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sábado, 21 de janeiro de 2017

Hoje é dia das Bodas de Prata deles!

Eles eram, na minha altura, fenomenais!
Hoje é o aniversário da Tuna Masculina da minha Universidade: a Tuna Camoniana "In Vino Veritas"(25 anos)! Sempre os admirei, pela forma de tocar, pela postura em palco e fora dele, e também pelo espírito que sempre demonstraram ter!
Eu, para eles, era a "açoriana" e, para não fugir à regra, também gozavam com a minha pronúncia. Acho que se não fosse o Facebook, muitos deles não sabiam o meu nome! Nunca recebi nenhum comentário, nenhuma atitude menos nobre que um homem possa ter por uma mulher. Sempre me trataram bem, nunca me faltaram ao respeito e sempre me senti uma "donzela" protegida por eles. Ainda hoje alguns deles, com quem ainda mantenho algum contacto, me chamam "miúda". Normalmente, não gosto que me chamem assim, mas se for eles eu deixo. Eles podem, porque o tom que eles utilizam para me chamar assim, é como que se eu fosse um ser pequenino a precisar de proteção. Que eles são os grandes e eu a "miúda" que precisa ser protegida. E, acreditem, eu era uma verdadeira "pain in the ass", principalmente para aqueles que tocavam viola. Como eles tocavam muito bem (eram os meus ídolos musicais da universidade), sempre que eu apanhava algum de viola na mão pedia que me ensinasse a tocar a música A, B e C. Às vezes eu não tinha a minha viola comigo, mas arranjava logo um papel e uma caneta para anotar os acordes para treinar depois em casa... Nem sempre conseguia, porque nem sempre eram acordes fáceis, tipo Dó, Ré, Mi... Havia sempre um dedilhado lixado e um dedinho que tocava numa qualquer corda esquisita só para chatear!...

Consolava-me toda a ouvi-los tocar... Trajados, não trajados, em palco, fora dele, sempre que ouvia alguém tocar algures na universidade, lá ia eu a "correr" para onde o som vinha, normalmente no bar ou na sala de instrumentos, e lá ficava com eles, a deliciar-me a vê-los tocar. Cheguei a assistir a um ou outro ensaio e eram de uma disciplina que não vi igual...

A última vez que estive com alguns deles foi cá em S. Miguel, quando foram convidados a participar num dos festivais dos Tunídeos, algures em 2005 ou 2006. Todas as tunas têm guias nos festivais que participam e eu, apesar de não ter sido a guia deles, agi como se fosse e estive sempre com eles, claro (até porque a guia deles andava sempre fugida ahahaha!). Não vieram todos aqueles que eu conhecia da minha altura, como é natural, mas a tuna esteve cá e eu pude deliciar-me, mais uma vez, a ouvi-los tocar em palco e fora dele. Foi bom, foi inesquecível e foi o reviver de tudo aquilo que antes vivi. Continuavam com o mesmo espírito de antes!

Muitos parabéns Tuna Camoniana! 



Oiçam-na nos próximos vídeos e deliciem-se como eu:


No Festival Camoniano, em 2000, onde eu estive presente!





terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Hoje é o dia da UAL, a minha universidade!

Como expliquei aqui, a minha ida para a Universidade, foi um tanto atribulada. A escolha pela Universidade Autónoma de Lisboa foi quase que instantânea. Perante 3 opções que tinha, mal pus os meus pés na UAL, senti que era ali que queria ficar nos próximos anos. Não sei o que foi, mas que senti uma empatia forte por aquele edifício lá isso senti. Na verdade, os primeiros tempos (adaptação) não foram fáceis para mim. Também não foram fáceis muitos outros momentos ao longo dos 4 anos de curso que tive naquela instituição. O pior momento que tive, depois da adaptação, foi o ter de aceitar perder uma cadeira injustamente (a única de todo o curso!). Ainda hoje digo que foi injusto. Mas, graças a Deus, superei esse problema e consegui fazer a cadeira no ano seguinte.
Bom, tristezas à parte, a UAL para mim foi uma revelação boa! Tirando o facto de que gostei dela logo no dia que pus lá os pés pela primeira vez, tive muitas outras alegrias lá dentro. 

As condições de estudo eram maravilhosas. Havia uma sala de informática, à qual podíamos aceder à internet (na altura ainda era uma coisa rara nas casas particulares!), podíamos fazer trabalhos a computador (nem todos tinham computador em casa!) até às tantas da noite (acho que só fechava às 23h). 
A Biblioteca também era muito boa, embora eu fosse "alérgica" a estar e permanecer por muito tempo lá (sempre gostei de me rir e falar à vontade e na biblioteca isso nunca é possível!). 
O bar era magnífico. Tinha inclusive uma espécie de "jardim" interior, ao qual chamávamos "átrio". Era onde eram realizadas as provas dos caloiros e onde muitas vezes atuei em tuna. Em dias normais, o pessoal sentava-se lá e conversavam, riam-se, tiravam dúvidas com os colegas, liam,... A comida que eles serviam no bar/refeitório era deliciosa. Não me lembro de nenhuma refeição que eu não tivesse gostado. 
O pessoal que lá trabalhava, em toda a universidade, era no mínimo espetacular e extremamente simpático. Recordo-me com muito carinho de um senhor que era lá contínuo (nunca soube o nome dele), que me fazia lembrar fisicamente do meu avô Manuel Jacinto, que tinha sido da agente da PIDE, mas que era de uma educação e delicadeza incrível (e eu sempre achei isso admirável!). Falava muitas vezes com ele...
Os funcionários da Secretaria eram prestáveis e super simpáticos. Tentavam ajudar o aluno ao máximo. Falo por mim que recorria muito à secretaria para ter os meus documentos de estudante açoriana assinados e carimbados para depois ter o desconto na viagem. Havia lá um Sr (Fernando Ferreira) que comigo foi sempre um encanto, desde o primeiro momento sempre me estendeu a mão quando eu precisava de alguma coisa da secretaria. Em contrapartida os meus pais sempre lhe enviavam um miminho de S. Miguel como forma de agradecimento por ele ajudar sempre a filha deles lá na universidade.
As pessoas da Reprografia, uma família de indianos, nunca tinham mãos a medir para a quantidade de pedidos que tinham (eram livros e livros para fotocopiar!), mas mesmo assim sempre foram simpáticos comigo. 
Os professores que lá lecionavam eram, na sua maioria, do melhor que há. Óbvio que também existiam as "nódoas" e eu tive algumas, mas a maioria eram bastante acessíveis, mesmo alguns sendo escritores conhecidos da nossa sociedade. Sempre eram pessoas humildes e não andavam a vangloriar-se dos estudos que tinham ou dos livros que escreviam, como presenciei um professor da Universidade dos Açores fazer isso! Foi do piorio, uma falta de classe medonha!... 
A maioria dos colegas era acessível. Comigo sempre foram impecáveis, tirando um ou outro mais esquisitinho, mas esquisitinhos existem em todo o lado, portanto, não é por aí. Tenho hoje bons amigos que foram meus colegas de turma ou só mesmo da universidade.
O pessoal da tuna, ou melhor das tunas, falo da minha e da masculina, foram sempre impecáveis comigo. Gozavam com a minha pronúnica, é certo, mas foram sempre muito meiguinhos comigo e tenho muitas e só boas recordações de todos eles.

