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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Uma Lisboa diferente... muito diferente...

Esta viagem a Lisboa foi diferente de todas as outras que já fiz em toda a minha vida. Não foram férias e também não foram só preocupações. Foi uma espécie de meio-termo. Óbvio que não podíamos estar a sair de casa logo pela manhã e fazermos coisas todo o dia (como se fossem férias!), pois havia quem não conseguisse acompanhar o ritmo. Por outro lado também não podíamos passar os dias todos em casa pois havia quem precisasse estar ao ar livre, fazer coisas divertidas e felizes para menores de 5 anos!...
Conhecemos Lisboa como nunca, no que diz respeito a parques infantis (até então desconhecia um que fosse!!!), mas também tivemos tempo para ir ao Oceanário, Jardim Zoológico, Kidzania, Belém, Estádio do Benfica, Centro Comercial Colombo, Vasco da Gama e Dolce Vita Tejo,... e mais houvesse... Deu para revermos algumas pessoas que fazem parte da nossa família de coração e passamos algum tempo útil com elas, o que foi excelente!
Foi uma viagem que teve o 8 e o 80!

Senti o coração tão pequenino, como também voltei de coração cheio!...


segunda-feira, 11 de junho de 2018

O acordar dela...

O meu primo foi abrir-me a porta branca e levou-nos até ela...
Lá estava ela, deitada, a dormir, de boquinha aberta e à frente da cara tinha uma máscara de oxigénio.  Ali permanecemos quietinhos à espera que acordasse... Entretanto, o meu primo disse-nos que não sabia como ela respirava... que tanto as amígdalas como as adenóides eram gigantescas... Mas que agora ia ficar tudo muito melhor com ela... Era esse o objetivo!
Dali a um pouco (quando ele se foi embora!), ela começa a tossir... a colocar para fora coágulos de sangue, quer do nariz quer da boca, e a sensação que tinha era que estava a engasgar-se... Por mais que limpasse mais sangue vinha colado atrás. A ideia era ela permanecer deitada de lado com a cabeça inclinada, para evitar ingerir aquilo. Mas... é difícil sossegar uma criança de 4 anos. Foi uma hora de muito choro, de muito pedir colinho, de muito mimo, de muita criatividade para a distrair, de muita agonia e medo... Ela já se embrulhava nos fios que tinha à volta do corpo... olhava para a mãozinha e dizia que não queria aquilo (o canal para o soro/medicação) ali, que queria tirar...
Ela ficou com a carinha toda suja de sangue... Minha rica filha... Dava tudo para ela não passar por aquilo...
Depois, quando já estava mais calma, saímos da sala do recobro e fomos para a outra sala, a primeira onde tínhamos estado. O enfermeiro Marco deu-lhe um sumo de maçã fresquinho e ela bebeu todinho... (e eu a imaginar que seria um gelado!!!...).
Vestimo-la, pegamos na Minnie e na Girafa do T., envolvemos-lhe nas suas mantinhas e fomos para casa, onde nos receberam os nossos amigos ainda acordados, para a verem e saberem dela.
Nessa noite estava cheia de energia... nem parecia que tinha feito uma cirurgia. Falava normalmente e estava pronta para outra.
Dormimos os 3 na caminha, caso alguma coisa acontecesse... Apesar dela ainda estar a ressonar, foi uma noite tranquila, dentro dos possíveis...


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Como é deixá-la no bloco operatório?

