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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Mudança de turno

Na ilha onde vivo é comum o tempo mudar, não de um dia para o outro, mas sim de um minuto para o outro. Por vezes saímos de casa com sol e somos capazes de voltar com sol na mesma, mas pelo meio já levamos com chuva e trovoada daquelas tamanhas. Somos capazes, inclusive, de estar num sítio onde sentimos raios de sol na nossa cara e a uns míseros 500 metros vermos que chove! É... a minha ilha tem destas coisas e não é só nesta época do ano... é o ano inteiro... Claro que agora é mais frequente, mas isto acontece sempre... Existe, inclusive um site (que uso com muita frequência durante o verão), que é o www.spotazores.com, que nos dá a percepção de como está o tempo em cada canto da ilha e nas várias ilhas dos Açores também. Assim sempre poupamos gasóleo!!!

Um dia da semana passada, num espaço de 2h, a vista do meu escritório teve 2 cenários (os que envio de seguida...).
Independentemente do cenário, qualquer um destes serve perfeitamente para descansar os olhinhos, pois são imagens que nos tira a respiração...



sábado, 5 de agosto de 2017

Sou mesmo açoriana!

A propósito de um post que foi colocado por um amigo no facebook (este aqui), decidi escrever sobre o assunto aqui.
Já vivi 6 anos fora de S. Miguel, a minha ilha natal, a maior ilha do arquipélago dos Açores. Quando morei em Lisboa, senti que o tempo que lá vivi foram os mais longos da minha vida, mas hoje quando recordo essa altura em que estive fora, acho que até passaram rápido demais.
Em 6 anos de Lisboa senti o orgulho de ser açoriana a crescer dentro de mim de uma maneira mais intensa. Dizem, e é verdade, que só damos valor às coisas quando não as temos. E, os 6 anos em que perdi os amanheceres de S. Miguel fizeram-me passar a dar mais valor àquilo que tenho hoje. 
No dia que sai daqui sempre soube que iria voltar, que iria querer voltar. E, quando chegaram os meus últimos dias lá, sabia que queria voltar com a mesma intensidade com que sai daqui. Se tivesse tido oportunidade de trabalho lá, que fosse suficiente para me sustentar, era capaz de ter ficado mais uns anos, mas na altura não tive e por isso não tinha outra escolha que não fosse mesmo regressar à ilha. Foi a decisão certa! Tudo acontece por uma razão.

No link que vos deixei em cima existem 10 sinais que eu já senti na pele de que nasci mesmo nos Açores. Vou comentar cada um deles:
1. As pessoas fazem questões sobre o seu sotaque e pedem para falar. Tem de explicar vezes sem conta que as 9 ilhas têm sotaque diferentes e que o "sotaque açorianbo" que eles dizem é o de S. Miguel.
Verdade. Apesar de eu ser de S. Miguel, as pessoas pediam-me sempre para falar "açoriano" e eu explicava que não era açoriano, que era micaelense, que as pessoas das outras ilhas falavam diferente umas das outras. E quando ia de férias, o primeiro dia era sempre uma loucura. Ouvia sempre "Vens a falar mais açoriano do que quando foste!"... Sobre isto tenho uma teoria: era a falta de hábito de me ouvirem...

2. As pessoas perguntavam-lhe se nos Açores há eletricidade ou água potável.
3. Ou se dá para ir a nado para outras ilhas.
Quero acreditar que quem me perguntou isso fosse apenas no gozo, pois estou em crer que são suficientemente inteligentes e conhecedores do seu país para saber que isso não é possível!

4. Tem orgulho em ser Açoriano e sente-se insultado quando não sabem quantas ilhas constituem o arquipélago e os seus nomes. Ou quando fazem comentários maldosos.
Sim tenho muito orgulho em ser açoriana, mas não me sinto insultada quando não sabem quantas ilhas somos e muito menos os nomes de cada uma. Eu também já não me lembro do nome dos rios todos, apesar de ter aprendido isso na escola...
Também não levo a mal comentários maldosos. São pessoas incultas provavelmente!