Hoje é o dia que se entregam os diplomas na UAL. Só participei neste evento no dia que fui receber o meu, a 13 de Dezembro de 1999. Esse dia era feriado para o pessoal da Universidade. É nesse dia que vemos a maioria dos nossos professores vestidinhos com aquelas roupas esquisitas e chapéus super engraçados. Lembro-me que um dos chapéus é assim com bolinhas penduradas! Super engraçado. Aquelas roupas têm significados consoante o nível de ensino que cada um tem, eu é que não os sei de cor!


Para que conheçam a minha universidade, aqui fica o vídeo:

E eis alguns comentários de alguns alunos:

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Hoje a minha Tuna está de parabéns!

Foi em novembro de 1999 que eu, juntamente com umas quantas amigas, fundamos a nova tuna feminina da Universidade Autónoma de Lisboa - a Damastuna "Cultus Regius". Até essa data, a maioria de nós pertencíamos a uma outra tuna, que se foi desvanecendo com o tempo. Cansadas de tanto dar ao litro e não sermos recompensadas, decidimos por unanimidade recomeçar do zero. E assim foi. Num bar qualquer da mui nobre cidade de Lisboa, decidimos que aquele seria o dia da fundação da Damastuna (17 de novembro de 1999 - há 17 anos atrás). E assim foi. Desde aí, esforçavamo-nos diariamente por tocarmos melhor, sermos melhores, termos músicas giras e ricas musicalmente e conseguimos. Criámos uma tuna, uma verdadeira tuna rica em amizade e em musicalidade. Entre nós havia união e espírito tunante, curiosamente o título de uma das músicas que tocávamos (e que eu criei juntamente com a minha amiga-irmã Paula). Havia esforço de todas e não apenas de um pequeno grupo de "viciadas" na tuna (como eu!). Eu que não sabia tocar viola antes da tuna, cheguei a dar aulas de viola e a criar músicas para a tuna. Juntamente com a minha amiga-irmã, criámos várias músicas para a tuna. Lembro-me que algumas nasceram na sala de instrumentos da Tuna Camoniana (tuna masculina da universidade, nossos padrinhos), nas horas vagas que tínhamos entre aulas e ensaios. Dediquei-me à Damastuna de corpo e alma. Chegamos a ter uma sala só nossa para guardarmos os nossos instrumentos e para nos reunirmos. Nas horas mortas, cheguei a tocar cavaquinho, bandolim, só naquela para experimentar, e cheguei a saber tocar uma e outra música. Hoje já nem me recordo que notas estão em cada corda. 
Nas atuações éramos sempre premiadas de alguma maneira: melhor tuna, tuna mais tuna, melhor pandeireta, melhor estandarte, melhor solista (este prémio era sempre nosso, pois a nossa solista era uma verdadeira cantora, arrepiava só de a ouvir - ainda hoje tem esse poder em mim!). Toquei músicas originais, músicas de outros. Aquelas que me davam mais pica tocar eram as mais difíceis (sempre tive uma queda para escolher o que é difícil, irra!) - o nosso instrumental "Amélie"(que já nem sei tocar!), a "Garça Perdida" (que ainda hoje acho que foi escrita para mim!), que cantada pela minha solista é bem melhor do que a música original, e, claro, as músicas que criei.
Organizámos o primeiro e único festival de tunas, o 1º aDAMAStor, que foi um verdadeiro sucesso e nunca me lembro de ter ficado tão nervosa em palco.
Terminei a Universidade em 2002 e continuei na tuna. Aliás, como fundadora que sou, serei sempre da tuna, mesmo até quando eu for muito velhinha de bengala, se me apetecer pisar o palco, lá estarei... 
O espírito que vivíamos quando estávamos em tuna era único. Quando estávamos em tuna não haviam pais, irmãos, namorados, as atenções eram só para nós e entre nós. Éramos um núcleo fechado que não abria exceções. Nem todos percebiam isso. Quando se estava em tuna era para estarmos em tuna, com a tuna e ponto parágrafo final. Era esse o espírito!

