu e da R.) era logo à direita e era grande com uma pequena varanda para a rua principal.
Conheci a R. e os seus pais nesse dia. Pessoas simpáticas e acolhedoras. Não dormi nessa noite no apartamento, mas logo que instalei todas as minhas coisas no quarto, apesar do meu pai ainda estar em Lisboa, disse-me que era melhor eu ficar no apartamento para me ir ambientando. Eu apenas dormia lá, porque durante o dia ele levava-me à universidade e quando saia ficava com ele até à hora de ir dormir. Ele procurou saber o autocarro que eu devia utilizar para ir para a universidade, fez o percurso de autocarro comigo de casa para a universidade e de regresso a casa. Comprou-me alguns alimentos e outras coisas para eu ter em casa. Até que chegou o dia que o meu pai me deixou no apartamento e teve de partir. Esse foi outro dia que me lembro muito bem! Quando penso nele dá-me sempre um enorme aperto no coração e as lágrimas vêm-me aos olhos automaticamente. Despedimo-nos à porta do prédio. O meu pai não é de chorar, mas sei que ele chorou. Eu pedi-lhe tanto para não me deixar ali sozinha. E sei que ele não me queria deixar ali sozinha, mas não tinha outra solução melhor. Aquilo era o melhor para mim! Entrei no prédio lavada em lágrimas e sentei-me nas primeiras escadas que existiam e o único pensamento que tinha era "E agora?! Eu estou sozinha em Lisboa! Eu não quero estar aqui! Quero ir com o meu pai para a nossa casa! Esta não é a minha casa!..." Foi como se tivesse caído ali de pára-quedas... Chorei tanto, tanto ali naquelas escadas sempre à espera que o meu pai se arrependesse e viesse buscar-me. Ele não veio... Eu limpei as lágrimas e subi as escadas. Quando abri a porta estava a R. e os pais, na mesinha minúscula que tínhamos para comer, e perguntaram-me se estava tudo bem. Eu, novamente lavada em lágrimas, respondi que não e fui para o quarto chorar... Pedi-lhes para me deixarem sozinha. Tinha de assimilar aquela ideia, que tinha de ficar ali sozinha. Acho que nesse dia adormeci a chorar... Não me lembro de conseguir parar...
Local:
Lisboa, Portugal
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Vacas felizes?! Só aqui!
Tendo em mente a última publicidade do leite Terra Nostra só posso dizer uma coisa: está genial!!!! Apesar do exagero que a letra da música tem (nunca vi vacas a dançar, nem a jogar xadrez!) está muito bem conseguida e as imagens estão muito boas. Mesmo!
Veja o vídeo! Acho que vou aprender esta música para ensiná-la à minha M., aposto que ela vai adorar!
Infelizmente as coisas não são bem assim na sua maioria... Têm erva verde sim e uma paisagem deslumbrante, embora ache que elas não estão propriamente a dar grande importância a isso... Mas e quando secam a erva para alimentá-las no inverno?! Aquilo cheira mal que se farta! E quando lhes furam as orelhas e colocam números no pelo?! Aquilo deve doer!!!! Não me lembro de ver nenhum lavrador a dar miminhos às suas vacas! Para elas poderem dar leite (e o lavrador receber dinheiro com isso!!!), mesmo cá, onde dizem que elas são "felizes", provavelmente, retiram os bezerrinhos às suas mães permaturamente... Isso é ser feliz?! Não me parece!
A partir de certa altura deixei de beber leite, pelo seu sabor forte que não me agradava e acho porque apanhei uma doença qualquer que me fez não conseguir beber leite branco sem vomitar. Sempre fui muito esquisita com o leite. Lembro-me da minha mãe ter de coar o leite para retirar os bocadinhos que, antigamente, coalhavam quando se aquecia o leite (hoje, estranhamente, isso não acontece! Deve haver alguma teoria que eu desconheço!). Se eu sentisse um bocadinho de leite coalhado na minha garganta, vinha tudo para fora. A minha mãe dizia que eu tinha um filtro na minha garganta e que dali não passava nada... É verdade!
Hoje, bebo descafeinado de manhã com uma pinguinha de leite para "arrefecer". À minha filha, se ela pede leite, dou-lhe leite de soja. Se dou de vaca é só um bocadinho e porque ela pede, se não pede, não dou. Neste momento, se eu puder evitar o consumo de leite lá de casa evito, pois a máxima "nenhum outro mamífero bebe leite depois de crescer" faz muito sentido para mim, principalmente depois de ler muitos artigos a informar dos malefícios do leite no nosso organismo (confira aqui, aqui, aqui, ou aqui, por exemplo).
Local:
Ponta Delgada, Portugal
Tenho a minha consciência tranquila
Depois de ler isto, confesso que fico com a minha consciência de mãe tranquila. Quando soube que estava grávida, nunca pensei que a minha vida fosse mudar tanto. Tinha uma vida social relativamente ativa. Alguns amigos sempre por perto. Gostava muito de ir a uma festa, a um concerto, a um churrasquinho,...