5. Passou quase toda a sua infância a brincar na rua e não se consegue imaginar viver longe da natureza.
Verdade. E para ajudar mais à festa, vivi e cresci no Nordeste onde, na altura, sem scuts, não havia movimentos de maior. Ainda me lembro das casas terem chaves na porta! Foi uma santa e inocente infância. E, sim, hoje não me imagino a viver longe do mar! Já quando vivi em Lisboa, apesar de haver o Rio Tejo, ia, muitas vezes a Cascais, Carcavelos, S. Pedro do Estoril, só para ver o mar e sentir o cheiro do mar... Foi sempre uma coisa que me fez muita falta!...

6. Quando está longe, sente falta dos produtos regionais que o fazem lembrar de casa.
Quando estudava em Lisboa, sempre que ia de férias levava comigo (umas para mim e outras para oferecer): bifes de cá, morcelas, chouriço, kima, Licor de Maracujá, ananás, tabaco, queijadas da Vila e os bolos lêvedos que nunca podiam faltar!!!

7. Vulcões e tremores de terra assustam-nos, mas também ensinam que nos Açores, as pessoas e a natureza adaptam-se sempre.
Verdade. Tenho muito medo destas 2 catástrofes naturais que são impossíveis de prever ou de contornar, mas, ao contrário do que quem não vive cá possa pensar, não existem assim tantos. Em 38 anos de vida devo ter sentido 4 sismos e nunca vi um vulcão em erupção. Não somos masoquistas em viver aqui.

8. É perito em conduzir com nevoeiro.
Safo-me mas detesto. Conduzir com nevoeiro cerrado e chuva detesto mesmo... Nunca sei o que está para lá de 1 metro de carro! É agoniante...

9. Tem família no Canadá ou Estados Unidos e não os conhece a todos!
Tal e qual. Sei que existem, alguns até sei o nome e já vi fotografia (o facebook ajuda muito nisso, antes eram os avós), outros nem faço ideia que existem, mas espero que todos estejam bem de vida.

10. Crescer nos Açores foi muito bom, mas agora que está mais velho, você tem certeza que teve muita sorte.
Verdade.

Lagoa das Sete Cidades, em S. Miguel.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Esta era a minha festa preferida de Lisboa!

Enquanto estudei em Lisboa, a festa que eu mais gostava de participar era a Festa das Ilhas. Era uma festa que era realizada anualmente no ISA (Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa), bem pertinho onde eu morei nos meus 3 primeiros anos em Lisboa. Era, como o próprio nome indica, organizada pelos estudantes dos 2 arquipélagos portugueses: dos Açores e da Madeira. Portanto, havia um bar com bebidas e produtos açorianos (cerveja Especial, Kima de Maracujá, Laranjada, bolos lêvedos, queijadas da Vila, da Graciosa, e afins...) e outro com bebidas e produtos madeirenses (cerveja Coral, Brisa de Maracujá, Bolo do Caco, bananas, entre outros...). Todos os estudantes de Lisboa e arredores que fossem dos Açores e da Madeira (e que se prezassem e sentissem orgulho da sua origem) iam a essa festa e era lá que nos encontrávamos todos. Alguns continentais também iam, mas a maioria éramos nós, os ilhéus desterrados em continente português...
Ora, eu que no início tive alguma dificuldade em enturmar-me em Lisboa, aquela festa soou-me sempre bem, aliás muito bem... Normalmente eram mais de 2 mil estudantes que apareciam por lá e mesmo aqueles que só conhecíamos de vista, nessa noite até os cumprimentávamos e dizíamos "Estás por aqui? Há quanto tempo não te vejo!" e assim começávamos a conversa e a amizade! É que encontrar um açoriano em Lisboa naquela altura não era como é hoje. Fazíamos sempre uma festa! Era como que os Açores fossem do outro lado do mundo e nós andássemos para lá desterrados. Pelo menos era assim que me sentia... Tudo o que nos fazia lembrar da santa terrinha era maravilhoso... E, em Lisboa, só agora existem coisas dos Açores à venda. Na altura, havia "ananás dos Açores" à venda nas superfícies comerciais maiores, que não eram nada mais nada menos, do que abacaxis! Toca a enganar aqueles pobrinhos dos continentais!... Só lá no ano 2000 abriu lá uma lojeca pequenita, no Centro Comercial Vasco da Gama, chamada "Cantinho Açoriano" que vendia alguns bolos lêvedos e pouco mais... Quando vínhamos de férias aos Açores, um dos caixotes eram só encomendas: Licor de maracujá, tabaco, bolos levedos, Kima,... Hoje já há mais qualquer coisa (falei sobre isso aqui)...
Voltando à Festa das Ilhas, aquilo era realmente uma animação (pelo menos para mim), pois sentia-me verdadeiramente em casa. Passava a noite inteira a ouvir sotaque micaelense, e estava a 2 passos de pedir bolos levedos e beber a famosa Especial, mesmo que nem gostasse (nem goste!) muito do seu sabor!... Quando estamos longe, até aquilo que não gostamos, nos sabe bem!...
Reencontrei pessoas que tinha perdido com o tempo (algumas delas muito especiais pelos momentos que vivemos no passado) e tudo isso me fazia feliz. Não era pela festa em si, que só tinha 2 bares e um palcozito pequenino onde atuavam alguns grupos que nem prestava a atenção, era pelo ambiente, pelo espírito, pelo sabor bom que era "sentir-me em casa" sem mesmo estar em casa...
Acho que hoje já não se fazem, o que é uma verdadeira pena, principalmente para os estudantes que hoje residem em Lisboa... Fica aqui a dica para os estudantes açorianos de hoje que estão em Lisboa...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ainda sobre a ilha Terceira...