Depois de ter terminado a universidade, ainda trouxe a tuna até à minha ilha e foi dos fins-de-semana mais felizes da minha vida. Foi a minha melhor e mais sentida atuação. Ter a minha família toda em peso na plateia só para me ver pela primeira vez tocar com a tuna, foi das sensações mais incríveis que já tive na minha vida.
Fui ter com a tuna à ilha Terceira e lá também foi uma diversão total. 
Fui a Lisboa de propósito para poder ir com a tuna a S. Brás de Alportel e foi outra atuação que me ficou no coração pelo divertido que foi estarmos todas juntas.

Elas eram umas choronas: choravam quando corria bem, quando corria menos bem. Eu não. Eu achava piada e gozava com elas (não seriam só elas a gozar comigo!). Até que chegou o dia de ser eu a chorar, quando em tom de despedida, a minha solista me cantou em público a "Garça Perdida" só para mim. Porque eu sabia que, por mais que eu não quisesse, não podia andar cá e lá a vida toda e um dia tinha que ser o dia do adeus... continuei a acompanhar as atuações delas e hoje, que já não existem, continuamos a festejar a amizade que ficou para sempre... Daí este post no dia do nosso aniversário! 17 anos depois cá estou a festejar a minha amizade por elas, no dia em que juntas decidimos criar a Damastuna que não foi mais do que um pretexto para alimentar a nossa amizade e união. Trago-as a todas no meu coração e cada memória boa do que vivemos juntas está tatuada no arquivo das melhores coisas que já me aconteceram na minha vida.


Um pouco do que nós fomos:
(Sou aquela que tem as meias mais escuras, de viola...)

(Aqui a tocar a "Garça Perdida" - sou a segunda a contar da esquerda para a direita, sentada, de viola ao colo)

(as fundadoras presentes na atuação de S. Brás de Alportel) 

(todos os momentos que podíamos, juntávamo-nos e tocávamos... aqui no átrio da universidade, num dia qualquer...)

Oiçam-nos...



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Fui aluna de um escritor conceituado de Portugal

Confesso que, com a entrada na tuna, a partir do meu 2º ano da universidade, a minha frequência às aulas diminuiu consideravelmente. Embora os meus pais tenham uma ideia aproximada disto, imagino que esta minha confissão não os vai deixar muito orgulhosos de mim. Cabe-me, neste momento, recordá-los que fiz os 4 anos de curso + 2 anos de estágio sem perder um ano que fosse e deixando apenas 1 cadeira para fazer no ano seguinte. Portanto saldo mais que positivo! :) E além disso, já se passaram 14 anos! :P

Estava eu em pleno 3º ano da universidade quando numa das aulas que eu fui, de Literatura Portuguesa (daquelas que têm tudo para serem consideradas aulas de seca!), estava um professor já em idade avançada sentado na sua secretária de professor a dar a sua aula. Era alto, cabelo grisalho (diziam que em novo era loirinho), de olhos azuis (muito parecidos com os do meu avô materno) e de um aspeto tão fofinho, tão simpático, tão tudo que me encantou. Falava baixinho, tão baixinho que a dada altura, quem estava no final da sala queixava-se que não o ouvia (ainda hoje acho que deviam estar no gozo com o senhor!). Vai dai, passou a haver uma grande caixa que colocaram ao lado da secretária (coluna de som) e ele pegava no microfone e assim deu muitas aulas... Inédito! Nunca tal tinha visto! Este processo foi adotado por ele e por outra minha professora, também já velhinha (a Dra. Arlete!)...

Ficou viúvo na altura que foi meu professor (1998), mas ouvia-se que, em novinho, quebrou muitos corações lá pela universidade... Foi meu professor um ano letivo inteiro. Simpatizava com ele... Fui a exame, mesmo assim... e para não ter de esperar pelo resultado em Lisboa (queria era vir de férias para os Açores), falei com ele de forma a encontrarmos um jeito para eu saber da nota da cadeira dele. Caso eu chumbasse teria de regressar novamente para fazer o exame da 2ª fase, em setembro. Ele, muito atenciosamente diz-me para não me preocupar, dá-me o seu contacto fixo de casa (na altura telemóveis eram ainda uma raridade!) para lhe ligar por volta de um dia que ele achou que já teria o meu exame corrigido. Assim fiz e foi ele que me informou da nota que eu tive.

Até quase ao final do ano, e como não ia a muitas aulas também não apanhava os comentários que partilhavam sobre ele, nem o nome dele sabia, andei sempre na ignorância (e eu já sou distraída por natureza!). Para mim ele era um professor como outro qualquer que tinha na universidade (este mais fofinho!), até ao dia que, vendo um colega a ler um livro, perguntei-lhe o que estava a ler e de quem era. Respondeu-me "<Noite Roxa> do nosso professor". WHAT?! Nosso professor?! Quem? Quem? Nada mais nada menos do que o nosso professor de Literatura Portuguesa, o grande Urbano Tavares Rodrigues, humanista e escritor. É que ele não escrevia livros tipo "Fulano tal defende isto... fulano tal defende aquilo" (como muitos professores escrevem e vangloriam-se dos seus livros que não passam de trabalhos de investigação, pois isso eu também sei fazer!), ele escrevia mesmo livros com histórias de princípio, meio e fim (e eróticas, por sinal!). A partir desse momento, passei a admirá-lo ainda mais pela pessoa humilde e simples que era e que sempre mostrou ser, pelo menos comigo, embora ainda não tenha lido nenhum livro dele. Estou a falhar, eu sei!... 

Faleceu a 9 de Agosto de 2013...

A propósito, tive nota positiva (já não me lembro qual, mas não necessitei de ir ao exame da 2ª fase)!
(Era fofinho, não era?!)

(Um entre muitos outros livros que escreveu...)



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Esta era a minha festa preferida de Lisboa!