Desde que a minha filha nasceu, e até mesmo grávida, que a minha prioridade passou a ser ela. Tudo o que faço é pensado e analisado ao pormenor por causa dela. A felicidade, o bem estar e a saúde dela são as minhas grandes prioridades. Todo o tempo que tenho disponível dedico-o a ela. Assim que saio do trabalho, vou ter com ela e com ela passo o resto da tarde/dia, faço os afazeres do dia-a-dia com ela ou, sempre que tenho oportunidade, faço algo para ela, ao gosto dela. Ao fim-de-semana tento fazer programas onde ela está inserida e que sejam indicados para ela. Quando não são, simplesmente não os faço. E ainda tento respeitar ao máximo os horários que ela tem no meio disso tudo.
Espero ser sempre assim com ela, independente da idade. Quando estiver na escola, espero poder dar-lhe o apoio que ela, com certeza, vai precisar e ser atenta o suficiente para detetar algum problema que ela tenha para poder, assim, ajudá-la de alguma forma. Na idade em que ela precisar estar com os seus amigos, espero conseguir dar-lhe o espaço que ela precisa, sem nunca esquecer que sou e serei a sua melhor amiga e que poderá contar comigo para sempre e para tudo. É isto o que uma mãe é. Pelo menos a minha é e sempre assim demonstrou ser.
Esta é a mãe que sou e que sempre quis ser... Se calhar tive momentos que pensava que não estava preparada para ser mãe, mas hoje eu sinto que estava, porque hoje sei que, com o nascimento da minha filha eu não perdi nada, só ganhei: um melhor conceito de vida, um melhor conceito de família, um melhor conceito de amizade.
terça-feira, 14 de junho de 2016
Sou a cara 56.247
Apareceu-me no facebook uma página de apoio à seleção portuguesa a competir neste momento o Euro 2016. Nesta página "damos a cara" pelo nosso país. E, como portuguesa que sou, quem mais poderia dar a cara pelo meu país que não eu?! Espero, no mínimo, que todos os portugueses (ou a grande maioria) o façam... Não gostar de futebol não é desculpa. É pelo futebol?! É, mas é muito mais que isso. É pelo país onde vivemos. É pelas pessoas que aqui vivem. É por todos nós!
No passado fomos os grandes aventureiros, os afoitos, conquistamos o mundo através da conquista do mar. Fomos os primeiros! Fomos os heróis! Hoje somos apenas um país pequenino, situado no cantinho da Europa... Somos pequeninos, mas de alma guerreira!
Gosto do meu país, apesar de certas particularidades... Tem paisagens lindas, é calminho, ótimo para férias e excelente para viver. Temos qualidade de vida, eu pelo menos tenho e vivo numa ilha no meio do Atlântico. Existem recantos maravilhosos. As pessoas são, na sua maioria, acolhedoras e afáveis.
A "febre" do futebol começa hoje, agora (por isso este post foi antecipado 1h)! E, aqui as gajitas (eu e a minha filha, entenda-se!) vamos apoiar a nossa seleção e o nosso país! ;) Pelo nosso passado, pelo nosso presente, pelo nosso futuro, ergamos a nossa bandeira!
Etiquetas:
Portugal,
portuguesa
Local:
França
O meu sotaque é genuíno
Todos já sabem que passei 6 anos da minha vida em Lisboa (o último dos quais foi em Mafra!) e adorei... Inicialmente não me sentia muito confortável a falar com as pessoas ou a participar nas aulas com medo que não me percebessem, mas aos poucos fui perdendo esse "problema"... Nunca falei diferente, nunca escondi o meu sotaque (alguns o fizeram e fica simplesmente ridículo quando alguém sai da ilha em Setembro e, no Natal, fala "à moda"!). Posso ter falado mais devagarinho para me fazer entender (só quando não percebiam à primeira!), mas quem me conheceu nessa altura, principalmente os amigos que fiz em Lisboa, sabem que sempre fui genuína quanto ao meu sotaque. Muitas vezes fui alvo de chacota, mas nunca levei a mal e sempre achei piada a tudo (até porque nunca me faltaram ao respeito!). Eu não era (nem sou!) diferente de nenhum deles, apenas falo com um sotaque diferente... :)
Escrevo este post por causa deste texto que li aqui, onde podem ver alguns dos termos que usamos cá (para aprenderem alguma coisinha de jeito!) e que achei imensa piada, pois existem alguns episódios engraçados que vivi e que nunca esquecerei durante a minha estadia na cidade "que se fala bem"!
Uma vez, em casa, a estender roupa, pedi à minha amiga P. que me passasse os "pregos" e ela ficou sem perceber para que queria "pregos" para estender roupa! Afinal o que eu queria era "molas". Ou quando dizia "pode ser água da fonte", quando devia dizer "torneira"; ou "passa-me a pana" quando devia dizer "alguidar", quando dizia "mapa" quando devia dizer "esfregona", entre tantas outras palavras que me faziam rir muito só de ver a cara das pessoas a olharem para mim como se eu estivesse a falar chinês...