Depois do cenário para o qual não estava minimamente preparada (este aqui), o Dr. Chaled Al-Kadri diz: "Mãe, beijinho na Matilde e até já!". Dei-lhe um beijo e, instantaneamente, deixei de conseguir falar. Olhei para o meu primo e, já de lágrima no olho (e na cara toda!), "pedi-lhe" (com o meu olhar!) para ele cuidar da minha menina... Sai com uma enfermeira que me acompanhou e me disse qual era a porta por onde devia entrar quando tudo acabasse...
Vagueei um pouco pelo corredor, com o Sr. Santo Cristo na minha mão (sempre!) à procura de uma saída. Mas, com medo de me perder e nunca mais encontrar aquela porta branca (sentia-me bastante desorientada, como se estivesse a andar por cima de um chão irregular!), sentei-me no chão daquele corredor e pus o meu telemóvel a carregar para que quando ela acordasse pudesse distraí-la com os jogos que tenho lá gravados para ela. Nesse momento não tinha de ser mais forte. Podia chorar sem que ela me visse, sem que a provocasse medo. Deixei-me ir pelo meu medo e permiti-me chorar. Chorei continuamente. Rezei, olhei para Ele, apertei-O na minha mão como se estivesse a agarrar-me à minha filha, à sua própria vida. 
Não consigo imaginar o tormento que sentem os pais das crianças que são operadas durante longas horas... Os meus pais... como sobreviveram a mais de 6h de operação do meu irmão?! 
Imaginava o que lhe estavam a fazer, como,... Aparecia um flashback da minha própria vida... Como ela ficaria depois daquilo?! Como ela iria reagir?!
Via fotos dela... vídeos... Ouvia a sua voz... Fechava os olhos e sentia o seu cheiro...

Chamem-me o que quiserem... Mas acima de tudo sou "mãe" e sou, orgulhosamente, mãe de corpo e alma. Mãe a tempo inteiro, mesmo que, por vezes, longe fisicamente. Sou mãe desta pessoinha, desta "nica de gente" (como a apelidava quando andava na minha barriga ainda, por ser tão pequenina!) que amo mais que a minha própria vida. Sou a mãe dela e isso dá-me o direito de poder viver para ela e com ela...

Dali a pouco mais de 25 minutos (os mais longos da minha vida!) só oiço alguém a dizer "Já está!". Era o Pedro. Tinha terminado. E ele vinha confiante, sorridente. Respirei de alívio. E já só queria era estar com ela outra vez, vê-la, tocá-la, tê-la no meu colo...


quarta-feira, 6 de junho de 2018

O pré-operatório...

Chegou o dia 14 de maio... o dia da sua cirurgia! Estava marcada para as 19h!!! Instruções: a partir das 13h não podia nem comer nem beber nada!!! 

Ela almoçou muito bem. Mesmo bem! Tinha mesmo que almoçar bem, pois sabíamos lá nós quando ela poderia comer ou beber novamente...
Decidimos passar a tarde no "parque infantil" do Colombo. É um sítio que ela gosta de estar e não levava com o sol de Lisboa, fazendo-lhe querer beber. Pelas 16h fomo-nos dirigindo para o Parque das Nações, na esperança que ela adormecesse. E assim foi.
Quando acordou, levei-a no meu colo para o Hospital e lá aguardamos um pouco.
Quando chamaram pelo nome dela, levaram-nos para um quarto grande onde estavam outras pessoas, separadas por cortinados. Deram-nos 2 batas e 2 toucas (uma para ela e outra para quem fosse com ela para o bloco operatório - eu!). Vesti-a e vesti-me. Ela deitou-se na sua caminha junto com a Minnie (a amiga de sempre!) e a girafa que ela levou consigo e que era do seu "irmão gémeo" T. :)
Acompanhou-nos o enfermeiro Marco extremamente (bonito!) simpático e sempre muito meiguinho com ela. 
O anestesista Dr. Chaled Al-Kadri também nos visitou. Ela sempre muito envergonhada quando ele falava com ela. Até que ele "virou palhaço"! Começou a fazer caretas e palhaçadas com a touca. Dizia que a touca fazia magias e tal... Muito, muito meiguinho! Disse-nos que só colocariam o soro nela quando ela já estivesse a dormir e que seria tudo muito soft para não criar qualquer tipo de trauma no futuro.
Deram-lhe uma espécie de xarope para ficar "bebedinha" e acreditem... ela ficou mesmo! Fartamo-nos de rir com as coisas que dizia... E ainda brincamos um bocadinho com ela enquanto esperávamos pela hora. No fundo, o meu coração de mãe estava a ficar cada vez mais pequenino com o aproximar da hora...
À porta do bloco operatório estava o nosso primo, quem lhe ia operar. Ela ia no meu colo, embrulhadinha nos cobertores. Ele falou com ela, sempre simpático e meiguinho. Deitei-a na cama da operação. A enfermeira do bloco também muito simpática a falar com ela. E chegou a hora de lhe colocar a máscara. Disse-lhe que era a máscara parecida com a de mergulho do padrinho. Ela deixou, como tínhamos combinado... 
Estava à espera que ela adormecesse serenamente e com naturalidade, tal como adormecem nos filmes e na Anatomia de Grey. Mas não! A dada altura o médico anestesista diz-me: "Não se assuste! Eles começam a ficar agitados agora no final!". E ela ficou! Começou a espernear e a revirar os olhos. Só me lembrava de mim pequenina a passar exatamente pelo mesmo. Eu lembro-me que também esperneei... Será que foi disso? Não sei... Parecia que ela estava a ter um AVC ou com falta de ar... Foi um choque para mim e, como ninguém me tinha preparado para aquele cenário... o meu coração ainda ficou mais pequenino do que já estava, como se isso fosse ainda possível...