Enquanto estudei em Lisboa, a festa que eu mais gostava de participar era a Festa das Ilhas. Era uma festa que era realizada anualmente no ISA (Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa), bem pertinho onde eu morei nos meus 3 primeiros anos em Lisboa. Era, como o próprio nome indica, organizada pelos estudantes dos 2 arquipélagos portugueses: dos Açores e da Madeira. Portanto, havia um bar com bebidas e produtos açorianos (cerveja Especial, Kima de Maracujá, Laranjada, bolos lêvedos, queijadas da Vila, da Graciosa, e afins...) e outro com bebidas e produtos madeirenses (cerveja Coral, Brisa de Maracujá, Bolo do Caco, bananas, entre outros...). Todos os estudantes de Lisboa e arredores que fossem dos Açores e da Madeira (e que se prezassem e sentissem orgulho da sua origem) iam a essa festa e era lá que nos encontrávamos todos. Alguns continentais também iam, mas a maioria éramos nós, os ilhéus desterrados em continente português...
Ora, eu que no início tive alguma dificuldade em enturmar-me em Lisboa, aquela festa soou-me sempre bem, aliás muito bem... Normalmente eram mais de 2 mil estudantes que apareciam por lá e mesmo aqueles que só conhecíamos de vista, nessa noite até os cumprimentávamos e dizíamos "Estás por aqui? Há quanto tempo não te vejo!" e assim começávamos a conversa e a amizade! É que encontrar um açoriano em Lisboa naquela altura não era como é hoje. Fazíamos sempre uma festa! Era como que os Açores fossem do outro lado do mundo e nós andássemos para lá desterrados. Pelo menos era assim que me sentia... Tudo o que nos fazia lembrar da santa terrinha era maravilhoso... E, em Lisboa, só agora existem coisas dos Açores à venda. Na altura, havia "ananás dos Açores" à venda nas superfícies comerciais maiores, que não eram nada mais nada menos, do que abacaxis! Toca a enganar aqueles pobrinhos dos continentais!... Só lá no ano 2000 abriu lá uma lojeca pequenita, no Centro Comercial Vasco da Gama, chamada "Cantinho Açoriano" que vendia alguns bolos lêvedos e pouco mais... Quando vínhamos de férias aos Açores, um dos caixotes eram só encomendas: Licor de maracujá, tabaco, bolos levedos, Kima,... Hoje já há mais qualquer coisa (falei sobre isso aqui)...
Voltando à Festa das Ilhas, aquilo era realmente uma animação (pelo menos para mim), pois sentia-me verdadeiramente em casa. Passava a noite inteira a ouvir sotaque micaelense, e estava a 2 passos de pedir bolos levedos e beber a famosa Especial, mesmo que nem gostasse (nem goste!) muito do seu sabor!... Quando estamos longe, até aquilo que não gostamos, nos sabe bem!...
Reencontrei pessoas que tinha perdido com o tempo (algumas delas muito especiais pelos momentos que vivemos no passado) e tudo isso me fazia feliz. Não era pela festa em si, que só tinha 2 bares e um palcozito pequenino onde atuavam alguns grupos que nem prestava a atenção, era pelo ambiente, pelo espírito, pelo sabor bom que era "sentir-me em casa" sem mesmo estar em casa...
Acho que hoje já não se fazem, o que é uma verdadeira pena, principalmente para os estudantes que hoje residem em Lisboa... Fica aqui a dica para os estudantes açorianos de hoje que estão em Lisboa...

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Fui praxada...na tuna!

Contei aqui que entrei na tuna feminina da minha Universidade - a Autúnama - e por lá permaneci durante 2 anos. Tocava viola. Não percebia muito do assunto, mas todos os dias treinava para poder ter maior agilidade nos dedos e poder dedilhar e tocar cada vez melhor o reportório que me deram. Eram umas 4 ou 5 músicas que tinha de saber tocar perfeitamente bem e foi a elas que me agarrei.
Nos primeiros meses de tuna sofri muito com aquelas que já lá estavam. Quem entrava para a tuna não entrava na verdade. Ficava 1 ano à experiência e depois é que passava a caloira da tuna. Portanto eu era apenas uma pretendente à tuna. Fui praxada até mais não poder por causa da minha pronúncia e, possivelmente porque era das pretendentes que estava sempre lá. Na mesma situação se encontrava a minha amiga-irmã Paula que, como eu, também estava sempre enfiada na tuna, numa sala qualquer a ensaiar, a inventar músicas,... Como éramos as 2 mais presentes e éramos ambas pretendentes, andávamos sempre juntas, como forma de nos apoiarmos uma à outra. Isto implicava que quando se lembravam de praxar alguém, praxávam-nos às 2 ao mesmo tempo! Quando chamavam uma chamavam a outra também. Éramos tipo o Tico e o Teco.
As duas demos tudo pela tuna: não faltávamos a um único ensaio, íamos sempre às atuações, treinávamos tanto para fazermos boa figura (e não nos praxarem!) sempre, sempre, sempre,... e mesmo assim éramos praxadas mais que as restantes pretendentes. Até que houve um dia, em Maio, julgo que de 1998, tiraram uma semana inteira para nos "cegar"! Fazíamos de tudo um pouco. Eu refilava sempre, mas fazia... Não era à toa que me chamavam "açoriana refilona"! Íamos buscar o tabuleiro de comida para as efetivas na tuna, íamos buscar as bebidas que elas quisessem, nas atuações levávamos os nossos instrumentos e os das nossas madrinhas (e às vezes de mais alguma!). Eu tocava viola, a minha madrinha também, portanto eram logo 2 violas que levava comigo sempre. A minha madrinha da tuna pedia-me para andar sempre com linha e agulha e engraxador, caso alguma coisa acontecesse no seu traje. Era a Paula que fazia serenatas a camarões pela cantina inteira, era eu que fazia serenatas a um namorado de uma delas sem poder olhar para ele,... lembro-me que houve um almoço em que a comida era rissóis de camarão com arroz e batata frita. Nesse almoço, comemos as 2 sentadas no chão e a comida estava em cima da cadeira. Tiraram-nos os talheres. Eu comi sandes de batata frita e a Paula sandes de arroz. Foi nesse mesmo almoço que cantámos as serenatas que falei em cima. Nessa mesma tarde, elas levaram-nos para uma sala. Sentámo-nos na secretária do professor e elas ficaram sentadas à nossa frente, como que se tratasse de um julgamento... e era, nós é que não sabíamos! 
A Paula chorava com muita facilidade, eu não (naquela altura!). Bastou acusarem a Paula de que ela tocava cavaquinho muito alto porque queria sobressair-se das efetivas para ela chorar. A mim disseram-me que, antes de uma atuação, tinha desafinado a viola de uma colega que dava entrada para uma das músicas para poder ser eu a dar a entrada.  Antes de uma das nossas atuações ela tropeçou nas escadas e a viola desafinou e quando ela deu a entrada na música a viola dela estava completamente desafinada. Então tinha sido eu a desafinar a viola dela e a empurrar-lhe pelas escadas abaixo!!! Eu estava a achar aquele cenário muito estranho e não estava a acreditar no que estava a acontecer, só me dava para rir e só pedia à Paula para não chorar... Piorou quando elas disseram que por causa desses 2 motivos não podíamos entrar na tuna! A Paula aí parecia uma Maria Madalena e implorava por ficar, que faria tudo o que quisessem... E eu continuava a rir-me (os nervos dão-me para rir!)... Mas elas tanto insistiram com esse cenário que eu, de raiva já (porque aquilo era uma injustiça e eu não lido bem com injustiças!), comecei a chorar ao mesmo tempo que dizia "não desafinei viola nenhuma e não empurrei ninguém!"... Só nesse momento elas "baixaram armas" e deram-nos os parabéns porque tínhamos passado a caloiras da tuna...antes do tempo previsto por tudo o que tínhamos feito até à data (e muito mais que merecido, diga-se de passagem!)...
Se as praxes acabaram?! Não!!! Mas ficaram bem mais leves e menos frequentes!... Valha-nos isso! :)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Estas sim são praxes giras!

