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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Mitos e verdades da amamentação

Outro dia alguém partilhou um artigo bastante interessante sobre a amamentação (este aqui) e eu gostava de poder falar um pouco sobre ele...
Eu amamentei a minha filha durante algum tempo. Ao longo do período de amamentação ouvi muita coisa, sofri muito, o primeiro mês e meio foi terrível, mas a partir daí a coisa até correu bem. Os quase 3 anos de amamentação permitiram-me ver que a nossa sociedade ainda anda camuflada sobre ideias pré concebidas e nem sempre correspondem à realidade. Há gente hipócrita, há gente falsa, há gente sincera de mais que não consegue guardar a sua opinião para si e pensa que amamentar uma criança é quase uma aberração da natureza... Pois eu digo-vos amamentar um filho é a natureza pura a falar mais alto!

Ler o artigo que partilho convosco (aqui) fez-me reviver muitos momentos que aconteceram durante a amamentação da minha filha... O que vou comentar é apenas o que aconteceu comigo, na experiência que eu tive. Não quer dizer que seja assim com todas as mulheres, nem com todos os bebés. Importante também referir que também não sou contra quem decide não amamentar, pois cada um é livre de tomar a sua decisão.

1. A maioria das mulheres não produz leite suficiente.
É completamente mentira. Todas nós produzimos leite (muito leite!). É importante o bebé pegar bem na mama desde cedo e beber com a frequência quiser. Não há cá "agora não que estou no hiper". Se for necessário, a prioridade tem de ser a alimentação do nosso filho. Sempre!

2. Algum leite materno é fraco.
Novamente é mentira. O leite materno possui todos os ingredientes necessários para o bebé. É quase como um ato milagroso, pois o que sempre me disseram (dos médicos e enfermeiras com quem contatei) foi que o leite materno fornece todos os ingredientes que o bebé necessita no momento em que mama. E a verdade é que a minha filha nunca me pediu água ou outro alimento que estivesse em falta porque bebia sempre do meu leite. Era impressionante!

3. Amamentar é doloroso.
É, muito! Durante o primeiro mês e meio principalmente (comigo!) foi mesmo muito doloroso! Pensei muitas vezes em desistir... A falta de experiência da mãe em dar a mama e do bebé em posicionar bem a mama faz com que seja um processo um tanto quanto doloroso. Eu tive os meus dias de muito sofrimento, mas persisti e consegui superá-los.

4. O bebé deve beber água.
Nem água nem chá. Como já disse em cima. O leite materno possui todos os ingredientes que o bebé necessita ingerir naquele momento. E é incrível que durante muito tempo existe a sincronização da mama com a necessidade do bebé.

5. Tirar leite com o extrator controla a quantidade de leite que o bebé ingere.
No meu caso, preferia muito mais que fosse a minha filha a extrair o leite do que a própria máquina. Só o fazia com a máquina quando tinha mesmo de ser. Quanto mais o bebé mamar, mais leite irá produzir. Importante também a mãe sentir-se e estar bem, sem ansiedades, sem stress, pois isto também dificulta a amamentação.

6. Se os bebés estão a mamar muito é porque não recebem leite suficente.
É mentira. O leite materno ingerido funciona como um adulto a ingerir peixe. Como é um alimento de mais fácil digestão, é pedido em menos tempo do que o leite de fórmula.

7.  Fazer uma pausa na amamentação aumenta a produção de leite.
Mentira. Como já disse em cima, quanto mais o bebé mamar, mais leite vai produzir. Não era à toa que nos primeiros meses tinha a sensação de andar sempre com as maminhas de fora (em casa, claro!).

8. Bebés amamentados não devem tomar biberão. Confunde-os.
No meu caso, no dia que fomos à enfermeira, extrai leite em casa e coloquei-o num biberão. No Centro de Saúde, a minha filha com 2 semanas bebeu o seu primeiro e único biberão que bebeu durante toda a amamentação. Depois desse dia rejeitou todo e qualquer biberão. Não sou contra quem tem coragem, mas eu não tive coragem de amamentar em qualquer sítio, daí a minha preocupação que ela bebesse no biberão, principalmente quando estávamos fora de casa. Ainda tentei 1 ou 2 vezes fazer com que ela aceitasse o biberão, mas não consegui. Tive de encontrar alternativas e nisso o namorido foi um grande e importante aliado.

9. Amamentar reduz a sensibilidade, altera a forma e o tamanho do peito.
Mentira. Não noto grande diferença nos meus. Continuo a usar o mesmo número que usava antes de engravidar e a sua forma, tamanho e sensibilidade são mais ou menos idênticos.