Se me perguntassem hoje se voltava a entrar no bloco operatório com ela, mesmo sabendo que ia vê-la passar por aquilo, eu responderia que sim, 1000 vezes SIM. Tenho a certeza que ela se sentiu mais segura comigo ao seu lado, a segurar-lhe a mãozinha pequenina, do que sem mim... 
Tudo por ela...



Dr. Chaled Al-Kadri
Anestesista

Dr. Pedro Machado Sousa
Otorrinolaringologista (e nosso primo!)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O motivo da minha ausência foi?!

Já tinha mencionado por aqui que a minha M. ia ser submetida a uma adenoamidalectomia em breve e o breve foi no passado dia 14 de maio. 
Depois do stress e preocupação (mesmo sabendo que era uma intervenção simples!) que "engoli" desde o momento em que soube que era mesmo para ser operada, senti necessidade de fazer a pausa para estar totalmente focada nela. Eu já tinha passado por aquilo, mas não me lembrava de muitas coisas (e não me lembro! Tinha 5 anos!!!) e o pouco e mau que ainda existe na minha memória não queria que ela também o sentisse. Então foquei-me nela, só nela e no seu melhor bem estar.

Eis algumas medidas que adotei para que ela se sentisse como se estivesse em casa:

- ficamos em casa de um casal amigo que tem um filho, o T., que é 2 dias mais novo que a M.
Estarmos numa casa familiar, e ainda por cima com um menino da idade dela, iria permitir-nos confeccionar a sua comida, estar num ambiente "casa", com um amigo para brincar, com quem ela se dá muito bem (e nós também com os pais dele). Na casa deles sentímo-nos em casa e acredito que a presença do T. naqueles dias (tirando o dia "pica-piolos" :P) ajudou a M. a ficar mais animadinha.
Obrigada à família Nunes Pimenta e um agradecimento super especial...por T.U.D.O.!

- fizemos outras atividades para crianças, sem ser apenas ir ao médico.
Não queria que a minha M. associasse aquela viagem a apenas à cirurgia e às consultas. Queria que, caso se lembrasse daquela viagem alguma vez, não olhasse só para as coisas más, mas também pelo bom que viveu. Por isso, fomos a muitos parques infantis, Jardim Zoológico, Oceanário, Kidzania,... E apercebi-me de uma coisa: enquanto estudei em Lisboa (e foram 6 anos da minha vida!) nunca tinha visto um Parque Infantil em Lisboa!!! :)

- escolhi o meu primo e a CUF Descobertas.
Além dele ser da minha família e ser uma pessoa em quem confio plenamente (sempre foi excelente aluno e muito responsável!) e dele operar na CUF Descobertas, garantiu-me que estaria o tempo todo com a minha M., enquanto ela estivesse acordada. Assim foi. Obrigada Pedro.

- evitei (ou tentei evitar!) o stress.
Guardei tudo para mim basicamente. Evitei que ela me visse stressada por qualquer motivo. Tentei transmitir-lhe toda a calma que eu (não) tinha dentro de mim... Para esta medida, tive de fazer escolhas. Escolhi rodear-me de quem me faz bem, de quem me faz sentir bem. Ignorei os restantes. Optei por desligar-me do blog, porque não tinha forma e nem teria cabeça/tempo para escrever o que quer que fosse... Andei a vaguear pelo facebook lá de vez em quando... Foi o bastante!