Já que estamos numa altura de início de aulas, vou escrever sobre as praxes que se fazem na Universidade Autónoma de Lisboa, que frequentei 6 anos da minha vida. Já vos contei algumas situações da minha entrada na UAL aqui, aqui e aqui. E, se leram com atenção, sabem que entrei mais tarde na Universidade, já depois da época das praxes. Ora bem... Óbvio que estava cheia de medo de ser praxada (ÓBVIO!), ouvia sempre histórias macabras, mas sempre tinha na cabeça a teoria de que, mesmo que fosse praxada, ao menos ninguém me conhecia naquela enorme cidade (pensava eu!), embora soubesse que ia ficar rotulada por causa da minha pronúncia e, caso fizesse figurinhas tristes, todos se iriam recordar que tinha sido a "açoriana"!... Infelizmente (ou felizmente pensava eu na altura!) não apanhei as praxes! Se calhar hoje teria boas recordações dessa altura...

Além de não ter sido praxada na Universidade (só o fui pela tuna!), também nunca assisti à época de praxes, pois ia para Lisboa sempre o mais tarde possível, exceto no meu último ano de universidade propriamente dita, o meu 4º ano. Fiz questão de ir mais cedo e, com uma amiga minha, a minha amiga-irmã Paula, acompanhei a época das praxes da UAL, só para ver como é que funcionava a coisa!... Foi exatamente nesse ano que me arrependi de nunca ter participado nas praxes da UAL! As praxes lá são (ou pelo menos eram na altura!) tão criativas, tão giras e tão originais que aconselho vivamente a todos os que queiram ir lá assistir (não sei se continua a mesma coisa, mas pronto, tentem!). Óbvio que existem aquelas cenas de pintar os caloiros e pedidos de danças estranhas e tal, mas não há cortes de cabelos ou abusos de trabalhos domésticos ou pedidos menos simpáticos como rebolar num pasto cheio de cóco de vaca, etc (como já ouvi que fazem cá na Universidade dos Açores). 

A semana de recepção aos caloiros na UAL é uma semana super preenchida. Todos os dias há um evento especial, com direito a concurso e tudo, que os caloiros, depois de alguns ensaios, apresentam. - há o dia da "Chuva de Caloiros", onde eles, por cursos, fazem playback e dançam em cima de um palco; 
- noutro dia é a "Gala dos Pequenos Caloiros", onde eles, também por cursos, mudam a letra de uma música conhecida para uma letra que eles inventam que normalmente fala do curso que escolheram;
- depois há outro dia que é a Mega Festa do Caloiro, que normalmente, ou é numa discoteca alugada para o efeito, ou mesmo lá na Universidade, onde as tunas tocam e todos dançam a noite inteira; 
- há também o dia do Tribunal de Praxes, que é uma réplica a um tribunal de verdade e onde se aplicam castigos aos caloiros que se portaram mal ou que desobedeceram a alguma ordem recebida durante aquela semana (os castigos não são nada de especial!); 
- além de todos os dias haver convívios no bar da universidade, onde os caloiros são os acompanhantes dos veteranos e quem lhes vai buscar a comida/bebida;
- e há o dia do Cortejo e Batismo dos Caloiros e esse é um dia que exige muito do fígado de cada um. Todos os caloiros divididos pelos vários cursos que existem, e os veteranos que os queiram acompanhar, saem da UAL em direção ao Rossio, onde acontece o Batismo, lá naquele chafariz que existe lá no centro, mesmo em frente ao Teatro D. Maria, mesmo ao lado da Ginginha. O caminho é feito com algumas paragens para os caloiros repetirem algumas frases e fazerem cânticos pelos cursos de cada um. Ao chegar ao Rossio, cada caloiro, junto com sua madrinha/padrinho aproxima-se do chafariz e é batizado por eles. Há madrinhas/padrinhos mais simpáticos que só molham a cabeça do caloiro e há aqueles que querem que o seu caloiro entre para o poço, por isso além da cabeça também molha as pernas. Depois disso, como todo o batismo que se preze, há a festa, que é feita ali  mesmo ao lado, junto à ginginha, até que o fígado e estômago aguentem. Nesse dia, muitos acham mais prudente (e é mesmo melhor!), ir de táxi para casa.