Porque há pouco tempo ia estar na ilha Terceira, lembrei-me de escrever sobre o que esta ilha significa para mim...

Quando tinha 5 anos fui à Terceira pela primeira vez. Mas, não me recordo de nada. Aliás dessa viagem (de barco a todas as ilhas dos Açores com os meus pais e o meu primo P.) recordo-me de momentos, mas não sei identificar onde foram em concreto.
Depois dos 5 anos, a primeira vez que viajei até à ilha Terceira foi no meu 8º ano, portanto com 13 anos. Vim de manhã e regressei ao fim do dia. Vim, junto com outras crianças, num avião da Força Aérea (muito pouco confortável, por sinal!), como prenda por ter sido uma das melhores alunas da minha turma (é verdade!). Foi num dia importante para a Força Aérea (desconheço qual!), mas sei que é um dia que eles costumam fazer as acrobacias aéreas com fumos no ar e tudo. Lá os senhores marcharam e estiveram a fazer aquelas condecorações cheias de estilo, e nós ficamos a ver. Foi engraçado sim, mas não foi "Uau!"...

Depois disso (e alguns anos depois!), regressei umas quantas vezes à ilha Terceira, mas com outro fim: uma das vezes fui ter com a minha tuna para estar em palco com elas (foi inesquecível!), outras vezes foi por alguma festa (as festas da Praia, S. Joaninas onde apanhei chuva a dar c'um pau!), outras em trabalho,... A ilha em si, de belo pouco tem quando comparo esta ilha a outras do arquipélago (é apenas a minha opinião, não me crucifiquem amigos terceirenses!), mas de ambiente, de harmonia, do saber receber, simpatia e alegria tem tudo para ser das melhores dos Açores.

Nesta ilha guardo amizades e momentos intensos e felizes no meu coração. Dizem para voltarmos onde fomos felizes e na ilha Terceira fui sempre feliz. Eu vou voltar com certeza...

terça-feira, 14 de junho de 2016

O meu sotaque é genuíno

Todos já sabem que passei 6 anos da minha vida em Lisboa (o último dos quais foi em Mafra!) e adorei... Inicialmente não me sentia muito confortável a falar com as pessoas ou a participar nas aulas com medo que não me percebessem, mas aos poucos fui perdendo esse "problema"... Nunca falei diferente, nunca escondi o meu sotaque (alguns o fizeram e fica simplesmente ridículo quando alguém sai da ilha em Setembro e, no Natal, fala "à moda"!). Posso ter falado mais devagarinho para me fazer entender (só quando não percebiam à primeira!), mas quem me conheceu nessa altura, principalmente os amigos que fiz em Lisboa, sabem que sempre fui genuína quanto ao meu sotaque. Muitas vezes fui alvo de chacota, mas nunca levei a mal e sempre achei piada a tudo (até porque nunca me faltaram ao respeito!). Eu não era (nem sou!) diferente de nenhum deles, apenas falo com um sotaque diferente... :)

Escrevo este post por causa deste texto que li aqui, onde podem ver alguns dos termos que usamos cá (para aprenderem alguma coisinha de jeito!) e que achei imensa piada, pois existem alguns episódios engraçados que vivi e que nunca esquecerei durante a minha estadia na cidade "que se fala bem"!