Quem quiser aprender mais qualquer coisinha sobre o nosso "dialeto", aconselho vivamente este livro:
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Dia do Santo mais casamenteiro do mundo
Iniciaram-se os festejos dos santos mais gaiteiros e populares de Portugal: Santo António (13 de junho), S. João (24 de junho) e S. Pedro (28 de junho)...
Este Santo de hoje sempre fez parte da minha vida, por ter vivido na freguesia com o mesmo nome. Sempre me lembro de vê-lo lá no altar da igreja onde realizei todo o meu percurso católico desde o batismo ao crisma. Por isso, sempre tive por ele um carinho mais especial. Era com Ele que eu falava e pedia as minhas coisinhas de criança, que já nem me lembro bem o que era... Lembro-me de ter uma altura em que participava na missa. Durante a semana também ia à missa para fazer a leitura (é verdade!). Não lia ao domingo porque a igreja, apesar de ser enorme e da freguesia ser pequenina, as pessoas aderiam muito e a igreja ficava lotada de gente e eu tinha vergonha de ler para tanta gente. Sempre fui assim um pouco tímida para essas coisas...
Depois de sair de Santo António, trouxe comigo o carinho por este santo e que perdura até hoje. Quis Deus que eu ficasse a estudar exatamente no coração de Lisboa, cidade cujo padroeiro é também o Santo António e lá a festa é rija (mesmoooo!). Infelizmente durante os 4 anos de curso o mês de junho era mês de frequências e, quem me conheceu nessa altura sabe que eu hibernava completamente em fevereiro, junho e julho (épocas de frequências e exames!). Se o ano todo podia faltar às aulas (sem problemas de consciência), exceto quando se tratavam de fazer trabalhos anuais ou algo semelhante, nesses 3 meses do ano eu só saia de casa para ir fazer as frequências e exames. Nem para um cafézinho com amigos eu ia, pois nunca seriam 5 minutos e todos os minutos contavam para mim. Foi a opção que tomei e até à data acho que fiz a coisa certa. Portanto, durante esses 4 anos de curso nunca participei na noite de Santo António. Depois desses 4 anos de curso ainda fiquei por lá mais 2 anos (que fazia parte do estágio e já não haviam frequências para fazer!) e aí sim pude experienciar o quanto divertido é festejar o Santo António em Lisboa. As marchas são lindíssimas, o cheiro a sardinhas pelas ruelas, uma multidão que só se quer divertir e está com boas energias, o cheiro a manjericos nas barracas das vendedoras, as ruas enfeitadas com fitas e balões coloridos, a música pelas ruas que vão dar ao Castelo de S. Jorge, a sardinha grelhada em cima da fatia de pão e poder comê-la com a mão. Há zonas, inclusive que só se passa em fila indiana porque é tanta gente que não se consegue de outra forma... Ninguém se chateia, toda a gente sorri, está feliz... Tudo isto durante uma noite inteira.... É simplesmente mágico e único... É tão especial para mim que depois de regressar aos Açores ainda voltei lá umas 2 ou 3 vezes nesta altura para poder reviver e festejar o Santo António como deve ser e só em Lisboa é que isso se consegue de verdade! :)
domingo, 12 de junho de 2016
E não é que sabe mesmo bem?!
Numa das manhãs da semana passada decidi colocar carne moída a descongelar, mas não tinha ideia do que ia fazer com ela quando chegasse a casa... Não podia fazer com arroz ou massas porque são hidratos de carbono e retirei-os quase por completo da minha alimentação, mas também não me apetecia fazer hambúrgueres com ela... Em conversa com a minha mãe, lembrei-me de experimentar fazer lasanha de courgette, que já andava a namorar há uns tempos. Dizia sempre "um dia vou fazer, um dia vou fazer" e o dia chegou!
Fiz assim:
- na bimby coloquei uma cebola, 2 dentes de alho, resto de tomate que tinha congelado (acho que umas 200gr), metade de um chouriço, uma lata de cogumelos e triturei. Coloquei o azeite e refoguei nos famosos 5 minutos. Depois juntei a carne, um pouco de pimenta branca moída e açafrão e cozi por 10 minutos. Enquanto isso, usei os descascadores Tupperware para cortar 2 courgetes às fatias fininhas. forrei o UltraPro com algumas fatias e, quando a bimby terminou os 10 minutos, foi fazer igual a uma lasanha: courgettes, carne, courgettes, carne, até terminar com carne polvilhada com queijo ralado no final.
Ficou, simplesmente, divinal! Eu gostei e a princesa também adorou!... É que fica mesmo, mesmo saboroso! :)
sábado, 11 de junho de 2016
Quase morri com 7 anos... mesmo!