Deixo aqui alguns vídeos para que possam ter uma ideia de como se fazem as praxes na UAL:
Exemplo de praxe de caloiros do curso de Gestão

Exemplo de um Tribunal de Praxe - este em 1994

Exemplo do concurso "Chuva de Caloiros" - este, do curso de Direito, ganhou o 1º lugar, em 2007

Mega Festa do Caloiro 2009

Exemplo do Cortejo dos Caloiros de 1993

A UAL tal como ela é!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Como ser parte da Universidade?! #2

Depois da frustração que foi o Volei, não sabia bem o que ia fazer para me inturmar mais na Universidade. Afinal de contas, além das aulas e de conversar com meia dúzia de colegas, eu não tinha um grupo que pudesse considerar "amigos" de universidade.
Sabia que existia uma tuna feminina, a Autúnama, mas o único instrumento que sabia tocar mais ou menos era piano e esse instrumento não é propriamente um instrumento de tuna (pelo menos eu nunca vi nenhuma tuna com um piano... até porque é difícil de transportar! Embora depois de ver um contra-baixo, um piano até nem é coisa que não se transporte!)... Não podia fazer nenhuma atuação a tocar piano ou só a cantar, porque apesar de ser afinadinha, não sou nenhuma Rihana! :) Então, pedi à minha colega de quarto da altura, para me ensinar uma música básica, daquelas com poucos acordes para eu poder fazer uma atuação para entrar na tuna. Ela ensinou-me o Anzol. Era simples e tinha apenas 4 acordes. Para cantar não era difícil. E pronto, ficou escolhida a música. Comecei a treinar os 4 acordes, mas logo logo achei aquilo um pouco seca, porque era simples demais. Pedi-lhe para me ensinar o "Não voltarei a ser fiel" dos Santos e Pecadores, pois além de ser a minha banda do coração (ainda hoje é!), era uma das músicas que estava muito em voga e eu adorava. Tinha um dedilhado corisquinho, mas lá devagarinho consegui chegar lá (hoje não sei se ainda sei tocar essa música!).
Em um mês senti-me minimamente preparada para fazer a atuação na tuna e lá fui eu. Óbvio que na atuação toquei mesmo o Anzol, pois o "prego" era mais difícil de acontecer e eu queria mesmo entrar naquela tuna.
Fui gozada pela minha pronúncia (óbvio!), mas eu já sabia que isso podia acontecer e levei sempre na boa. Consegui o meu objetivo de "entrar" na tuna. Quer dizer, de verdade só entrei depois de ser praxada até aos calcanhares, mas isso é outra história! :)
Na tuna fiz grandes amizades e tenho a certeza que deixei no coração e na vida de cada uma a mesma marca que deixaram em mim...
E assim, desta forma, consegui sentir-me em "casa" na minha universidade...

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Como ser parte da Universidade?! #1

Quem entra na Universidade passa por praxes académicas. Eu concordo com as praxes, desde que sejam praxes giras e que ajudem o bom ambiente que se vive na universidade. Graças a Deus a minha Universidade tem umas praxes muitos giras e que deviam servir de exemplo a muitas outras Universidades que apenas gostam de mostrar "abuso do poder". As praxes ajudam os novos alunos a se sentirem parte da Universidade que ficaram colocados. É nas praxes que se conhecem pessoas e que se começa a formar os novos grupos de amigos. Como já disse (pode ler aqui), entrei na Universidade mais tarde que os restantes colegas, já depois da época de praxes, e por este motivo no meu primeiro ano nunca me prendi a nenhum grupo de amigos. Falava mais com a delegada de turma e mais uns quantos que andavam mais pela zona onde me sentava na sala, mas nada de especial. No entanto, falei sempre com a maioria (éramos muitos!), embora não tivesse grande ligação com nenhum deles, até porque já tinham os seus próprios grupos formados. Eu, como sou tímida à primeira instância, não tinha aquele "à vontade" de me introduzir em nenhum grupo, então mantive a boa convivência durante as aulas e nos intervalos delas.
Então, com o objetivo de me inturmar mais na universidade, e como gostava de desporto, reparei que havia lá uma equipa feminina de volei. Inscrevi-me. Os treinos e jogos decorriam no Ginásio da Cidade Universitária. Éramos poucas, mas durante o campeonato todo não havia amizade pós treino/jogo, até porque nunca encontrei nenhuma delas pela universidade (julgo que andavam noutros pólos!)... Tínhamos 2 treinadores. Um deles ainda mantenho contacto, vou sabendo dele no facebook. Digamos que nos treinos e nos jogos até tínhamos uma boa equipa. Refiro-me a bom ambiente, porque jogar, jogar, não jogávamos nada de jeito. Lembro-me que só ganhávamos quando a equipa adversária não comparecia, exceto num jogo que me recordo de termos dado tudo por tudo e ganhámos por mérito mesmo!!! 
No 2º ano de universidade inscrevi-me novamente. Mas... desisti logo depois do primeiro jogo. Porquê?! Porque as jogadoras da equipa eram já federadas e levavam aquilo muito a sério. Ficavam zangadas quando algo corria mal e eu que estava ali na desportiva, pelo bom ambiente, achei melhor escolher outro caminho. E, sabem que mais?! Foi a melhor coisa que fiz, pois o caminho que escolhi fez-me muito mais feliz!...

