Tivemos um fim-de-semana super chuvoso e entreter uma criança de quase 5 anos em casa não é tarefa fácil... A criatividade tem de ser uma constante... Vai daí mal acorda, ainda com aquele ar ensonado, convida-me para tomar o pequeno almoço no quarto! Que fofa! Porque não?! E assim foi... Preparamos as 2 um belo de um pequeno-almoço com tudo aquilo que nos apetecia comer e, num tabuleiro, levamos tudo para o quarto. Foi como se se tratasse de um "date" com pompa e circunstância... E ela ficou feliz (e eu também!)...
A vida é feita de momentos... e temos de torná-los especiais... de torná-los em boas memórias, de aproveitar o amor e carinho que nos dão... de fomentar a proximidade... de fazer crescer o companheirismo e a cumplicidade entre a família... Só com dedicação, tempo e muita vontade é que conseguimos tudo isso e ainda ganhamos sorrisos e beijos que nos aquecem a alma, principalmente naqueles dias em que tudo é cinzento ou a preto e branco...
Se há coisa que não se deve pedir ou implorar é o amor, o carinho e a atenção de alguém. Devemos concentrar-nos nas pessoas que nos dão o seu tempo, atenção, carinho por livre e vontade própria. Se alguém a quem dedicamos o nosso afeto nunca tem tempo para nós, ou se só nos oferece indiferença, o melhor mesmo é virarmos a página e focarmo-nos nas pessoas que têm sempre uma palavra amiga, um abraço de conforto, ou simplesmente dedicam parte do seu tempo a nós, nem que sejam apenas 5 minutos de atenção, pois esses míseros 5 minutos fazem mesmo toda a diferença.
Fui lendo por aí estas frases:
"Não dediques tempo a alguém que não tem tempo para ti."
"Se essa pessoa te trata com indiferença é porque não te merece."
"Uma pessoa que vale a pena é aquela que dá tudo sem esperar nada em troca e que te faz sentir importante."
"Não há falta de tempo, mas sim falta de interesse, porque quando realmente queremos algo, damos sempre um jeito. Se realmente houver interesse, a noite torna-se dia, as segundas tornam-se sábados e o momento menos esperado torna-se uma oportunidade."
Tantas verdades... palavras sábias que muitas vezes colocamos atrás das costas e não devíamos. Todos nós merecemos o céu... Merecemos receber amor, carinho, atenção. Merecemos ter o tempo de alguém. Merecemos ser o tempo passado, presente e futuro.
Às vezes estamos na correria da vida e esquecemo-nos dos pequenos pormenores do nosso dia-a-dia...
Às vezes julgamos ser mais importante o telefonema que temos que dar, da sms que ficou por responder, o trabalho que temos para fazer, a conversa com o vizinho que estamos a ter, do que propriamente sentar-nos à mesa com a nossa família, do que brincar, do que mimar, do que passear com a nossa família...
Um dia, olhamos para trás, e os nossos filhos já cresceram, a família já não existe e arrependemo-nos de não termos tomado as escolhas certas...
No passado mês de novembro mudei área profissional (falei disto aqui)... É uma área com a qual me identifico bastante e onde, direta ou indiretamente, onde trabalho, sempre estive ligada. Ora bem... Passados praticamente 3 meses desde que esta mudança aconteceu na minha vida, já consigo tirar algumas conclusões...
Neste momento sou basicamente o elo de ligação entre os vários departamentos e também junto de vários fornecedores a quem solicitamos diversos serviços. Perante isto, é natural que parte do meu trabalho dependa sempre de respostas de terceiros. Ora são respostas de fornecedores ou até de outros departamentos internos. À medida que vou recebendo as respostas, não faz parte do meu feitio profissional deixar para fazer amanhã (levar trabalho na minha cabeça para fazer "amanhã" dá-me "comichão"! Não gosto!), só porque já chegou à minha hora de sair, então fico mais um bocadinho só naquela para despachar mais aquele "pendente"... Às vezes o "mais um bocadinho" traduz-se em 1h, às vezes até mais que isso, mas, se é preciso, faço-o na boa... Nunca fugi ao trabalho e nunca me recusei a ficar até mais tarde no trabalho. Faço-o porque gosto do que faço, porque me sinto realizada, e principalmente porque dá-me "urticária" se fico com coisas pendentes... Não tenho culpa... Sou assim... Claro que há dias que por um motivo ou outro não posso ficar até mais tarde, mas é mesmo assim... Fico é a pensar nisso até ao dia seguinte (o que é horrível!)...
Esta é a grande mudança neste novo desafio profissional! Por outro lado sei que é tempo que estou a tirar do tempo que tenho para a minha filha, o que me afeta verdadeiramente a nível psíquico! Sei que ela está bem entregue e por isso fico descansada... Ainda tenho esperança de que as coisas possam melhorar nesse aspeto... Eu acredito que sim... E, aí, vou poder voltar a estar mais tempo com a minha princesa, a dar-lhe o meu tempo que ela merece e tem por direito...
