quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Mais uma vez na Lomba da Maia...

No passado domingo, 23 de outubro, fui novamente dormir à Lomba da Maia, em casa da minha avó materna junto com a minha M., pois era a vez da minha mãe lá ficar a tomar conta da minha avó... Desta vez teve uma particularidade muito interessante que já não me acontecia há algum tempo... Estava um frio tremendo (fiquem descansados que eu fui preparada para o "gelo"!) e a luz foi-se embora enquanto eu jantava!!! UAU!!! Há quanto tempo não vos acontece a luz ir-se embora?! Para quem vive na cidade este é um cenário pouco usual, se não mesmo apenas pontual, mas para quem vive na Lomba da Maia, Nordeste, Povoação (soube que também foi embora a luz nesses sítios!) é ainda muito comum... Foi a primeira vez que a minha M. viu a luz ir-se embora! Fez-me lembrar da minha infância, lá no Nordeste, emq ue a luz ia embora com tanta frequência... Os meus avós tinham, inicialmente, candeeiros a petróleo que davam aquele cheirinho característico. Lembro-me de, embora poucas vezes, ainda fazer os trabalhos de casa com aquela pouca luz. Depois arranjaram um candeeeiro enorme com uma botija de gás azul que já dava mais luz. Mas os candeeiros lá permaneceram durante muito tempo para poder servir para várias divisões da casa...

Nessa noite estava muito vento mesmo! Decorria um aviso vermelho para a ondulação do mar nessa noite e dia seguinte... Lembro-me que fui deitar-me com a M. e o vento soprava bem forte e choveu toda a noite... Fazia barulho que metia medo. Tive de relativizar para não colocar medo à minha filha, pois ela já estava a dizer que queria que o vento fosse embora... Novamente, enquanto aconchegava a minha pequenina, a mente levou-me para a minha infância quando os ventos do Nordeste sopravam bem forte... Lembro-me que haviam vezes que a televisão ia à vida... Lembro-me do meu pai ou o meu avô irem lá para fora, debaixo de chuva e vento, em noite escura, mexer na antena da televisão, porque o vento tinha mexido com ela e a televisão tinha deixado de dar. Enquanto um mexia na antena, estávamos nós cá dentro de casa, aos gritos (para se ouvir lá fora) a dizer "tá bom... não assim não... roda mais"... entre outros códigos ventosos possíveis!

Lá quando Deus quis adormecemos (com mais um cobertor na cama que fui "desencafuar" lá no armário perto do nosso quarto!)... Ela adormeceu, porque aqui a "je" acordou pouco a pouco, tal era o barulho que já não estava habituada... Amanheceu e deu-me a vontade toda de dormir... Mas lá teve de ser, levantar o rabinho da cama para preparar-me (devo dizer que custa tantoooooo levantar cedo, trocar de roupa quando está mesmo muito frio.... e olharmos para a cama e vermos o nosso anjinho ali quentinho e enroladinho a dormir, como bem merece...! Afinal esta é um dos motivos que me leva a dormir na Lomba da Maia "não ter de acordá-la tão cedo em dias de mau tempo!") e fazer a viagem debaixo de chuva, vento e "luz que fusco" quem nem é de dia nem é de noite, mesmo como eu gosto (pode ler aqui)!!!....

A viagem foi chata e demorada, como já vem sendo habitual... Mas já estou a entrar no ritmo...

3 comentários:

  1. Também me lembro de fazermos essa de ter alguém a arranjar a antena e outros a gritar cá em baixo. e dos candeeiros a petróleo que, na altura, me apreciam uma coisa mágica e digna de aventureiros.
    :) Essa tua história é reconfortante e "outonal". Estes textos são mesmo os meus preferidos. Adoro!

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    1. Afinal também tiveste momentos da tua infância que recordas com saudade! ;)
      Estou a preparar uma rúbrica principalmente a pensar em ti!

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  2. Ena. :P Fiquei curiosa. Espero que sejam histórias da tua infância hehehehe.

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