Em Santo António Nordestinho, onde vivi toda a minha infância feliz, havia uma casa, 3 casas abaixo da minha, onde moravam 2 irmãs solteiras. A casa delas foi a minha segunda casa. Entrava lá na maior, sem vergonha nenhuma. Eram amigas da minha família e, sempre que a minha mãe tinha de ir a Ponta Delgada, era com elas que ficava. Quando saia da escola, às vezes parava lá e perguntava o que era o almoço. Rapidamente elas diziam-me que era ovos estrelados (caseiros) com batata frita, porque sabiam que eu gostava e queriam era ter-me lá com elas. E lá ia eu para o balcão da casa esperar pela minha mãe passar para lhe dizer que ia almoçar lá... Tanta vez que fiz isso... Elas tratavam de mim como "a sua menina". Faziam uns biscoitos caseiros divinais, que eu punha no chá e comia. Foram elas que me ensinaram esta especialidade. Ainda hoje gosto, mas os da altura é que eram mesmo bons. Eram a Alzira (o nome dela era Elzira) e a Regina (o nome dela era Eugénia, nunca percebi a alteração do nome).
Foi com elas que aprendi a fazer malha (hoje já não sei!) e passava muito tempo do meu dia num quartinho da casa delas, onde elas se juntavam para fazerem trabalhos de malha, costura,... Saudades desses momentos felizes...
Havia outra irmã delas, que era casada, que também entrava no rol dos biscoitos, chamava-a de tia Raquel (mas não era minha tia de verdade!) e morava noutra casa, onde se faziam os biscoitos. Ao marido chamava-lhe "avô"! Era o meu terceiro avô. Não sei explicar porque os chamava assim, mas sempre me lembro de considerá-los todos da minha família. Estas 4 pessoas, infelizmente, já faleceram e deixam no meu coração muita saudade...
Existe uma irmã que é viva, a Arménia, que por ter sido enfermeira e mais nova, vivia em Ponta Delgada (hoje vive em Santo António, na casa que foi das irmãs), por isso, apesar de gostar dela por igual, não convivia muito com ela, exceto quando ela ia visitar as irmãs nas suas folgas. Ela salvou-me a vida numa das vezes que fui operada. Fiz uma cirurgia relativamente simples aos 7 anos. Antes da cirurgia começar, a Arménia ficou sempre comigo, e eu não parava de lhe dizer "Arménia eu vou morrer! Eu sei que vou morrer!" Lembro-me perfeitamente disso! Quando terminou, foram-se todos embora lá da sala, menos ela, que ficou no recobro comigo a arrumar as coisas da cirurgia. Quando de repente olhou para mim, contou-me ela, viu-me roxa, com dificuldades em respirar. Aplicou-me uma coisa qualquer que me fez vir a mim. Ela acha que foi alguma reação à anestesia. Eu só sei que se não fosse ela, hoje poderia não estar aqui a escrever este episódio da minha vida...
A ela devo a minha vida, e toda a amizade que sempre demonstrou ter por mim e por toda a minha família faz com que a admire sempre mais e mais e a considere membro da minha família ainda hoje e para sempre.
Pronto, "não entrei na Universidade!"
Perante esta informação recebida depois de saírem os resultados oficiais das colocações nas Universidades públicas do país, pensava eu que não havia mais nada a fazer a não ser repetir o 12º ano na área correta (até essa data frequentava o agrupamento 3 "Economia" sem prosseguimento de estudos! Sei que não era, nem nunca foi a minha área, mas na minha ingenuidade de 9º ano feito na escola do Nordeste, onde toda a gente se conhecia e perante o desconhecido de uma nova escola, pareceu-me que aquela área seria a melhor, pois abria-me as portas para ficar na turma dos meus amigos quase todos que tinham também escolhido essa área! Fraca cabeça a minha!). Assim que nos apercebemos que a minha área não me dava possibilidades de prosseguir para uma universidade, comecei a frequentar explicações de Português A e de Inglês (no 12º ano não tinha Inglês!) para poder concorrer externamente a um curso superior. Tive um ano cão, com um horário super, hiper, mega preenchido! Resultado: não fiquei colocada como aluna externa, pois era muito difícil ter nota suficiente para superar a falta de frequência nas aulas, já se sabe...
Os meus pais não desistiram de mim e para sempre vou agradecer-lhes por todo o esforço que fizeram por mim... Sem eles a minha vida teria, com certeza, seguido um rumo muito diferente. Consoante as minhas preferências, inscreveram-me em 3 universidades privadas diferentes:
- Universidade Católica de Viseu para o curso de Inglês/Alemão;
- Universidade Moderna, em Lisboa, para o curso de Psicopedagogia Curativa (deu-me um vaipe qualquer na altura, não me perguntem!!!!)
- Universidade Autónoma de Lisboa, para o Curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante de estudos Portugueses e Ingleses, com possibilidade de ser via científica ou via ensino (eu queria era via de ensino, mas isso iria depender de como me corresse o curso!).