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A minha entrada na UAL

Quando entrei na UAL, não conhecia ninguém, ainda pra mais entrei tardiamente (no final de Outubro, quando já tinham terminado as praxes e o aniversário do meu irmão - evento que nunca perdia - nem perco!)... Acho que sentia medo por esta nova fase da minha vida: ir para uma escola que não era "escola", era "Universidade", onde toda a gente falava bonito e eu tinha sotaque e para uma cidade que era SÓ a capital de Portugal, com muito trânsito, com muitas histórias de assaltos e roubos, enfim, um mundo completamente diferente do que eu conhecia na minha santa ilhinha. Isto para quem viveu até aos 15 anos no Nordeste (onde se brincava na rua, onde a casa do vizinho era familiar, onde a chave de casa estava sempre na porta), e mais 3 anos em Ponta Delgada, que era (e ainda é!) uma cidade pacata e familiar, para uma pessoa que sempre viveu com os pais, na proteção familiar, é uma mudança assim um tanto radical. Mas pronto, fiz-me forte (e fui empurrada pelos meus pais!) e lá fui eu...

O meu primeiro dia na UAL foi péssimo... Sim, foi a Universidade que eu escolhi (podem ler a minha escolha clicando aqui!), mas não estava preparada para tal (acho que nunca ia achar estar...). Nesse dia de finais de Outubro, acordei às 6h30 da manhã (as minhas aulas começavam às 8h) cheia de medinho pelo dia que tinha pela frente... Sai de casa e fiz exatamente como o meu pai me tinha ensinado - fui para a paragem de autocarro esperar pelo 20 ou 22 (a dada altura mudou o nº!) que ia de Alcântara até ao Aeroporto e passava muito próximo da UAL. Foi esse o autocarro que utilizei durante 3 anos. Durante o caminho fui muito atenta à estrada, pois não queria correr o risco de sair na paragem errada e pedir por socorro! Eu estava sozinha e sentia-me tão, mas tão perdida que nem fazem ideia. A viagem correu bem e eu sai na paragem correta! Era na Av. Duque de Loulé... Sai e fui direta à UAL, seguindo as coordenadas para a sala de aula. Fui a primeira a chegar. Quando cheguei à sala, encostei-me o mais próximo da porta da sala de aula, que estava aberta, e ali fiquei tipo uma "triste"! Passou um bocadinho e os meus colegas começaram a chegar, uns sozinhos, outros em grupo (a maioria já tinha os seus grupos de amigos!) e eu ali permaneci caladinha. Sim, porque também tinha o "problema do sotaque", e se não me percebessem quando falasse?!
Entretanto chegou uma rapariga sozinha para perto da porta como eu (se calhar com os mesmos medos que eu!) e começou a falar comigo sobre banalidades. Não me lembro do nome dela, só me recordo que era um nome muito esquisito, por isso ainda dificulta mais lembrar-me dele. Ela parecia-me ser espanhola pelas roupas que usava, cheias de folhos e com uma certa exuberância. Apesar de não ter nada a ver comigo, foi a primeira pessoa simpática comigo. Sentei-me ao lado dela e cheguei a ir até à baixa com ela num outro dia, mas depois ela desapareceu do mapa sem deixar rasto (como 60% dos colegas da turma que nunca chegaram a terminar o curso) e nunca mais a vi...
A primeira aula que assisti foi de Cultura Inglesa. A professora debitava literalmente a matéria toda. Usava uns cartões tipo apresentadora de TV e lia um atrás do outro, nós apenas tentávamos acompanhar... para mim foi bastante difícil consegui-lo... Valeu-me um gravador que posteriormente comprei e que gravava toda a aula para depois em casa poder passar a aula a limpo e também ter-me sentado a partir de certa altura ao lado da delegada de turma, a D., que por já ter vindo aos Açores, sentiu uma empatia pelo meu sotaque. Aos pouquinhos (muito devagarinho mesmo!), fui-me ambientando à Universidade, aos meus colegas e às aulas. Mas participar nas aulas era uma coisa que raramente fazia, com receio que não me percebessem...

sábado, 11 de junho de 2016

Pronto, "não entrei na Universidade!"

Perante esta informação recebida depois de saírem os resultados oficiais das colocações nas Universidades públicas do país, pensava eu que não havia mais nada a fazer a não ser repetir o 12º ano na área correta (até essa data frequentava o agrupamento 3 "Economia" sem prosseguimento de estudos! Sei que não era, nem nunca foi a minha área, mas na minha ingenuidade de 9º ano feito na escola do Nordeste, onde toda a gente se conhecia e perante o desconhecido de uma nova escola, pareceu-me que aquela área seria a melhor, pois abria-me as portas para ficar na turma dos meus amigos quase todos que tinham também escolhido essa área! Fraca cabeça a minha!). Assim que nos apercebemos que a minha área não me dava possibilidades de prosseguir para uma universidade, comecei a frequentar explicações de Português A e de Inglês (no 12º ano não tinha Inglês!) para poder concorrer externamente a um curso superior. Tive um ano cão, com um horário super, hiper, mega preenchido! Resultado: não fiquei colocada como aluna externa, pois era muito difícil ter nota suficiente para superar a falta de frequência nas aulas, já se sabe...

Os meus pais não desistiram de mim e para sempre vou agradecer-lhes por todo o esforço que fizeram por mim... Sem eles a minha vida teria, com certeza, seguido um rumo muito diferente. Consoante as minhas preferências, inscreveram-me em 3 universidades privadas diferentes:
- Universidade Católica de Viseu para o curso de Inglês/Alemão;
- Universidade Moderna, em Lisboa, para o curso de Psicopedagogia Curativa (deu-me um vaipe qualquer na altura, não me perguntem!!!!)
- Universidade Autónoma de Lisboa, para o Curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante de estudos Portugueses e Ingleses, com possibilidade de ser via científica ou via ensino (eu queria era via de ensino, mas isso iria depender de como me corresse o curso!).