10. O leite materno é melhor para o peso e QI do bebé.
Infelizmente também é mentira. Conheço crianças igualmente espertas que não foram amamentadas. No entanto, fico surpreendida com a inteligência, elegância e saúde da minha M., tal e qual sempre sonhei.

11. Amamentar ajuda a perder peso.
É verdade. Amamentar e fazer cruzes à boca! Quando amamentamos ficamos com apetite de leão. Falo por mim, claro. Era capaz de devorar comida como se não houvesse amanhã... Como que se o meu corpo estivesse praticamente a ressacar por comida. Eu não me privei de nada, por isso tive mesmo que mudar o meu estilo de vida... já me "arrastava" quase... :)

12. Amamentar protege contra a depressão pós-parto.
Julgo que deve ajudar sim. Amamentar, ser uma mãe calma e ter uma boa estabilidade familiar. Ter uma família que nos ajude nas mais pequenas tarefas como lavar e passar roupa, limpar a casa ou fazer a comida, também ajuda muito... Obrigada à minha família que sempre esteve na linha da frente!


Atenção, volto a dizer que esta foi a minha experiência. Há quem fique com os mamilos gretados, que tenha mastites, que tenha as depressões pós-parto,... Eu, graças a Deus, não tive. Tive uma família que me ajudou muito desde o primeiro dia. Uns nuns campos, outros noutros. Importante é que apesar de não saberem, foram uma perfeita equipa para mim e para a minha filha. Eu amamentei, mas eles ajudaram-me a consegui-lo. A minha filha também deu com o jeito logo desde o primeiro dia. Era comilona como a mãe, mas sempre foi uma bebé elegante como o pai (a mãe também está no bom caminho!)! :)

sábado, 11 de março de 2017

Confirmo: o leite materno cria defesas!

Não sei se é impressão minha, mas tenho a sensação de que desde que a minha M. deixou de beber leite materno passou a ficar pouco a pouco doente. Recordo-me, por exemplo, o ano passado letivo de quase não faltarmos às aulas de natação dela e este ano, epá a coisa tem estado complicada no que diz respeito à assiduidade às aulas...! Ora está gripada, ora fica com Adenóidite, ora é Conjuntivite, ora é tudo o que termina em "ite"... enfim... Hajam forças de mãe para aguentar!

Este ano em vez de uma aula por semana, ela tem duas, sendo uma delas ao final do dia e, nesse momento o tempo está mais frio e, quando assim é, os cuidados têm de ser redobrados. Normalemnte ela toma banho lá e o caminho que faz desde que sai do ginásio até chegar ao carro obriga a que a agasalhe muito bem (não vá ela apanhar qualquer corrente de ar maldosa!)... Eu juro que tenho muito cuidado quando a levo para o carro. Portanto não é por aí...

Sempre me disseram que o leite materno oferecia defesas ao bebé. Hoje, por coincidência ou não, posso confirmá-lo! 
Antes de amamentar a minha filha o tema "amamentação" era um tema que me fazia um pouco de impressão, mas sempre deixei a minha mente aberta para acontecer o que tivesse de acontecer. Sofri bastante durante o meu primeiro mês e meio de amamentação. Pensei em desistir muitas vezes. Mas não desisti por ela (pela saúde dela!) e por mim também. Queria provar a mim mesma que o conseguia e que era uma pessoa persistente. Eu consegui e aguentei a amamentação até "bastante tarde", diziam (e pensavam!) muitas mentes brilhantes do meu meio. No início cheguei a deixar que os comentários pouco simpáticos me afetassem, mas depois não quis saber. Se o fazia era pela minha filha e ela é a pessoa mais importante da minha vida. Os comentários do "resto" eram apenas isso: o resto!...
Não estou nada arrependida do ("demasiado") tempo que amamentei, de nenhum sacrifício que fiz, de nenhuma dor que senti, de nenhuma noite mal dormida... Por ela voltava a passar pelo mesmo as vezes que fossem necessárias. O "deixar de mamar" foi feito de forma natural e gradual para nós as duas. Foi como um descomprometimento amigável. Estamos ligadas para todo o sempre, pois somos mãe e filha e ninguém nos vai conseguir tirar a recordação e o sentimento que criamos as 2 em todos os momentos de amamentação.