Fiz os exames de admissão em todas. Passei em todas também.
Quando fui fazer o exame a Viseu, fui bastante clara com o meu pai "Não quero ficar aqui! Nem vale a pena fazer o exame, pois aqui não fico. Prefiro ficar mais 1 ano no 12º ano do que ficar aqui!"... Era Setembro e estavam 7 graus!!!!! 7!!!! Nem conseguiria imaginar o tempo lá em Janeiro! Não lido bem com o frio... Gosto é de calor... E além disso, para ir a casa teria de passar 4h fechada num autocarro até Lisboa e depois mais 2h de avião (para não falar dos atrasos e afins que sempre acontecem...!!! Não era para mim! Fui na mesma fazer o exame, a pedido do meu pai e, apesar de ter sido muito bem recebida na Universidade e tudo me ter corrido bem, nunca mais esqueci o frio que passei naquela noite no hotel onde ficamos (roubei o cobertor do meu pai e o do meu primo P. que tinha ido connosco!).
O exame na Universidade Moderna já foi mais calminho. Era sobre cultura geral, por isso não tive de me preparar agarrada a livros e afins. A Universidade era super nova e bonita e também fui muito bem recebida lá, mas segundo o meu primo, os alunos daquela universidade eram muito "cocós" e, quem me conhece, sabe que eu sou uma pessoa super prática e sem rococós nenhuns... Só mesmo se não tivesse hipótese é que ficaria ali...
Os exames na Universidade Autónoma de Lisboa (fiz 2: um de português e um de inglês) correram bem também. Não me lembro em qual sala foi, mas lembro-me de sentir uma empatia maior nesta universidade do que nas outras. Fazia-me lembrar o Liceu Antero de Quental. Era (e é!) um edifício antigo, amarelo, o chão era de pedra branca (todo ele!) e tinha muitas alusões ao nosso Camões, logo à entrada, depois do pátio, onde havia um poço daqueles antigos onde se tirava água, havia um busto dele. As salas de aula era compridas, cheias de carteiras antigas, amarelas,... Senti que era ali que pertencia e foi ali que decidi ficar mesmo tendo sido o último resultado a sair e colocando em risco ter de ficar mesmo mais um ano no 12º ano, pois recusei as entradas nas outras universidades, mesmo sem saber o resultado na UAL.
A vida é feita de escolhas e esta foi uma das mais importantes que fiz na minha vida!
Local:
Lisboa, Portugal
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Camões na minha vida... desde 1992
A primeira vez que lidei com Camões (o poeta mesmo) foi no meu 9º Ano de escolaridade. Os Lusíadas era uma obra que tínhamos que estudar. Ora, digamos que miúdos de 13/14 anos a estudar Camões e Os Lusíadas, óbvio que não ia dar bom resultado. Mas se calhar sou a única a ver isso, talvez porque o senti na pele. Eu simplesmente detestei! As aulas de Português eram um autêntico tédio para mim (que sempre adorei a disciplina)... Ainda consigo imaginar-me sentada à frente do professor (que por acaso era um padre com voz monocórdica e ar autoritário para tornar a situação ainda mais dramática) e dele ler alguns excertos e depois pedir-nos para lermos nós algumas estâncias... Digo-vos, eu não conseguia sequer perceber metade do que estava lá escrito, mas lá me fui desenrascando, graças aos resumos dos livros "amarelinhos", que me ajudaram a ter uma noção do que se tratava e até achei a história ligeiramente interessante. Quando terminamos de estudar Os Lusíadas pensava que nunca mais tinha de lhe colocar a vista em cima, mas estava enganada...
Não me lembro de ter estudado Camões no secundário. Se estudei não foi traumatizante. Se calhar estudei a parte lírica de Camões que é bem mais soft que Os Lusíadas...
Em 1996, fui viver para Lisboa, curiosamente para a Rua Luís de Camões, onde permaneci durante 3 anos, e inscrevi-me na Universidade Autónoma de Lisboa "Luís de Camões"! Conseguem encontrar semelhanças?! Ao longo do curso fui-me aproximando cada vez mais do Português e da Língua Portuguesa, afinal de contas, se algum dia concorresse para dar aulas nunca poderia leccionar 2 línguas ao mesmo tempo, até porque são grupos diferentes: ou seria professora de Português ou professora de Inglês. E foi por causa deste fator (e também pelos péssimos professores de Inglês que tive na Universidade a partir do 2º ano) que decidi engrenar pela área do Português. Assim, a partir de certa altura, as cadeiras opcionais que escolhia eram todas viradas para o Português. No 4º Ano não havia muita escolha: ou era uma cadeira da vertente inglês (que já não me recordo qual era!) ou era a cadeira chamada Estudos Camonianos (!!!) e, perante este cenário quase que tive um ataque cardíaco com a ideia da possibilidade de ter que levar com Camões um ano letivo completo. O professor da cadeira era o reitor da Universidade da altura, o Prof. Justino Mendes de Almeida, um grande senhor e professor (só tenho boas recordações dele!) e, na sua simplicidade, na sua forma de falar de Camões, no "amor" que demonstrava ter por toda a obra deixada por Luís de Camões, conseguiu fazer-me gostar de Camões e d'Os Lusíadas, como mais nenhum outro professor. Já li Os Lusíadas algumas vezes e já dei explicações e aulas sobre esta obra. Espero ter conseguido fazer com que os meus alunos/explicandos não sentissem aversão a Camões como eu própria senti da primeira vez que tive de estudá-lo.