E pronto, terminado o Carnaval e a loucura (para alguns!) do dia dos Namorados voltamos à rotina... bahhh... e a uma conversa séria que há tempos estou para escrever aqui e que me vem atormentando os dias e as noites...
Ao final do dia, quando estou sozinha com os meus pensamentos, fico a pensar naquilo que fiz durante aquele dia e sinto-me triste na maior parte das vezes. E triste porquê?! Triste porque o dia-a-dia de uma mulher (que é mãe) é mesmo lixado! Quando quem nos é mais importante na vida é quem menos recebe de nós, não podemos ficar completos e de coração cheio.
Acordo todos os dias às 6h45 e só chego a casa 12h depois. E nessas 12h onde andei? A maior parte delas a trabalhar. Sim é bom ter trabalho e dou graças a Deus por isso. As restantes horas ora em viagens, compras para a casa, a correr na hora de almoço,... Quando pego na minha M. e vou para casa já são horas de preparar o jantar (os dias melhores são os que só tenho de aquecer o jantar!). E quando acabamos de comer, já são horas do banho. E quando termina o banho já são horas de contar a histórinha e dormir... Isto acontece pelas 20h30/21h... E estar com ela?! E brincar com ela?! E tempo ÚTIL com ela?! Durante a semana é muito complicado gerir o tempo e também as emoções. Gostaria eu de chegar a casa e ainda ter tempo útil com ela, poder fazer coisas com ela, que ela goste, que a faça feliz... É isto viver bem?! É isto crescer bem?! E nem quero falar de quem vive em zonas como Lisboa, que ainda têm o trânsito para atrapalhar a gestão do seu tempo!
Governantes portugueses, olhem para a educação que estamos a dar aos nossos filhos. A educação não é só na escola. Tem muito peso quando vem de casa. O tempo que os filhos passam com os pais é, se calhar, o motor mais forte para um bom crescimento enquanto pessoa e cidadão. Depositamos os nossos filhos em escolas e atividades de tempos livres quando o seu tempo livre deveria ser passado com os seus pais, em família. Triste e dura realidade.
Sei bem que há pais que até agradecem que os filhos estejam ocupados com outras coisas para assim também terem tempo para eles próprios, mas eu não! Eu não agradeço, não me conformo e nem quero. Quero ter mais tempo com a minha filha, quero ser presente, quero que ela saiba que pode contar comigo para tudo, quero que ela saiba que, independentemente do que o futuro nos reservar, vou amá-la sempre e incondicionalmente, que ela veio dar sentido à minha existência, que ela é o meu princípio, meio e continuidade...
Escrever aqui não vai adiantar de nada (até porque, que eu saiba, não tenho governantes a lerem o que escrevo e, mesmo que tivesse, acho que não ia fazer diferença nenhuma!), mas ao menos, olha, partilho a minha realidade e opinião convosco. Afinal também é para isto que os blogs servem... :P
Depois de ler isto, confesso que fico com a minha consciência de mãe tranquila. Quando soube que estava grávida, nunca pensei que a minha vida fosse mudar tanto. Tinha uma vida social relativamente ativa. Alguns amigos sempre por perto. Gostava muito de ir a uma festa, a um concerto, a um churrasquinho,...
Desde que a minha filha nasceu, e até mesmo grávida, que a minha prioridade passou a ser ela. Tudo o que faço é pensado e analisado ao pormenor por causa dela. A felicidade, o bem estar e a saúde dela são as minhas grandes prioridades. Todo o tempo que tenho disponível dedico-o a ela. Assim que saio do trabalho, vou ter com ela e com ela passo o resto da tarde/dia, faço os afazeres do dia-a-dia com ela ou, sempre que tenho oportunidade, faço algo para ela, ao gosto dela. Ao fim-de-semana tento fazer programas onde ela está inserida e que sejam indicados para ela. Quando não são, simplesmente não os faço. E ainda tento respeitar ao máximo os horários que ela tem no meio disso tudo.
Espero ser sempre assim com ela, independente da idade. Quando estiver na escola, espero poder dar-lhe o apoio que ela, com certeza, vai precisar e ser atenta o suficiente para detetar algum problema que ela tenha para poder, assim, ajudá-la de alguma forma. Na idade em que ela precisar estar com os seus amigos, espero conseguir dar-lhe o espaço que ela precisa, sem nunca esquecer que sou e serei a sua melhor amiga e que poderá contar comigo para sempre e para tudo. É isto o que uma mãe é. Pelo menos a minha é e sempre assim demonstrou ser.
Esta é a mãe que sou e que sempre quis ser... Se calhar tive momentos que pensava que não estava preparada para ser mãe, mas hoje eu sinto que estava, porque hoje sei que, com o nascimento da minha filha eu não perdi nada, só ganhei: um melhor conceito de vida, um melhor conceito de família, um melhor conceito de amizade.