Fiz os exames de admissão em todas. Passei em todas também.
Quando fui fazer o exame a Viseu, fui bastante clara com o meu pai "Não quero ficar aqui! Nem vale a pena fazer o exame, pois aqui não fico. Prefiro ficar mais 1 ano no 12º ano do que ficar aqui!"... Era Setembro e estavam 7 graus!!!!! 7!!!! Nem conseguiria imaginar o tempo lá em Janeiro! Não lido bem com o frio... Gosto é de calor... E além disso, para ir a casa teria de passar 4h fechada num autocarro até Lisboa e depois mais 2h de avião (para não falar dos atrasos e afins que sempre acontecem...!!! Não era para mim! Fui na mesma fazer o exame, a pedido do meu pai e, apesar de ter sido muito bem recebida na Universidade e tudo me ter corrido bem, nunca mais esqueci o frio que passei naquela noite no hotel onde ficamos (roubei o cobertor do meu pai e o do meu primo P. que tinha ido connosco!).

O exame na Universidade Moderna já foi mais calminho. Era sobre cultura geral, por isso não tive de me preparar agarrada a livros e afins. A Universidade era super nova e bonita e também fui muito bem recebida lá, mas segundo o meu primo, os alunos daquela universidade eram muito "cocós" e, quem me conhece, sabe que eu sou uma pessoa super prática e sem rococós nenhuns... Só mesmo se não tivesse hipótese é que ficaria ali...

Os exames na Universidade Autónoma de Lisboa (fiz 2: um de português e um de inglês) correram bem também. Não me lembro em qual sala foi, mas lembro-me de sentir uma empatia maior nesta universidade do que nas outras. Fazia-me lembrar o Liceu Antero de Quental. Era (e é!) um edifício antigo, amarelo, o chão era de pedra branca (todo ele!) e tinha muitas alusões ao nosso Camões, logo à entrada, depois do pátio, onde havia um poço daqueles antigos onde se tirava água, havia um busto dele. As salas de aula era compridas, cheias de carteiras antigas, amarelas,... Senti que era ali que pertencia e foi ali que decidi ficar mesmo tendo sido o último resultado a sair e colocando em risco ter de ficar mesmo mais um ano no 12º ano, pois recusei as entradas nas outras universidades, mesmo sem saber o resultado na UAL.
A vida é feita de escolhas e esta foi uma das mais importantes que fiz na minha vida!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Camões na minha vida... desde 1992

A primeira vez que lidei com Camões (o poeta mesmo) foi no meu 9º Ano de escolaridade. Os Lusíadas era uma obra que tínhamos que estudar. Ora, digamos que miúdos de 13/14 anos a estudar Camões e Os Lusíadas, óbvio que não ia dar bom resultado. Mas se calhar sou a única a ver isso, talvez porque o senti na pele. Eu simplesmente detestei! As aulas de Português eram um autêntico tédio para mim (que sempre adorei a disciplina)... Ainda consigo imaginar-me sentada à frente do professor (que por acaso era um padre com voz monocórdica e ar autoritário para tornar a situação ainda mais dramática) e dele ler alguns excertos e depois pedir-nos para lermos nós algumas estâncias... Digo-vos, eu não conseguia sequer perceber metade do que estava lá escrito, mas lá me fui desenrascando, graças aos resumos dos livros "amarelinhos", que me ajudaram a ter uma noção do que se tratava e até achei a história ligeiramente interessante. Quando terminamos de estudar Os Lusíadas pensava que nunca mais tinha de lhe colocar a vista em cima, mas estava enganada...

Não me lembro de ter estudado Camões no secundário. Se estudei não foi traumatizante. Se calhar estudei a parte lírica de Camões que é bem mais soft que Os Lusíadas...

Em 1996, fui viver para Lisboa, curiosamente para a Rua Luís de Camões, onde permaneci durante 3 anos, e inscrevi-me na Universidade Autónoma de Lisboa "Luís de Camões"! Conseguem encontrar semelhanças?! Ao longo do curso fui-me aproximando cada vez mais do Português e da Língua Portuguesa, afinal de contas, se algum dia concorresse para dar aulas nunca poderia leccionar 2 línguas ao mesmo tempo, até porque são grupos diferentes: ou seria professora de Português ou professora de Inglês. E foi por causa deste fator (e também pelos péssimos professores de Inglês que tive na Universidade a partir do 2º ano) que decidi engrenar pela área do Português. Assim, a partir de certa altura, as cadeiras opcionais que escolhia eram todas viradas para o Português. No 4º Ano não havia muita escolha: ou era uma cadeira da vertente inglês (que já não me recordo qual era!) ou era a cadeira chamada Estudos Camonianos (!!!) e, perante este cenário quase que tive um ataque cardíaco com a ideia da possibilidade de ter que levar com Camões um ano letivo completo. O professor da cadeira era o reitor da Universidade da altura, o Prof. Justino Mendes de Almeida, um grande senhor e professor (só tenho boas recordações dele!) e, na sua simplicidade, na sua forma de falar de Camões, no "amor" que demonstrava ter por toda a obra deixada por Luís de Camões, conseguiu fazer-me gostar de Camões e d'Os Lusíadas, como mais nenhum outro professor. Já li Os Lusíadas algumas vezes e já dei explicações e aulas sobre esta obra. Espero ter conseguido fazer com que os meus alunos/explicandos não sentissem aversão a Camões como eu própria senti da primeira vez que tive de estudá-lo.