Local:
Ponta Delgada, Portugal
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Tenho um lado meu que é brincalhão
Há uns tempos venderam-me um bilhete de um sorteio daqueles que se fazem para as festas. Desta vez era a favor do Império da Trindade, um Espírito Santo da Criação Velha, um lugar que fica lá para a Ribeira Funda, pertinho da freguesia onde a minha avó materna e padrinhos moram. Foi um sorteio com muitos (e põe muitos!) prémios. Eram ao todo 64 prémios! Comprei um bilhete porque não costumo ter sorte nesses jogos, mas perante 64 prémios, um deles podia ser que me calhasse a mim. Pensava eu, na altura que o comprei... Os prémios variavam muito: era conjuntos de loiças, caixas de cervejas, garrafas de bebidas, eletrodomésticos, canas de pesca, produtos para a casa,... mas o prémio que mais chamou a atenção foi mesmo o 1º, que era uma vitela! Nunca tal tinha visto! Disse logo à N., que foi quem me vendeu o bilhete, que ia ganhar a vaca, na brincadeira. Por curiosidade coloquei o papelinho do sorteio no dia em que iam fazê-lo, que foi no passado dia 26 de Maio, só naquela para perguntar à N. ou à C., a colega que é da Ribeira Funda, a quem tinha saído a vaca.
No dia 27 de Maio fui ter com a N. e disse "Ganhei a vaca!". No início ela não acreditou, mas depois de confirmar com a C., que alinhou na brincadeira, disse que era verdade. Também disse à J., outra amiga cá do trabalho, que adora animais, e que trabalha com a C., que tinha ganho a vaca. Perguntei-lhe se ela tinha uma terra para colocar a vaquinha, caso contrário teria de colocá-la no congelador... Ela não queria que eu matasse a vaquinha e ficou pensando no assunto todo o fim-de-semana, inclusive também me enviou uma sms tipo "peditório" para não matar a vaquinha. Achei imensa piada à situação...
A verdade é que aqui nas horas de almoço durante uns tempos não se falava noutra coisa que não fosse a minha suposta vaca, que nunca chegou a ser minha, mas que até foi batizada de Vitória, pela C., se calhar a criatura que mais imaginação revelou ter. Foi bom provocar sorrisos nas carinhas que vejo todos os dias, sempre se desanuvia do stress do trabalho... Espero que nenhuma me tenha levado a mal...
Festejar o Santo António, o de Nordestinho
Vivi toda a minha infância, e até aos meus 15 anos, num lindo lugar (que hoje é freguesia) chamado Santo António Nordestinho. Na altura, se bem me recordo, viviam à volta de 300 pessoas mais ou menos (hoje não sei quantas pessoas vivem...). Toda a gente se conhecia. Brincava na casa dos vizinhos e também com a maioria das crianças das redondezas. Às vezes também comia em casa dos vizinhos (não que me faltasse comida em casa, porque graças a Deus nunca me faltou, mas a comida do vizinho é sempre melhor que a nossa!)...
Na altura, pelo que me lembro, havia sempre festa do padroeiro. Aliás, para a pequenez da freguesia, até éramos bastante ativos. Tínhamos as festas escolares de final dos períodos, que eram feitas no palco do Clube Desportivo de Nordestinho. Tínhamos uma boa equipa de futebol, que mexia com toda a freguesia e arredores. O domingo era dia santo: todos iam à missa e às 15h lá estávamos no campo a ver o Nordestinho a jogar futebol. Se o jogo era fora da freguesia, muitos acompanhavam a equipa... Passei a minha infância nisto.
Fazíamos fogueiras pelo S. João. Enfeitávamos as fontes da freguesia. Mas a fogueira de verdade era no Calvo (a zona mais alta da freguesia, a caminho do mato!). Os destemidos pulavam às fogueiras e havia música e bailaricos. Na Passagem de Ano, Natal e Carnaval haviam sempre bailes. As pessoas aderiam muito. Dançava-se pela noite dentro. Lembro-me que eu era pequenina e, quando estava cansada, deitava-me muitas vezes em 2 ou 3 cadeiras que eu própria encostava umas às outras. Queria era estar na festa com as pessoas grandes e, claro, com os meus pais. Graças a Deus os meus pais sempre me levaram para todo o lado.