Se em quase 3 anos ela quase não ficou doente a alguma coisa se deveu. Ainda bem que o fiz. Se calhar se não o tivesse permitido andava sempre de soros e ben-u-rons atrás! Benditos momentos! Bendita decisão! 

sábado, 18 de junho de 2016

A odisseia dos primeiros 3 dias de amamentação

Depois de ler isto, rebobinei na minha cabeça a cassete da minha experiência com a amamentação nos primeiros meses da minha filha.
Ora bem... antes de ter a minha filha, "amamentação" era um assunto que me causava alguma impressão. Bastava estar lá no trabalho e lá de vez em quando as colegas já mães iam comentando uma a uma como tinha sido a experiência e aquilo já me dava voltas ao estômago! Se há coisa que considero ser uma falta de classe e educação é que chamem às pessoas nomes de animais, principalmente "vaca" a uma menina/senhora. Tem um tom horrivelmente mau. E toda aquela conversa de "leite" para um lado e para o outro transportava-me para uma sala enorme de ordenha... Não era bem um cenário aprazível para mim, principalmente porque eu estava grávida e não sabia bem como ia ser comigo...
Quando me perguntavam se ia amamentar, eu respondia (e pensava) que ia ser o que tivesse que ser. Muitas pessoas torciam o nariz à minha resposta e não acreditavam que eu ia aguentar sequer 1 dia... Algumas comentavam isso mesmo e outras não. Eu mantinha-me calada e, mentalmente fui me preparando para amamentar, como também para não o fazer. Ia experimentar e se não corresse bem, não me ia massacrar por causa disso... 
Quando ela nasceu, depois dos procedimentos normais, colocaram-na no meu colo e perguntaram-me se eu ia amamentar. Eu respondi que ia tentar, mas que não sabia se tinha já o dito cujo disponível... A partir desse momento iniciou-se a odisseia da amamentação... Ala maminha para fora e a boquinha da bebé lá permaneceu... A primeira experiência até não correu mal... era uma sensação estranha, até porque nunca tinha passado por isto, mas ao mesmo tempo que era estranha, foi um momento lindo: alimentar a minha filha. Nunca pensei dizer isto! Todas as outras vezes que ela mamou no hospital correram sempre bem, umas vezes ela queria dormir mais do que comer, mas no geral, com a ajuda das enfermeiras que por lá passavam, a coisa ia correndo bem...

No dia que viemos para casa, na nossa primeira noite juntos na nossa casa é que foi o despoletar de um cenário que não desejo sequer ao meu pior inimigo, mesmo que o tivesse. A "subida do leite"! Essa malvada! Nessa noite e no dia seguinte eu só pensava "antes ter 10 filhos seguidos, do que isto!"... A meio da noite, numa das vezes que estava com ela ao colo (não me lembro se antes ou depois dela mamar), deu-me hipotermia. Não sabia bem o que era aquilo, mas a minha reação foi sentar-me na cama, colocar a M. ao meu lado, para não deixá-la cair, e enroscar-me no edredão. Nesse momento, o namorido abraçou-nos no sentido de me aquecer de alguma forma e assim ficamos os 3. A coisa acalmou depois de uns minutos... Ainda tive mais uma hipotermia algures no dia seguinte, mas não tão forte e esquisita como esta...

No dia seguinte... oh God, em vez de maminhas (que tinham crescido durante a gravidez de forma considerável) tinha mamonas ainda maiores e duras como pedras. Uma espécie de caminho agrícola, cheio de pedregulhos, uns mais pequenos e outros maiores... Doíam como o raio! Nem as podia tocar... E, ao longo do dia, foi piorando, piorando, porque a bebé só queria dormir. Ponha-a para beber leite e ela nada... Pudera, nesse dia andou de colo em colo, queria era a boa festa e a mãe que se lixasse... Fui ao duche, pus os ditos paninhos quentes e nada (NADA!) resolvia aquele tormento... Até suores frios tive...Pedia encarecidamente uma bomba para tirar leite (porque eu não tinha comprado, pois não sabia se ia ou não amamentar e uma bomba de leite ainda custa caro!). Lá consegui uma no fim da tarde que a nossa amiga R. disponibilizou. Apesar da falta de jeito, lá saiu qualquer coisa, mas mesmo assim não resolveu o problema... Só ficou verdadeiramente resolvido quando ela, pelas 19h decidiu comer como deve ser... Por mais que tente explicar, não vão conseguir perceber o alívio que senti naquele exato momento... Muito melhor do que aquela sensação de fazer xixi quando estamos muito, muito, muito apertadinhos...

No único momento que consegui fazer com que ela bebesse leite (finalmente!), estava eu sozinha em casa, com ela, e a campainha toca... eu nem conseguia mexer-me para ir abrir a porta, não fosse ela rejeitar a amamentação (não podia conceber sequer a ideia de recomeçar tudo do zero!)... Eram as primas R. e B. que a vinham ver e, até hoje, fico com o coração pequenino só de pensar que não lhes consegui abrir a porta...