Uma vez, em casa, a estender roupa, pedi à minha amiga P. que me passasse os "pregos" e ela ficou sem perceber para que queria "pregos" para estender roupa! Afinal o que eu queria era "molas". Ou quando dizia "pode ser água da fonte", quando devia dizer "torneira"; ou "passa-me a pana" quando devia dizer "alguidar", quando dizia "mapa" quando devia dizer "esfregona", entre tantas outras palavras que me faziam rir muito só de ver a cara das pessoas a olharem para mim como se eu estivesse a falar chinês...

Quem quiser aprender mais qualquer coisinha sobre o nosso "dialeto", aconselho vivamente este livro:

sábado, 4 de junho de 2016

Os Açores já estão em Lisboa e no Porto

Há uma iguaria típica aqui dos Açores que me faz ir ao céu e voltar e à qual não costumo resistir - bolos lêvedos. Uma ida às Furnas leva sempre um bolinho lêvedo. É doce, fofinho e muito, muito saboroso. Seja para comer quentinho (divinal) com manteiga (só derretida, porque manteiga não é o meu forte) ou queijo, seja para comer com uma bifana e transforma-se em prego, ou até para comer simples, sem nada... É bom de qualquer maneira. Mesmo bom! :)
Quando estive a morar em Lisboa e Mafra, sempre que regressava de férias dos Açores, os meus pais preparavam-me um caixote cheiinho de coisinhas típicas de cá, umas para mim e outras para oferecer a alguém que nos tinha ajudado em alguma situação (mania dos açorianos). Eram morcelas, carnes já cortadas para bifes, kima, Licor de Maracujá, queijadas da Vila, queijo do Topo de S. Jorge e bolos lêvedos. A abertura do caixote era sempre uma festa. E aqueles bolos iam logo para o congelador para durarem mais tempo. E depois, quando dava um desconsolo, lá marchava um bolo lêvedo, aquecido no fogão, com queijo derretido lá dentro.... Uma verdadeira delícia!
E quando não havia?! Como fazia?! Não fazia! Em Lisboa não existia nenhum sítio onde se vendesse produtos dos Açores. Nenhum!!!! Era como se fosse tabu! Nas grandes superfícies comerciais, tipo Continente e Pingo Doce, às vezes aparecia um queijinho ou uma espécie de ananás, que se chamava abacaxi, mas que era vendido como "Ananás dos Açores" só naquela para ser bonito. Açoriano que é açoriano reconhece um ananás à distância!
Entretanto, quando abriu o Centro Comercial Vasco da Gama, abriu também um restaurante pequenino, talvez a palavra que melhor o define seja um quiosque, que se chamava "Cantinho Açoriano" que estava tão escondido, tão escondido que quase ninguém dava com ele. Mas eu encontrei-o e sempre que tinha lá os meus desejos era lá que ia.
Entretanto abriu o Peter's, mas nessa altura Lisboa já era destino de visita para mim... E, hoje, pelos vistos, os nossos estudantes dispõem de vários sítios onde podem "matar" desconsolos da terrinha... Podem conhecê-los aqui neste artigo que nos informa onde poderão encontrar produtos açorianos em plena Lisboa e também na cidade do Porto.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A meteorologia de hoje em dia...

Os últimos dias têm sido atípicos! Nunca me lembro de termos dias assim... 

Sim, cá fazem as 4 estações no mesmo dia, mas nunca tão completas. Já vivi dias em que de manhã faz sol, mas à tarde chove e tal... mas nunca como tem sido nos últimos dias: ora faz sol de rachar, ora chove (chuva da grossa!), ora faz trovoada, ora aparecem tornados (!), ora se sentem sismos e para ajudar à festa: há fumarolas no piquinho do pico da ilha do Pico?! Please, orientem-se aí em cima, ok?!

É caso para dizer que as 4 estações chegaram com a Primavera, e esta, nem vê-la...