Nas festas da freguesia, lembro-me que todos os dias era dia de ir para a festa. Não havia muito para fazer, mas andávamos para baixo e para cima constantemente. Muitas pessoas aderiam à festa, mas a maioria concentrava-se na barraca das festas. A procissão costumava ser simples e linda. O ano passado, depois de muitos anos, regressei às festas e vi novamente a procissão. A saída do padroeiro foi um momento muito especial para mim. Nunca pensei... Depois de tantos anos, ver Santo António sair da igreja foi, sem dúvida, o melhor momento daquele dia. Pude recordar quando também eu ia na procissão vestida de anjinho (sempre sem asas, porque diziam que magoava e eu nunca quis arriscar!) ou de comunhão juntamente com o meu pai e meu avô, que sempre foram muito participativos.
Hoje, pelo que vou sabendo pelo facebook, há a intenção de retomar todas as tradições do passado (e ainda bem! Parabéns ao trabalho da Junta de Freguesia neste sentido!) e sinto que a população voltou a estar mais participativa na comunidade. É uma freguesia de boa gente e de gente simples que nos trata de forma familiar. Eu sou também uma pessoa simples e muito mais feliz por ter feito parte de uma freguesia pequenina, mas tão aconchegante como esta. É por este motivo que faço sempre questão de nunca perder motivos para lá voltar...
Hoje, pelo que vou sabendo pelo facebook, há a intenção de retomar todas as tradições do passado (e ainda bem! Parabéns ao trabalho da Junta de Freguesia neste sentido!) e sinto que a população voltou a estar mais participativa na comunidade. É uma freguesia de boa gente e de gente simples que nos trata de forma familiar. Eu sou também uma pessoa simples e muito mais feliz por ter feito parte de uma freguesia pequenina, mas tão aconchegante como esta. É por este motivo que faço sempre questão de nunca perder motivos para lá voltar...
Este ano a festa do padroeiro vai ser rija! Caso queiram participar, e presenciar o que vos escrevi, deixo-vos aqui o programa...
quarta-feira, 8 de junho de 2016
A casa da minha infância hoje é um Alojamento Local
No Nordeste, vivi numa casa bastante grande, com um quintal ainda maior. Ficava na Rua da Boavista, 3. O nº de telefone era o 488 325. Nunca mais me esquecerei...
A casa sempre foi da minha família, desde o tempo dos meus bisavós (pais da minha avó) e não sei se antes disso já era da minha família... Portanto, uma casa centenária! Tinha 6 quartos, 1 quarto da máquina de costura, 2 cozinhas, 1 quarto de jantar, 1 sala, 2 wc, 1 quarto para a máquina de lavar e tanque. Havia uma casa atrás "fora da casa" que chamávamos "casa das batatas", onde se guardavam as batatas e montes de outras coisas (madeiras, materiais de construção, e sei lá que mais...), ao lado uma mesa de cimento feita pelo meu pai (verdade!!!) que ficava por baixo de uma latada de uvas brancas. Em frente da casa havia um aquário (quase piscina, onde muitas crianças caíram porque corríamos à volta dela, na brincadeira, e pimba mais um que levava vestido um dos meus fatos de treino para casa) e uma outra casinha que era onde a minha avó colocava todas as suas plantas (e ela sempre teve muitas!!!). Na parte de cima da casa havia um sotão, que cobria toda a casa praticamente, que era um quarto único gigantesco, onde estavam 3 camas antigas e muitos baús da minha avó (que guardava sempre tudo!). Na parte debaixo da casa havia uma garagem para 2 carros.
O quintal era dividido em 6 ou 7 terras separadas por arbustos para proteger das intempéries que por lá fazia. Mesmo por detrás da casa havia uma araucária gigante (nunca passei do 2º anel... o meu irmão sim, chegou mais longe para cima, mas também caiu dela e só não se magoou a sério porque Deus o deve ter segurado de alguma forma!). Havia também um curral e um galinheiro. Lembro-me de ver galinhas e porcos lá, mas apenas em rasgos de memória (devia ser muito pequenina!). A verdade é que me lembro bem é deles vazios. No quintal existiam batatas, couves, abóboras, árvores de fruto (laranjeiras, bananeiras, limoeiros, tangerineiras, pessegueiros, figueiras...) e sei lá mais o que havia, mas sei que havia de tudo um pouco lá naquele quintal que era todo (todo mesmo!) tratado pelo meu avô. Às vezes o meu pai ajudava-o, mas não me recordo dele estar lá sempre quando o meu avô estava...
Lembro-me que na terra onde estava o pessegueiro, a erva que havia por baixo da árvore era muito fofinha e adorava deitar-me na erva e olhar para o céu, ouvir o silêncio. Lembro-me que o acesso para a terra onde estava a tangerineira (a minha preferida!) não era fácil, por isso, quando eu e os meus amigos não tínhamos muito que fazer, eu sugeria irmos "assaltar" o meu próprio quintal!!! Era a minha veia de ladra a falar mais alto! :)
Lembro-me do meu quarto. Antes de ser o meu quarto era a mercearia/café do meu bisavô (que não cheguei a conhecer), mas lembro-me de ver a mercearia toda lá. Depois desfizeram-na para fazer um quarto para mim e para o meu irmão (que fosse próximo do quarto dos meus pais, ao lado mesmo).
Lembro-me de fazermos o presépio à entrada de casa, com pedras e musgo e um lago para os patinhos. Ainda era grande e era uma atividade muito divertida que fazíamos com a minha mãe. A árvore ficava no quarto de jantar...
Lembro-me de ir para a varanda e ver o mar lá ao longe, azulinho no verão e cinzento no inverno. Lembro-me que às vezes víamos os barcos passarem e outras vezes eram seres estranhos que mesmo com os binóculos não conseguíamos saber o que eram, mas deviam ser baleias ou outros peixes gigantescos do mar... Tínhamos uma vista panorâmica, mesmo!...
Lembro-me de fazermos o presépio à entrada de casa, com pedras e musgo e um lago para os patinhos. Ainda era grande e era uma atividade muito divertida que fazíamos com a minha mãe. A árvore ficava no quarto de jantar...
Lembro-me de ir para a varanda e ver o mar lá ao longe, azulinho no verão e cinzento no inverno. Lembro-me que às vezes víamos os barcos passarem e outras vezes eram seres estranhos que mesmo com os binóculos não conseguíamos saber o que eram, mas deviam ser baleias ou outros peixes gigantescos do mar... Tínhamos uma vista panorâmica, mesmo!...
Passávamos a maior parte do tempo no quarto de jantar, que, além da mesa onde jantávamos nas festas, tinha um sofá e um cadeirão, onde eu me sentava para ver os desenhos animados, que só dava acho que às 18h, salvo o erro... Também era no cadeirão que nos sentávamos (eu, o meu irmão e o meu primo Ruben (que até certa altura viveu connosco!) quando terminávamos de tomar banho, para a mãe dele nos cortar as unhas (era um momento muito doloroso para nós, pois ela cortava-as bem curtinhas!).
Não costumávamos ir muito para a sala em família, mas eu ia muito, pois de uma estante em vimes que a minha avó lá tinha, adaptei-a para ser a casa das minhas Barbies e Barriguitas. A parte de baixo da estante era a garagem e depois cada divisória era uma área da casa delas. Era lá também que ouvíamos música. Havia uma aparelhagem com gira discos daquelas muito antigas e alguns discos também... Mais do que sala, era o quarto dos brinquedos... Lembro-me de estar lá a brincar e o meu avô estar no seu quarto, que ficava mesmo em frente, a ver-me brincar e cheio de dores, por ter sido operado a uma hérnia, ter dito "agora só quero ficar doente para morrer!" e assim foi... :(
Normalmente comíamos na cozinha ao fundo do corredor... Era lá que a minha avó e a minha mãe cozinhavam e nós comíamos sempre juntos (sempre!), principalmente ao jantar porque como o meu avô era condutor de autocarros, às vezes ia para Ponta Delgada o dia inteiro e não conseguia almoçar connosco.
Lembro-me de brincar muito no quintal. Muito mesmo! De irmos para a casa uns dos outros pelos quintais. De explorar terreno. De fugir das "Pevides", umas senhoras solteiras que tratavam as suas terras e não queriam que as crianças fossem para as terras delas... Nós achávamos piada e íamos! :)
Quando vendemos a nossa casa tive muita pena, mas sei bem que não havia outra solução. A minha avó não ia ficar sozinha naquele casarão e o meu pai e tio não queriam ter uma casa daquele tamanho no Nordeste. Passados alguns anos, cheguei a dormir lá a lastro (pedi a chave à pessoa que ficou com ela!) juntamente com um grupo de amigos, aquando uma festa que organizamos lá perto. Foi uma sensação muito estranha. Estar na minha casa que já não era a minha casa. Por volta de 2012 fui ao Nordeste passar uns dias e, como era inverno, não havia muito que fazer, passámos lá e tudo estava ao abandono. Consegui entrar por uma das portas, que estava praticamente partida, e foi muito triste ver o que vi: uma casa completamente abandonada. Vidros partidos, tudo a cheirar a humidade, abandono completo mesmo...
Hoje a "nossa" casa é um Alojamento Local. Chama-se Repuxo da Baleia. Parece-me bem gira e familiar. Desejo muito sucesso aos proprietários e que possam fazer daquele espaço, que é especial, uma linda recordação para quem os visita.
Um dia quero dormir lá. Quero voltar a dormir na casa que já foi minha, onde vivi toda a minha infância, onde fui feliz... Quero acordar e ver o mar todo aos meus pés, tal como via todos os dias ao acordar...
Um dia quero dormir lá. Quero voltar a dormir na casa que já foi minha, onde vivi toda a minha infância, onde fui feliz... Quero acordar e ver o mar todo aos meus pés, tal como via todos os dias ao acordar...
Hoje ela é assim:
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